Entenda por que a feijoada de Edilson, do BBB 26, dividiu a web
No BBB, feijoada quase sempre significa comemoração, mesa cheia e clima de domingo antecipado. Só que, desta vez, a panela virou tribunal, e o veredito veio com memes. A feijoada do participante Edilson Capetinha gerou estranhamento imediato entre brothers e internautas.
O que era para ser "momento de festa" virou pauta gastronômica nacional em minutos. Teve comentário sobre o visual do feijão, sobre a textura das carnes e sobre a gordura aparente. A pergunta que ficou no ar foi simples e provocativa: existe um jeito único de fazer feijoada?
Ou o problema foi técnico, daqueles que acontecem quando a pressa entra na cozinha sem pedir licença? Afinal, reality tem tempo curto, panela grande e muita opinião na sala. E, no Brasil, mexer com feijoada é mexer com memória afetiva.
O que aconteceu no BBB e por que a feijoada virou assunto
A feijoada do BBB costuma ter "cara de evento". É dia de energia alta, gente circulando e câmera pegando detalhe do prato. Por isso, qualquer deslize vira close, e o close vira viral.
No caso de Edilson, o prato dividiu a web logo no primeiro olhar. Alguns acharam o feijão "sem liga", com caldo ralo e pouco encorpado. Outros reclamaram de carnes com textura irregular, entre duras e desmanchando.
Teve ainda quem apontasse uma camada de gordura chamando atenção na superfície. Na internet, isso vira dois times muito rápidos. Um lado pede "tradição", e o outro defende "cada família faz do seu jeito".
Só que, no meio do debate, existe uma verdade prática. Feijoada aceita variações, mas tem princípios que ajudam a acertar o ponto. E esses princípios quase sempre passam por tempo, ordem e preparo das carnes.
Por que a feijoada do BBB é sempre tão cobrada?
A feijoada tem um peso cultural enorme no Brasil. Ela carrega a ideia de comida farta, encontro e almoço demorado. Quando aparece no BBB, vira símbolo de "dia especial" no jogo.
Além disso, o programa cria um contraste óbvio. Dias de ração e estresse, depois uma panela que promete conforto e alegria. Quando esse conforto falha, o público sente junto e comenta sem filtro.
E tem outro detalhe importante: a feijoada é muito visual. Caldo grosso, brilho certo, carne no ponto e feijão bem cozido contam história. Se algo sai do lugar, a internet percebe como quem repara no acabamento da unha.
O que causou a discórdia: as "falhas" apontadas pela web
A polêmica não aconteceu por um ingrediente exótico ou por invenção radical. Ela aconteceu por detalhes de execução, que fazem toda diferença no resultado. A seguir, veja os principais pontos criticados por internautas e participantes.
Feijão "duro" ou caldo ralo
Muita gente comentou que o feijão parecia "duro" ou "sem cremosidade". Para a maioria, feijoada de respeito tem caldo grosso e bem encorpado. E isso costuma depender de duas coisas: tempo e mexida certa.
No reality, a pressa pode ter atrapalhado o cozimento completo. Quando o feijão cozinha menos, ele não solta amido suficiente no caldo. O resultado fica mais "aguado", mesmo com tempero bem feito.
O que costuma causar caldo ralo na feijoada?
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Pouco tempo de cozimento, principalmente em panela comum.
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Feijão muito novo ou muito velho, que cozinha de forma irregular.
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Excesso de água no início, sem reduzir depois.
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Falta de "truque do amassado" para engrossar naturalmente.
Gordura em excesso e a famosa "camada brilhante"
Outro ponto que incomodou parte do público foi a gordura aparente. Feijoada é um prato naturalmente gorduroso, e ninguém finge o contrário. Mas existe uma diferença entre "sabor" e "excesso que pesa".
Quando as carnes salgadas não são escaldadas antes, a gordura tende a subir. Aquela película brilhante vira sinal de preparo corrido ou descuidado. E, para muita gente, isso muda a experiência na hora de comer.
O que ajuda a reduzir gordura sem perder sabor?
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Escaldar carnes em água fervente antes do cozimento final.
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Retirar espuma e excesso de gordura durante o cozimento.
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Usar laranja inteira na panela, para ajudar a equilibrar o "pesado".
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Deixar descansar, e retirar gordura da superfície antes de servir.
A ordem dos fatores: carnes no tempo errado
A feijoada tem várias carnes, e cada uma cozinha em um tempo. Quando tudo entra junto, a panela vira loteria, e o ponto fica desigual. É o clássico problema: uma carne desmancha, enquanto outra ainda está rígida.
Carnes mais macias, como paio e linguiça, cozinham relativamente rápido. Carnes mais duras, como pé, orelha e rabo, pedem mais tempo. Se entra tudo de uma vez, você perde controle da textura final.
Regra prática de ouro:
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Carnes duras entram antes.
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Carnes médias entram no meio do caminho.
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Carnes macias entram quase no final, para manter estrutura.
Check-list da feijoada perfeita: o guia para não errar
A polêmica do BBB é ótima para ensinar sem moralismo. Porque quase todo mundo já errou feijoada uma vez na vida. Com esse check-list, você evita os tropeços mais comuns.
O dessalgue é metade do sucesso
Dessalgar bem é obrigatório, e não combina com pressa. O ideal é deixar as carnes de molho por pelo menos 24 horas. E você precisa trocar a água várias vezes ao longo do processo.
Isso reduz sal, amacia e deixa o sabor mais equilibrado. Quando o dessalgue é curto, o prato pode ficar agressivo e pesado. E o corpo sente, principalmente em dias quentes.
