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Surto de salmonela na Europa acende alerta para segurança alimentar

15 set 2026 - 16h16
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Resumo
Um surto de salmonela ligado a ovos contaminados atingiu centenas de pessoas na Europa e causou uma morte no Reino Unido, reacendendo o alerta sobre segurança alimentar. Sem riscos registrados no Brasil, o caso reforça a importância dos cuidados na cozinha. Especialistas alertam que a bactéria não altera cheiro ou cor e que lavar frango cru ou ovos espalha microrganismos. A prevenção exige cozimento adequado, refrigeração correta e rigor na higienização para evitar a contaminação cruzada.

Um surto de salmonela associado ao consumo de ovos contaminados colocou a segurança dos alimentos novamente em alerta. O episódio atingiu centenas de pessoas na Europa e também chamou atenção no Reino Unido.

Foto: Guia da Cozinha

Na Inglaterra, dados oficiais apontam 305 casos confirmados e uma morte ligados a um dos agrupamentos investigados até 1º de setembro de 2026. Outros dois grupos também estão sob investigação. As autoridades britânicas avaliam uma possível relação com ovos importados.

Na Bélgica, um surto também foi associado a ovos contaminados da produtora Laerco BV. Mais de 300 pessoas adoeceram no país, segundo informações divulgadas em agosto.

No Brasil, não há indicação de que o surto europeu represente um risco para os consumidores. Ainda assim, o caso reforça a importância dos cuidados com os alimentos dentro de casa.

O que é salmonela?

A salmonela é um grupo de bactérias que pode provocar infecções gastrointestinais. A transmissão ocorre principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados.

O problema não está apenas nos ovos ou no frango. Carnes, leite não pasteurizado, frutas e verduras também podem carregar a bactéria.

Entre os sintomas mais comuns estão diarreia, febre, cólicas abdominais, náuseas e vômitos. Os sinais costumam aparecer entre seis e 72 horas após o consumo do alimento contaminado.

Na maioria dos casos, a infecção melhora sem tratamento específico. Porém, crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas têm maior risco de complicações.

Em casos graves, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea. Assim, pode provocar infecções sistêmicas e até sepse.

"A Salmonella é um microrganismo altamente adaptado. Ela contamina água e alimentos, impactando a saúde pública de forma massiva", explica Alberto Gonçalves Evangelista, pesquisador do Biopark.

Ele atua no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Alimentos Saudáveis. O grupo trabalha no desenvolvimento de estratégias para reduzir a circulação de bactérias e genes de resistência antimicrobiana entre o campo e a mesa.

Salmonela: lavar frango cru aumenta o risco?

Sim. Lavar o frango cru não é uma forma segura de eliminar bactérias. A água pode espalhar microrganismos presentes na carne. Os respingos podem atingir a pia, a torneira, a bancada, utensílios e outros alimentos.

O risco está principalmente na chamada contaminação cruzada. Ela ocorre quando microrganismos de um alimento cru chegam a outro alimento.

Uma faca usada no frango, por exemplo, pode contaminar uma salada se não for higienizada corretamente antes do novo uso.

Por isso, o frango deve ir diretamente para o preparo. O principal método para reduzir a presença de bactérias é o cozimento adequado.

O Ministério da Saúde também recomenda cozinhar bem carnes e ovos como parte das medidas de prevenção contra a salmonelose.

Salmonela: lavar o ovo antes de guardar protege?

Não necessariamente. Lavar o ovo em casa não elimina o risco de contaminação.

A prática pode comprometer a proteção natural da casca. Por isso, o cuidado deve estar na procedência, no armazenamento e no preparo.

Outro ponto importante: um ovo contaminado pode ter aparência completamente normal. A bactéria não precisa alterar cheiro, cor, textura ou sabor.

O Ministério da Saúde alerta que até ovos limpos e intactos podem estar contaminados. Por isso, recomenda o cozimento adequado e atenção ao consumo de preparações com ovos crus ou malpassados.

Mitos e verdades sobre salmonela

1. Dá para saber se o alimento tem salmonela pelo cheiro

MITO. A bactéria pode estar presente sem modificar cheiro, sabor, cor ou aparência.

2. Ovos podem transmitir salmonela mesmo quando parecem normais

VERDADE. A contaminação não precisa provocar alterações visíveis no ovo ou na casca.

3. Ovo caipira ou orgânico não tem salmonela

MITO. O tipo de produção não garante que o alimento esteja livre da bactéria.

4. Lavar o ovo antes de guardá-lo elimina o risco

MITO. A lavagem doméstica pode comprometer barreiras naturais da casca. O armazenamento e o cozimento continuam importantes.

5. Lavar o frango cru deixa a carne mais segura

MITO. A água não elimina as bactérias de forma confiável. Além disso, os respingos podem espalhar microrganismos pela cozinha.

