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Infarto acontece mais cedo em São Paulo do que em outros lugares, diz estudo

Levantamento encontrou média de 58 anos entre pacientes com infarto atendidos em São Paulo; estresse e poluição podem contribuir para o risco cardiovascular

7 set 2026 - 19h10
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Resumo
Um estudo da Rede D'Or revelou que pacientes com infarto em São Paulo têm a menor média de idade do país, 58 anos, contra 70 em Pernambuco. Embora a pesquisa não comprove relações causais diretas e analise a rede privada, fatores urbanos como estresse crônico e poluição somam-se a riscos tradicionais, como hipertensão arterial. Especialistas alertam que a rotina das metrópoles potencializa problemas cardiovasculares, reforçando a urgência da prevenção contínua e de hábitos mais saudáveis.

As doenças cardiovasculares continuam sendo um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que elas estão relacionadas a aproximadamente 19,8 milhões de mortes todos os anos, correspondendo a cerca de 32% dos óbitos globais. Infarto e acidente vascular cerebral (AVC), juntos, representam a maior parcela dessas mortes.

Estudo aponta que pacientes de São Paulo sofrem infarto mais cedo, com média de 58 anos; entenda o papel do estresse e da poluição
Estudo aponta que pacientes de São Paulo sofrem infarto mais cedo, com média de 58 anos; entenda o papel do estresse e da poluição
Foto: Reprodução: Towfiqu barbhuiya/Pexels / Bons Fluidos

Um novo levantamento brasileiro chama atenção para outro aspecto do problema: a idade em que o infarto acontece. Entre pacientes atendidos por unidades da Rede D'Or em diferentes regiões do país, aqueles que tiveram infarto em São Paulo apresentaram a menor média de idade. Nos hospitais paulistas analisados, a média foi de 58 anos. Em Pernambuco, por exemplo, chegou a 70 anos, uma diferença de 12 anos entre os dois grupos.

Embora o resultado seja expressivo, os próprios dados exigem cautela. A pesquisa não investigou quais fatores provocaram essa diferença e, portanto, não é possível concluir que viver em São Paulo faça uma pessoa sofrer um infarto mais cedo.

Ainda assim, características comuns às grandes cidades, como estresse e exposição à poluição, levantam uma discussão importante sobre como o ambiente e o estilo de vida podem se somar aos fatores de risco cardiovasculares já conhecidos.

Infarto ocorreu mais cedo entre pacientes de São Paulo

O levantamento analisou atendimentos realizados entre janeiro de 2025 e março de 2026 em unidades da Rede D'Or de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Distrito Federal. Ao todo, avaliaram 4.921 pacientes com suspeita de infarto atendidos em 59 unidades. Entre eles, 2.194 receberam a confirmação do diagnóstico.

Quando os pesquisadores compararam a idade média dos pacientes com infarto, encontraram diferenças consideráveis entre os locais analisados: São Paulo: 58 anos; Rio de Janeiro: 62 anos; Distrito Federal: 67 anos; Minas Gerais: 67,5 anos; Bahia: 69 anos; Pernambuco: 70 anos.

São Paulo teve 572 casos confirmados de infarto entre os pacientes avaliados. O Rio de Janeiro apresentou o maior número, com 764. Outro dado importante é que mais de 70% das pessoas analisadas apresentavam pelo menos um fator de risco cardiovascular. A hipertensão arterial foi o mais frequente.

Por que o infarto pode aparecer mais cedo?

Hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol elevado e sedentarismo estão entre os fatores tradicionalmente associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. 

"Mas além dos riscos tradicionais, como hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto e sedentarismo, características da vida em São Paulo, como o estresse e a exposição à poluição, também podem contribuir", explica Antônio Aurélio Fagundes, ao portal O Globo.

É importante, porém, fazer uma distinção: o levantamento encontrou uma diferença de idade, mas não desenvolveu-se para descobrir a causa dela. Também há limitações na comparação. O número de hospitais e cidades analisados não foi igual em todos os estados. Em Minas Gerais, por exemplo, os dados vieram de apenas uma unidade localizada em Nova Lima, enquanto São Paulo reuniu informações de 12 unidades distribuídas por oito municípios.

Além disso, todos os pacientes foram atendidos na rede privada. Por isso, os resultados refletem o perfil dessa população específica e não podem ser automaticamente aplicados a todos os brasileiros.

Poluição pode prejudicar a saúde cardiovascular

A possível participação da poluição nessa discussão não acontece por acaso. A exposição ao ar poluído já é reconhecida como um fator de risco ambiental para doenças cardiovasculares. Ao respirar determinados poluentes, partículas e outras substâncias entram em contato com o sistema respiratório e podem desencadear processos inflamatórios no organismo.

Essa inflamação não fica necessariamente restrita aos pulmões. Ela também pode atingir os vasos sanguíneos e favorecer processos relacionados à aterosclerose - condição caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias. Com a progressão dessas alterações, o risco cardiovascular pode aumentar, principalmente quando a pessoa já apresenta outros fatores associados.

E o estresse? Ele também afeta o coração

A rotina acelerada, os deslocamentos longos, as cobranças profissionais e outras tensões do cotidiano também podem repercutir no organismo quando o estresse se torna frequente.

Uma das respostas do corpo às situações estressantes envolve a liberação de hormônios como a adrenalina. Esse mecanismo é importante em momentos pontuais, pois prepara o organismo para reagir rapidamente. O problema pode surgir quando esse estado de alerta se repete constantemente.

Ao longo do tempo, a exposição recorrente a esse cenário pode se somar a outros fatores e contribuir para alterações nos vasos sanguíneos e para a progressão da aterosclerose.

Isso não significa que uma semana estressante, isoladamente, levará alguém a sofrer um infarto. O risco cardiovascular é resultado da interação de diversos elementos, e cada pessoa apresenta uma combinação diferente deles.

Como proteger o coração mesmo vivendo em uma grande cidade?

Eliminar completamente a poluição ou o estresse da rotina pode ser praticamente impossível para quem vive em grandes centros. Por isso, uma das estratégias mais importantes é cuidar dos fatores que podem ser modificados. "Não fume, faça atividades físicas regulares, tenha uma alimentação saudável, controle o colesterol, o diabetes e a hipertensão e consulte regularmente um cardiologista", orienta Fagundes.

O cuidado com o estresse também precisa ser individualizado. Sono adequado, exercícios físicos, técnicas de relaxamento e acompanhamento psicológico podem ajudar algumas pessoas a administrar melhor as tensões cotidianas. Em relação à poluição, determinadas medidas podem reduzir pontualmente a exposição em situações específicas, como o uso de máscaras adequadas e a permanência em ambientes com ar filtrado.

Mais do que interpretar o resultado como um motivo para temer a vida nas grandes cidades, o levantamento reforça um alerta que vale independentemente do endereço: a prevenção cardiovascular precisa começar antes que os primeiros sintomas apareçam. Acompanhar pressão arterial, colesterol e glicemia, manter o corpo ativo, evitar o cigarro e buscar uma rotina mais equilibrada são cuidados que ajudam a proteger o coração ao longo da vida.

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