Checklist do dessalgue correto:
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Deixe na geladeira, sempre coberto por água.
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Troque a água a cada 4 ou 6 horas.
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Corte peças grandes, para dessalgar por igual.
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Escalde depois, para finalizar a limpeza da gordura.
O segredo do caldo grosso, sem farinha e sem drama
Caldo grosso é quase unanimidade quando falamos de feijoada "perfeita". E o truque mais simples é também o mais tradicional. Amasse uma concha de feijão cozido e devolva para a panela.
Esse amido do feijão engrossa o caldo sem alterar o sabor. Além disso, o resultado fica mais "caseiro" e com cara de feijoada de verdade. Se precisar, repita o processo até chegar na textura desejada.
Tempero de respeito: o trio que faz diferença
Feijoada não precisa de mil temperos, mas precisa dos certos. Louro dá perfume e profundidade sem brigar com a carne. Alho frito na banha entrega aquele sabor de comida de família.
E a laranja inteira tem um papel especial. Ela ajuda a equilibrar a gordura e dá um frescor sutil no fundo. Não deixa gosto doce de suco, se usada do jeito correto.
Tempero clássico que costuma funcionar bem:
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Folhas de louro.
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Alho bem dourado, sem queimar.
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Cebola refogada, para base de sabor.
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Pimenta opcional, sempre no final e com moderação.
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Laranja sem sementes.
Harmonização e acompanhamentos: o quarteto que não falha
Uma feijoada completa não vive só da panela principal. O que acompanha muda o prato, equilibra a gordura e dá contraste. Por isso, existe um "quarteto fantástico" quase obrigatório.
Couve bem fininha, sem amargar
Corte a couve em tirinhas bem finas, quase cabelo. Refogue rápido, só para murchar e perfumar no alho. Cozinhar demais escurece e pode amargar.
Farofa crocante para dar textura
Farofa boa não é só "farinha e pronto". Ela precisa ficar crocante e levemente dourada, sem queimar. Se quiser, adicione cebola, bacon e cheiro-verde, com cuidado no sal.
Laranja para "limpar" o paladar
A laranja ajuda muito na sensação de leveza durante a refeição. Ela equilibra o prato e dá pausa entre uma garfada e outra. Além disso, combina com a tradição, e ninguém questiona no Brasil.
Arroz branco soltinho, para abraçar o caldo
Arroz branco é o acompanhamento oficial da feijoada. Ele segura o caldo, equilibra o prato e dá base para o conjunto. Só cuide para ficar soltinho, sem excesso de água.
Checklist do acompanhamento completo:
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Couve bem fininha e refogada rapidamente.
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Farofa crocante, com pouco sal.
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Laranja em rodelas ou gomos, sem sementes.
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Arroz branco soltinho, feito na hora.
Receita: feijoada tradicional de "pai para filho"
Essa receita é "padrão ouro" para quem quer acertar sem sustos. Ela respeita tempo de cozimento, ponto das carnes e caldo encorpado. E evita os mesmos erros que viraram debate no reality!
Tempo: 2h20 (+24h de molho)
Rendimento: 12 porções
Dificuldade: fácil
Ingredientes
- 1 rabo suíno.
- 1 orelha suína.
- 300g de costelinha suína em pedaços.
- 300g de lombo suíno em cubos.
- 300g de acém bovino em cubos.
- 500g de feijão-preto.
- 2 colheres (sopa) de óleo.
- 2 gomos de linguiça calabresa em rodelas.
- 1 gomo de paio em rodelas.
- 350g de bacon em cubos.
- 2 dentes de alho picados.
- Sal e molho de pimenta a gosto.
- Couve refogada e torresmo para acompanhar.
Modo de preparo:
Coloque o rabo suíno e a orelha suína em uma tigela, cubra com água e deixe de molho por 24 horas, trocando a água periodicamente.
No momento do preparo, escorra o rabo e a orelha, coloque em uma panela, cubra com água e cozinhe por 30 minutos, em fogo médio. Escorra, deixe esfriar e corte em pedaços.
Em uma panela de pressão, coloque o rabo e a orelha cortados, a costelinha, o lombo, o acém, o feijão e o louro, cubra com água e cozinhe por 20 minutos com a panela aberta, sem pressão, em fogo baixo.
À parte, aqueça uma panela, em fogo médio, com o óleo e frite a calabresa, o paio, o bacon e o alho por 5 minutos ou até dourar.
Transfira para a panela de pressão, cubra com mais água, tampe e cozinhe por 20 minutos depois de iniciada a pressão. Desligue, deixe a pressão sair naturalmente e abra a panela.
Volte a panela ao fogo médio, tempere com sal, molho de pimenta e cozinhe até que todos os ingredientes estejam macios, mas sem desmanchar. Retire do fogo e sirva em seguida acompanhada de couve refogada, laranja e torresmo.
Dicas finais para não virar meme na internet
A feijoada não precisa ser perfeita para ser deliciosa. Mas alguns cuidados evitam as críticas clássicas do "caldo ralo" e "carne dura". Se você fizer o básico bem feito, o prato se defende sozinho!
Resumo rápido para acertar sempre
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Dessalgue por 24 horas, trocando a água.
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Escalde as carnes para reduzir gordura e excesso de sal.
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Coloque carnes duras antes, e macias por último.
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Engrosse com concha amassada, sem farinha.
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Sirva com couve, farofa, laranja e arroz branco.
No fim, a polêmica do BBB deixa uma lição gostosa. Não existe um único jeito de fazer feijoada, mas existe técnica. E técnica é o que separa "prato de festa" de "panelão problemático".