6. Cozinhar bem ajuda a eliminar a salmonela

VERDADE. O cozimento adequado é uma das principais barreiras contra a bactéria.

7. Congelar mata a salmonela

MITO. O congelamento dificulta a multiplicação das bactérias, mas não é um método confiável para eliminá-las.

8. A geladeira mata a bactéria

MITO. A refrigeração ajuda a controlar a multiplicação bacteriana. Porém, não necessariamente destrói a salmonela já presente.

9. Frango cru pode contaminar uma salada sem encostar nela

VERDADE. Facas, tábuas, mãos e bancadas podem transportar microrganismos para alimentos prontos.

O Ministério da Agricultura e Pecuária recomenda separar carnes e aves cruas dos demais alimentos. Também orienta higienizar utensílios, tábuas e bancadas após o contato com esses produtos.

10. Só frango e ovos transmitem salmonela

MITO. A bactéria também pode estar relacionada a carnes, leite não pasteurizado, frutas, verduras e água contaminada.

11. Limão ou vinagre eliminam a salmonela

MITO. A acidez não substitui o cozimento adequado e não transforma automaticamente um alimento contaminado em seguro.

12. Preparações com ovo cru exigem atenção

VERDADE. Maionese caseira, mousses, tiramisù e outras receitas com ovo sem cozimento exigem cuidado especial.

Quando possível, o uso de ovos pasteurizados reduz o risco relacionado ao consumo de preparações sem cozimento.

13. Frango branco por dentro está necessariamente seguro

MITO. A cor não é a melhor forma de avaliar se o alimento atingiu temperatura suficiente para eliminar microrganismos.

14. A salmonelose pode levar à morte

VERDADE. Embora muitos casos sejam leves, a infecção pode se tornar grave e alcançar a corrente sanguínea.

O risco de complicações é maior entre crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida.

15. Toda salmonelose precisa de antibiótico

MITO. Muitos casos são autolimitados. Antibióticos podem ser indicados em situações específicas, conforme avaliação médica.

Nunca tome antibióticos por conta própria. O uso inadequado também contribui para a resistência antimicrobiana.

16. Crianças, idosos e imunossuprimidos precisam de atenção especial

VERDADE. Esses grupos têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da infecção.

17. Depois de cozinhar, o alimento nunca mais oferece risco

MITO. Um alimento cozido pode sofrer nova contaminação ao entrar em contato com superfícies, mãos ou utensílios contaminados.

Um exemplo simples é colocar a carne pronta no mesmo prato usado para transportar a carne crua.

18. Esponjas de louça podem espalhar bactérias

VERDADE. Esponjas úmidas acumulam resíduos e podem favorecer a sobrevivência de microrganismos.

Por isso, devem ser bem enxaguadas e mantidas o mais secas possível entre os usos. Também precisam ser trocadas quando estiverem desgastadas, com mau cheiro ou sem condições adequadas de higienização.

19. Medidas simples ajudam a prevenir a salmonela

VERDADE. Lavar as mãos, separar alimentos crus dos prontos, refrigerar corretamente e cozinhar bem os alimentos são medidas importantes.

Também é essencial limpar tábuas, facas, pratos e bancadas depois do contato com carnes e aves cruas.

Como evitar salmonela na cozinha?

Não é preciso eliminar frango ou ovos do cardápio. O segredo está em manipular, armazenar e cozinhar os alimentos corretamente.

Veja os principais cuidados:

  • Lave as mãos antes, durante e depois do preparo.
  • Não lave frango cru na pia.
  • Separe alimentos crus daqueles já prontos.
  • Use utensílios limpos para cada etapa do preparo.
  • Higienize bancadas, tábuas e facas após o contato com carnes cruas.
  • Mantenha alimentos perecíveis refrigerados.
  • Cozinhe bem carnes e ovos.
  • Evite preparações com ovos crus quando não houver controle adequado da procedência.
  • Não coloque alimentos prontos no mesmo prato usado para alimentos crus.
  • Troque esponjas desgastadas ou com mau cheiro.

Esses cuidados são recomendados por órgãos brasileiros de saúde e segurança alimentar. O objetivo é interromper as diferentes etapas que podem levar uma bactéria do alimento cru até o prato.

Salmonela: o que realmente importa

O alerta provocado pelos surtos europeus serve como lembrete para rever hábitos comuns na cozinha. Lavar frango cru e ovos não é sinônimo de higiene.

Na prática, o maior cuidado deve estar na prevenção da contaminação cruzada, na refrigeração e no cozimento adequado.

A salmonela também pode estar presente em alimentos com aparência normal. Por isso, cheiro e aparência não são suficientes para garantir que um alimento está seguro.

Com alguns cuidados simples, é possível reduzir os riscos e manter frango, ovos e outros alimentos presentes no cardápio com muito mais segurança.

Guia da Cozinha
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