O norte da Espanha é conhecido por receber peregrinos cristãos que cruzam a região de Astúrias e da Galícia movidos por uma missão: chegar a Santiago de Compostela e ao santuário do apóstolo São Tiago. A tradição, segundo a revista Lonely Planet Brasil, também envolve uma gastronomia específica, que pouco mudou durante os últimos séculos. Na edição de dezembro a publicação traz um pouco dessa culinária.
A Torta de Santiago, feita de amêndoas com uma cruz de açúcar em cima, é um dos doces típicos da região
Foto: Matt Munro/Divulgação
O trajeto começa na vila de Bulnes, provando a cecina de buey (fatias finas de carne de boi defumado) seguida de um ensopado espesso e escuro de couve e pedaços macios de carne de cabrito. Depois é a vez do queijo azul mais famoso da Espanha, o cabrales. Para suavizar o gosto marcante, essa iguaria é servida com uma densa porção de mel.
Os peregrinos passam também por Covadonga, lugar onde morreu Pelágio, rei visigodo cujas forças, segundo a lenda, repeliram um exército mouro de 40 mil homens. A região de planícies traz lagos e uma bela vista. Perto dali, em um lugar habitado por carneiros e cabritos, encontra-se um dos melhores restaurantes de Astúrias e que parece isolado do resto do mundo. Os pratos do El Molin de Mingo obedecem a uma regra simples: levam produtos de fazendas orgânicas regionais preparadas de acordo com receitas tradicionais. A especialidade do local é o prato conhecido como fabada asturian, uma combinação de feijão, carne de porco, morcela e salsicha.
Na orla de Astúrias encontra-se a vila de pescadores de Cudillero, que apresenta uma gastronomia baseada em matérias-primas vindas do mar. O modo de preparo de seus pratos é o mesmo das montanhas austríacas, com ingredientes frescos, como os mariscos em meia concha com limão cozidos no carvão.
Da estrada litorânea vai-se em direção à cidade galega de Santiago de Compostela. No O Dezasseis, tradicional restaurante galego, mariscos são preparados em homenagem a São Tiago, cujo símbolo é uma concha. Ela é encontrada por todos os lados, modeladas em pedra, vendidas como brincos, são quase onipresentes, assim como a famosa Torta de Santiago, feita de amêndoas com uma cruz de açúcar em cima.
Nos arredores de Santiago fica o Fogar do Santiso, lugar no qual barracas vendem crocantes anéis de lula e tentáculos de polvo fritos untados com bom azeite, suco de limão e grossos cristais de sal marinho, além de outras delícias com um preço acessível. As receitas modestas e despretensiosas do lugar parecem uma purificação final da viagem entre Astúrias e Galícia.
A cada ano os chefs de todo o mundo tentam inovar na gastronomia típica de seus países e torna-la ainda mais atraente. O carvão comestível e o caldinho de feijão com café são apenas alguns dos pratos exóticos que alguns chefs mostram na nona edição da Semana Mesa SP, realizada no Senac Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, de 5 a 9 de novembro
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O chef Claudemir Barros, do Vila Bistrô, no Recife, é o grande inventor do chamado carvão comestível, que na verdade é uma macaxeira, ou mandioca, pintada com tinta de lula
Foto: Léo Pinheiro/Terra
"Fui para Espanha há dois anos e quando chegamos vi os chefs trabalhando muito com tinta de lula. E lembrei que na frente da minha casa, na minha infância, um senhor fazia carvão para sustentar a família", contou o chef pernambucano
Foto: Léo Pinheiro/Terra
"O que é mais parecido com a madeira (que vai se tornar carvão) é a macaxeira, por conta das várias cavas. Fizemos o teste e o resultado foi perfeito", explica Claudemir
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Mas o trabalho não é tão simples quanto parece. Após cozinhar a macaxeira apenas com água e sal, o chef pinta essa mandioca com a tinta da lula e volta ao forno para secar
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Depois disso, é feita uma infusão com gelo seco com aromatizador para que dê o aspecto defumado e se pareça ainda mais com o carvão. O prato é servido com charque e purê de mandioca
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Claudemir afirma que o objetivo foi trazer de volta à tona a rústica culinária pernambucana com seus principais ingredientes, a mandioca e o charque. "São ingredientes antigos que você pode transformar com apenas com uma tinta de lula. Isso deve ser uma cozinha verdadeira, melhorar o ingrediente, fazer ficar mais forte, mais reconhecido", explicou
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Outro típico prato brasileiro foi modificado pelo chef Fábio Lazzarini, do restaurante Intermezzo. Fábio pegou dois grandes amores do brasileiro e criou o caldinho de feijão com café
Foto: Léo Pinheiro/Terra
"O caldinho de feijão me lembra um pouco o gosto tostado do café e no meu paladar combinou bastante. Eu finalizo com café expresso e coloco pó de café", afirmou Fábio, que explica ainda que é possível tomar/comer o prato em forma de purê ou até de sopa
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Mas não são apenas pratos exóticos que são mostrados na feira. Apesar de ser bastante tradicional no Peru, o pisco com leche de tigre, mais conhecido como leche de tigre alcoólico, é bastante comum no país vizinho. O curioso é de que maneira isso é feito
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O chef Kenji Shiroma, do restaurante Killa, em São Paulo, explica como os peruanos consomem o pisco alcoólico. "O leche de tigre é consumido junto com o ceviche (peixe cru com cebola e coentro) e contém gengibre, alho, cebola e limão. Após o cidadão comer o ceviche, um caldo desse peixe e o resto do leche de tigre fica no prato. Então o peruano coloca pisco e toma", explicou o chef peruano
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O chef Arturo Frank preparou seu pudim especial
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O arroz goiano foi outro prato feito para o evento
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O bolinho de tapioca e goiabada também fez parte do menu
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O presunto com cachaça foi outra combinação ousada
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O filé com manteiga de wassabi em cama de rolinho primavera foi mais uma delícia da feira gastronômica
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O Steak tartare também fez sucesso
Foto: Léo Pinheiro/Terra
O típico mexidinho também ganhou cara nova no evento
Foto: Léo Pinheiro/Terra
Entre os petiscos também havia novidades como o camarão com quiabo