Filmes brasileiros que inspiram reflexões no Dia do Cinema
Do clássico ao contemporâneo
No Dia do Cinema Brasileiro, profissionais do audiovisual destacam obras que retratam as diversidades e histórias do país. Com apenas 5,2% do público nos cinemas em 2026, filmes como 'Central do Brasil' e 'Vidas Secas' são lembrados por sua atualidade e impacto cultural. 🎥
Em meio aos desafios para atrair público às salas, profissionais do audiovisual revisitam obras que ajudam a compreender diferentes retratos do Brasil
No Dia do Cinema Brasileiro, celebrado em 19 de junho, revisitar produções nacionais também é uma forma de refletir sobre a relação do público com essas histórias. Dados do Sistema de Controle de Bilheteria da Ancine mostram que, nos primeiros meses de 2026, os filmes brasileiros responderam por 5,2% do público total dos cinemas do país, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Para marcar a data, a diretora Anita Barbosa e o escritor, roteirista e diretor Igor Verde selecionaram obras que consideram importantes pela capacidade de retratar o Brasil em suas contradições, afetos e transformações.
À frente do desenvolvimento de "Se Eu Fosse Você 3" e integrante da Total Filmes, Anita participou como assistente de direção dos dois primeiros longas da franquia. Já Igor Verde integra a equipe de direção de "Nobreza do Amor" e recentemente dirigiu "Fúria", série da Netflix ainda inédita.
Unanimidade
Entre dezenas de títulos lembrados pelos dois profissionais, apenas um apareceu nas duas listas: "Central do Brasil", dirigido por Walter Salles. Lançado em 1998, o filme acompanha Dora, uma ex-professora que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Ao lado do menino Josué, ela atravessa o país em busca do pai da criança.
"Central do Brasil consegue falar sobre encontro, perda, deslocamento e esperança sem perder de vista o país que existe fora dos grandes centros. É um filme que continua atual porque trata de relações humanas", afirma Anita.
"É uma obra que aproxima as pessoas. Mesmo quem assiste pela primeira vez hoje consegue se reconhecer em algum aspecto da história", acrescenta Igor.
Para todos os gostos
Entre as escolhas de Igor, um dos destaques é "Alma no Olho", curta de Zózimo Bulbul lançado em 1973. Sem diálogos e com apenas 11 minutos, o filme discute identidade negra, liberdade e racismo por meio da performance corporal. "É um filme que muita gente não conhece, mas que deveria fazer parte das conversas sobre cinema brasileiro. Ele mostra que é possível dizer muito utilizando poucos elementos", diz.
Outra indicação é "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho. Iniciado nos anos 1960 e interrompido pela ditadura militar, o documentário foi retomado anos depois e se tornou um registro sobre memória, política e o impacto do tempo na vida das pessoas retratadas.
"Às vezes, a gente reduz o cinema nacional a dois ou três títulos mais conhecidos. Quando começa a explorar outras obras, percebe quantos Brasis existem dentro dessas histórias", afirma Igor.
Da literatura
Já Anita destaca "Vidas Secas", dirigido por Nelson Pereira dos Santos e baseado na obra de Graciliano Ramos, que acompanha uma família em meio à seca no sertão nordestino. "São filmes que ajudam a entender períodos diferentes do Brasil. Eles falam de desigualdade, afeto, sobrevivência e muitos continuam dialogando com questões atuais", comenta.
A diretora também cita "Estômago", de Marcos Jorge, que utiliza a comida para discutir relações de poder e mobilidade social. "Assistir a filmes brasileiros é uma forma de reconhecer a nossa cultura, ouvir diferentes vozes e perceber como determinadas questões permanecem atuais. O cinema cria pontes entre gerações e continua sendo uma ferramenta importante para refletirmos sobre o país", conclui Anita.
Outras indicações dos profissionais incluem títulos como "Deus e o Diabo na Terra do Sol", "Marte Um", "Branco Sai, Preto Fica", "Pixote: A Lei do Mais Fraco", "A Hora da Estrela" e "Medida Provisória".
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