Dia de Iemanjá: o que a Rainha do Mar ensina sobre o amor?
Hoje é o Dia de Iemanjá
Celebrada no dia 2 de fevereiro, Iemanjá revela como a espiritualidade pode orientar relações mais estáveis e conscientes
Celebrado no dia 2 de fevereiro, o Dia de Iemanjá mobiliza fé, emoção e devoção em diversas regiões do Brasil. Especialmente no litoral, onde milhares de pessoas prestam homenagens à Rainha do Mar. Considerada a mãe de todos os Orixás e uma das divindades mais veneradas das religiões de matriz africana, Iemanjá simboliza o amor materno em sua forma mais profunda: aquele que acolhe, protege, perdoa e ensina. Sua energia está diretamente ligada ao cuidado com os lares, à fertilidade, à família e às relações afetivas construídas com verdade.
Divindade das águas salgadas, Iemanjá representa a força feminina, a sensibilidade e, ao mesmo tempo, a firmeza emocional. No amor, seus ensinamentos falam sobre estabilidade, lealdade e respeito. Assim como o mar pode ser calmo ou revolto, os relacionamentos também passam por fases, e Iemanjá ensina que maturidade emocional é saber atravessar essas ondas sem perder a essência. Para a espiritualidade, amar sob a regência dessa energia não significa ausência de conflitos, mas a capacidade de proteger o vínculo mesmo diante das dificuldades.
Abertura para o amor
"Muitos devotos associam Iemanjá ao encontro de um novo amor ou à harmonização da vida afetiva. A espiritualidade ensina que, antes de pedir, é fundamental agradecer. A gratidão abre caminhos e demonstra consciência do próprio merecimento. Agradecer por um novo amor, mesmo antes que ele chegue, simboliza confiança no fluxo da vida e respeito ao tempo das águas. Esse agradecimento pode acontecer em silêncio, em oração, em pensamento ou em um gesto simbólico feito com intenção verdadeira, sem excessos ou cobranças espirituais", diz Roberson Dariel, Pai de Santo especialista em reconciliação de casais do Instituto Unieb.
Abrir-se para amar, segundo os ensinamentos de Iemanjá, também exige preparo interno. Não basta desejar um relacionamento se o coração ainda carrega mágoas, ressentimentos ou histórias mal resolvidas. "A Rainha do Mar ensina que quem deseja viver um amor estável precisa limpar as próprias emoções, assim como o mar renova suas águas constantemente. Estar preparado para uma relação significa assumir responsabilidade emocional, saber o que se quer e, principalmente, o que não se está mais disposto a aceitar", continua.
Justiça
No amor, Iemanjá é conhecida por ser generosa e protetora, mas também firme. Ela não tolera desrespeito, traição ou desequilíbrio emocional. Seus filhos aprendem que estabilidade afetiva nasce da sinceridade, da lealdade e da dedicação mútua. Não se trata de controle ou posse, mas de compromisso emocional. Relações sustentadas por mentiras, jogos ou inseguranças não prosperam sob sua energia, pois o amor, para Iemanjá, precisa ser limpo, transparente e profundo como o mar.
No Dia de Iemanjá, mais do que pedidos, a espiritualidade convida à reflexão sobre como cada pessoa tem cuidado dos próprios sentimentos e dos sentimentos do outro. O amor ensinado pela Rainha do Mar não é imediato nem impulsivo, mas construído com paciência, respeito e entrega consciente. "Ao honrar Iemanjá, honra-se também a própria capacidade de amar com maturidade, equilíbrio e verdade, permitindo que o amor flua, sem forçar, assim como as águas que ela governa", finaliza Roberson,.