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Estudo liga 1 em cada 8 casos de câncer a infecções; saiba quais

HPV, hepatites e uma bactéria comum do estômago aparecem entre os principais agentes identificados pelos pesquisadores

30 set 2026 - 13h44
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Resumo
Segundo estudo na The Lancet Oncology, infecções responderam por um em cada oito diagnósticos de câncer no mundo em 2024, somando 2,3 milhões de casos. Os principais agentes foram H. pylori, HPV, hepatites B e C e o vírus Epstein-Barr, com 77% das ocorrências concentradas em países de média e baixa renda. Especialistas alertam que grande parte desses tumores poderia ser evitada com vacinas, exames e tratamentos já existentes, mas subutilizados por barreiras socioeconômicas.

Cerca de um em cada oito casos de câncer diagnosticados no mundo em 2024 teve relação com infecções, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology. A estimativa corresponde a aproximadamente 2,3 milhões dos 19,2 milhões de novos diagnósticos analisados.

Cinco agentes concentram =parte dos casos de câncer associados a infecções; alguns já contam com tratamentos capazes de reduzir o risco
Cinco agentes concentram =parte dos casos de câncer associados a infecções; alguns já contam com tratamentos capazes de reduzir o risco
Foto: selvanegra/Getty Images / Bons Fluidos

Apesar da variedade de vírus e bactérias capazes de interferir na saúde humana, cinco agentes tiveram maior participação nesse cenário: Helicobacter pylori (H. pylori), papilomavírus humano (HPV), hepatites B e C e vírus Epstein-Barr (EBV).

Os números também chamam atenção para medidas que já existem. Vacinação, diagnóstico de determinadas infecções e tratamentos disponíveis podem ajudar a reduzir parte desse impacto. "Embora o investimento no desenvolvimento de novas vacinas preventivas seja fundamental, muitas estratégias de prevenção são reconhecidamente economicamente eficazes", escreveram os autores.

"Infelizmente, essas estratégias são frequentemente subutilizadas devido a barreiras sociais, financeiras e políticas, muitas vezes em contextos que mais precisam delas", ressaltam.

Quais infecções aparecem ligadas ao câncer?

A H. pylori, bactéria capaz de permanecer no estômago por anos sem provocar sintomas, apresentou a maior participação individual no levantamento. Os pesquisadores relacionaram aproximadamente 760 mil casos ao agente.

Quando permanece no organismo, a infecção pode favorecer problemas no estômago e, em algumas pessoas, contribuir para alterações ligadas ao desenvolvimento de tumores.

Ademais, o HPV  teve presença expressiva, com cerca de 750 mil casos relacionados ao vírus. Alguns de seus tipos aumentam o risco de câncer de colo do útero e também têm relação com tumores de boca, garganta, ânus, pênis, vulva e vagina.

As hepatites B e C, por sua vez, apareceram principalmente em associação ao câncer de fígado. O vírus Epstein-Barr, causador da mononucleose infecciosa, também integrou a lista e respondeu por aproximadamente 1% dos novos diagnósticos avaliados.

Infecção e o surgimento de um tumor

Esse processo, contudo, não ocorre da mesma maneira em todos os agentes. Alguns vírus conseguem interferir nos mecanismos que controlam a multiplicação e a sobrevivência das células. Com o tempo, então, determinadas alterações podem favorecer um crescimento celular desordenado.

Já bactérias como a H. pylori seguem outro caminho. Quando a infecção se prolonga, pode provocar inflamação persistente e exigir que os tecidos passem por sucessivos processos de reparação. Esse ambiente pode aumentar a chance de surgirem danos celulares.

Ainda assim, ter uma dessas infecções não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. Isso porque fatores como genética, estado geral de saúde e outros aspectos individuais também interferem no risco.

Países de menor renda concentram mais casos

A distribuição dos casos também revelou uma diferença importante entre as regiões. Países de renda baixa ou média concentraram cerca de 77% dos cânceres associados a infecções.

Para os pesquisadores, esse cenário evidencia que prevenir esses tumores não depende apenas de avanços científicos. O acesso a vacinas, exames, diagnóstico e medicamentos também ocupa papel central.

Assim, o estudo reforça que combater determinadas infecções pode fazer parte das estratégias de prevenção do câncer, especialmente quando já existem recursos capazes de evitar ou tratar o agente antes que ele provoque consequências mais graves.

Bons Fluidos
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