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Gordura ao redor do coração pode indicar maior risco de doenças cardiovasculares

30 set 2026 - 14h29
(atualizado às 14h32)
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Resumo
Um estudo da Mayo Clinic revelou que o excesso de gordura ao redor do coração (pericárdica) eleva o risco de eventos como infarto e AVC. Com o uso de inteligência artificial aplicada a tomografias, os pesquisadores conseguiram medir essa camada inflamatória com rapidez e precisão. A análise complementa o tradicional escore de cálcio coronariano, tornando a previsão de doenças cardiovasculares mais exata e viável para ser incorporada à rotina clínica futura.

30 de setembro de 2026 (Bibliomed). Além da gordura que fica sob a pele ou na barriga, existe uma camada de gordura que envolve o coração, chamada gordura pericárdica. Em pequenas quantidades, ela faz parte da anatomia normal. Porém, quando está aumentada, pode produzir substâncias inflamatórias que favorecem o desenvolvimento de doenças nas artérias do coração.

Gordura ao redor do coração pode indicar maior risco de doenças cardiovasculares
Gordura ao redor do coração pode indicar maior risco de doenças cardiovasculares
Foto: chormail/Evanto / Boa Saúde

Pesquisa realizada na Mayo Clinic, nos Estados Unidos, buscou descobrir se a quantidade dessa gordura ao redor do coração pode ajudar a prever o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, com mais precisão do que os métodos tradicionais. Para isso, utilizaram inteligência artificial (IA) para analisar exames de tomografia computadorizada do coração.

Os pesquisadores analisaram tomografias cardíacas de muitas pessoas utilizando um sistema de inteligência artificial baseado em aprendizado profundo (deep learning). Essa tecnologia foi capaz de identificar e medir automaticamente a quantidade de gordura ao redor do coração, uma tarefa que normalmente exige bastante tempo quando feita manualmente. Depois, os cientistas acompanharam os participantes para verificar quem desenvolveu problemas cardiovasculares ao longo do tempo.

Os resultados mostraram que pessoas com maior quantidade de gordura ao redor do coração apresentaram um risco mais elevado de sofrer eventos cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC); e outras complicações relacionadas ao coração e aos vasos sanguíneos. Além disso, essa medida forneceu informações importantes mesmo quando o escore de cálcio das artérias coronárias já era conhecido.

O escore de cálcio coronariano é um exame bastante utilizado para estimar o risco de doença cardíaca. Ele mede a quantidade de cálcio acumulado nas artérias do coração. Quanto maior esse acúmulo, maior tende a ser o risco de infarto. O novo estudo mostrou que medir também a gordura ao redor do coração pode complementar essa avaliação, oferecendo uma estimativa ainda mais precisa do risco cardiovascular.

Segundo os autores, a inteligência artificial conseguiu analisar os exames de forma rápida, medir a gordura com alta precisão, reduzir o trabalho manual dos especialistas, e tornar essa avaliação mais prática para uso em grandes quantidades de exames. Isso aumenta as chances de que essa análise possa ser incorporada à rotina no futuro.

Fonte: American Journal of Preventive Cardiology. DOI: 10.1016/j.ajpc.2026.101549.

Boa Saúde
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