Dia de Reis: entenda por que hoje é o dia ideal para desmontar a árvore de Natal
Entenda o significado do Dia de Reis, a origem da tradição de desmontar a árvore de Natal em 6 de janeiro e como a data simboliza o encerramento do ciclo natalino
Passadas as festas de fim de ano, o dia 6 de janeiro - também conhecido como Dia de Reis - costuma funcionar como um ponto de virada. Para muitas pessoas, é o momento simbólico de guardar a árvore de Natal, retirar os enfeites da casa e, aos poucos, retomar o ritmo da rotina. Mais do que um hábito doméstico, a data carrega um significado histórico, religioso e cultural que atravessa séculos.
Por que a árvore de Natal é desmontada no dia 6?
A tradição está ligada ao calendário cristão. O dia 6 de janeiro celebra o Dia de Reis, quando, segundo a narrativa bíblica, os Reis Magos chegaram a Belém para visitar o menino Jesus. Esse episódio marca o encerramento do chamado ciclo natalino, iniciado semanas antes, durante o Advento. É o período de preparação que começa sempre no quarto domingo antes do Natal.
Diferentemente da desmontagem, a montagem da árvore não segue uma regra fixa. Em alguns países, como os Estados Unidos, a decoração natalina costuma aparecer logo após o Dia de Ação de Graças. Já em comunidades cristãs, o início do Advento costuma orientar esse começo.
O significado do Dia de Reis
Também conhecido como Epifania, palavra que significa "manifestação", o Dia de Reis simboliza o momento em que Jesus é revelado não apenas ao povo judeu, mas ao mundo. A celebração recorda a visita dos magos do Oriente, guiados pela estrela, levando presentes que se tornaram carregados de simbolismo: ouro, incenso e mirra. De acordo com a tradição, o ouro representa a realeza, o incenso remete à divindade e a mirra aponta para a humanidade e o sofrimento que fariam parte da trajetória de Cristo.
Quem foram os Reis Magos?
A história aparece no Evangelho de Mateus, que relata a chegada dos magos para "visitar esse rei que tinha nascido". Apesar de serem conhecidos popularmente como três, a Bíblia não especifica o número exato de viajantes - essa definição veio da tradição cristã, associada à quantidade de presentes oferecidos. Guiados pela estrela de Belém, eles chegaram à cidade homônima, na Judeia, reconhecendo naquele menino algo maior do que um nascimento comum.
Uma tradição que ganhou sotaque brasileiro
Segundo o professor e historiador Lucas Costa ao portal Diário do Nordeste, o Dia de Reis chegou ao Brasil no século XVI, trazido pelos portugueses durante a colonização. Com o tempo, a celebração se misturou a elementos das culturas indígena e africana, criando manifestações únicas.
"É muito comum aqui no Brasil a gente também ter essa mescla das culturas dos indígenas, posteriormente dos africanos também. Então, o Dia de Reis vai também trazendo elementos da cultura indígena e da cultura africana ligados a essa tradição cristã que os portugueses trazem", explica.
Entre as expressões mais conhecidas está o Reisado, chamado em muitas regiões de Folia de Reis. Grupos percorrem casas com cantos, instrumentos e figurinos, reencenando simbolicamente a jornada dos Reis Magos e mantendo viva a tradição popular. Outro costume bastante presente nessa data é a Bênção das Casas. Nela, o padre abençoa um giz, e os moradores escrevem símbolos na porta da casa, seguidos de uma oração, como forma de proteção e intenção para o ano que começa.
O encerramento do ciclo natalino
Para além das celebrações religiosas e culturais, o Dia de Reis também marca, para muitas famílias, o fim oficial do Natal. Guardar os enfeites simboliza fechar um ciclo e seguir adiante no calendário litúrgico comum. Algumas pessoas, no entanto, preferem esperar o Batismo de Jesus, outra epifania importante, para desmontar a decoração. Em 2026, essa data será celebrada no dia 11 de janeiro.
Como destaca Lucas Costa, trata-se de uma tradição, não de uma obrigação. "É importante destacar que essa prática não é uma obrigação, mas, sim, uma tradição popular que simboliza o fechamento do ciclo do nascimento. É como se fosse uma forma de dizer assim: 'Pronto, né? Até os outros povos já reconhecem que esse menino que nasceu é um menino diferente. Ele é rei, é Deus e é homem'".
Um convite ao recomeço
Entre cantos de Folia de Reis, missas, rituais domésticos e a retirada da árvore de Natal, o 6 de janeiro funciona como um convite sutil à reorganização. É o fechamento simbólico de um tempo de celebração e a abertura de um novo ano - com menos brilho nos enfeites, mas mais intenção nos passos que vêm pela frente.