Dor no peito: exame ajuda a descartar infarto com mais rapidez e segurança
Método indicado permite avaliar as artérias do coração em minutos, sem procedimento invasivo
Dor no peito é um sintoma que causa receio e leva os pacientes às emergências. Nem sempre o quadro indica infarto, mas exige diagnóstico rápido. Um exame indicado por cardiologistas pode ajudar a descartar problemas graves do coração em poucos minutos e sem procedimentos invasivos, auxiliando numa questão de saúde pública: a angiotomografia de coronárias.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 300 mil e 400 mil pessoas infartam no Brasil anualmente. Para quem apresenta sintomas de doenças cardiológicas, sejam de risco baixo ou intermediário, a angiotomografia de coronárias é indicada como primeiro exame de diagnóstico. A recomendação integra a Diretriz de Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética Cardiovascular, lançada em 2024 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).
Doenças cardiovasculares responderam por 28% das mortes no Brasil entre 2010 e 2019, segundo dados do DataSUS citados na diretriz. A angiotomografia passou a ser recomendada também para pacientes assintomáticos de risco muito alto.
O exame fornece imagens das artérias do coração em minutos, sem procedimento invasivo. Dessa forma, auxilia médicos a decidirem quem precisa de cateterismo, quem necessita internação e quem pode receber alta com segurança.
Dor torácica mobiliza emergências e exige diagnóstico rápido
A dor no peito, embora frequentemente associada a doenças cardiológicas, pode ter origens não cardíacas. Um terço das pessoas que de fato sofrem infarto não apresenta esse tipo de dor - especialmente mulheres após a menopausa, idosos e diabéticos. Nesses grupos, o quadro pode surgir apenas com vômitos, enjoos, dor nas costas ou dificuldade para respirar, como alertam as autoridades de saúde.
As causas da dor torácica variam: gases intestinais produzem pontadas que, muitas vezes, são percebidas na altura do coração, e o refluxo gastroesofágico se manifesta como queimação após as refeições. Já as dores musculares no peito pioram ao toque ou com mudanças de posição. As crises de ansiedade também podem provocar tensão na musculatura peitoral, conforme informações do Ministério da Saúde.
Já as causas cardíacas para dor no peito incluem angina, pericardite, problemas na aorta e infarto. O protocolo tradicional para diagnóstico exige o eletrocardiograma e a coleta seriada de enzimas cardíacas, que podem levar horas para positivar mesmo quando o eletrocardiograma inicial é normal.
Novas indicações ampliam papel do exame na prática clínica
Cardiologistas que colaboraram com a elaboração da nova diretriz apontam que a tomografia apresenta a melhor relação custo-benefício na avaliação de artérias coronárias. O exame é indicado para avaliar pacientes com doença arterial coronariana estável que apresentam sintomas típicos ou atípicos e serve para investigar pacientes com histórico de revascularização.
A tomografia também consegue avaliar obstruções nas artérias do coração e acompanhar pessoas que receberam transplante cardíaco, verificando se os vasos do coração transplantado estão funcionando bem. Além disso, pode identificar problemas no pericárdio, a membrana que envolve e protege o coração.
A função da tomografia computadorizada inclui identificar placas de gordura e cálcio que podem causar entupimentos e até infartos. Em alguns casos, o exame pode identificar doenças em fases iniciais, quando o paciente ainda não apresenta sintomas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados em 2020, menos de dois em cada dez municípios brasileiros têm aparelhos de tomografia computadorizada - apenas 15,7% das cidades contam com esse equipamento médico. Para garantir que esses aparelhos funcionem com segurança e qualidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou regras específicas em 2021 e 2022. Essas normas determinam que os tomógrafos precisam passar por testes regulares, estabelecendo quando e como esses exames de manutenção devem ser feitos, além de definir limites aceitáveis de funcionamento para proteger tanto pacientes quanto profissionais de saúde.
Como funciona a tomografia cardíaca com contraste
O aparelho de tomografia emite raios-X que atravessam o corpo do paciente e são captados por centenas de detectores posicionados ao redor da mesa de exame. Estruturas mais densas bloqueiam mais radiação e aparecem claras nas imagens. Os tecidos menos densos permitem maior passagem dos raios e surgem escuros.
A angiotomografia de coronárias utiliza contraste injetado na veia para realçar as artérias do coração. Os aparelhos mais modernos conseguem "fotografar" o coração em detalhes mesmo enquanto ele bate. Os sistemas de 64 cortes alinhados produzem imagens de alta resolução, segundo o National Center for Biotechnology Information (NCBI).
*Fonte: Experta Media