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Chef resgata canjica tradicional com especiarias e leite fresco

30 jul 2026 - 13h46
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Resumo
A chef Marina Leite resgata a tradição da canjica original, valorizando ingredientes como leite fresco e especiarias. Em seu restaurante Casulo, em Lapinha da Serra, MG, ela propõe um retorno à rica história do doce, que mistura influências indígenas, africanas e portuguesas. A receita revela uma leitura mais afetiva e cultural desse clássico. 🌽✨

A canjica é daquelas receitas que carregam memória, festa e muita discussão à mesa. Para muita gente, ela só existe com leite condensado. Mas essa ideia é recente. Além disso, a chef Marina Leite defende um retorno à receita original, mais ligada à história do milho e das especiarias.

Foto: Guia da Cozinha

A proposta aparece no restaurante Casulo, em Lapinha da Serra, Minas Gerais. E, por isso, a canjica volta ao centro da conversa como prato de inverno com identidade própria. A versão da chef valoriza leite fresco, infusões aromáticas e amendoim torrado.

Canjica e a história que ficou pelo caminho

Segundo Marina, "a gente aprendeu que canjica leva leite condensado, mas isso é uma construção recente". Essa leitura ajuda a entender como o prato mudou ao longo do tempo. Ou seja, a versão mais conhecida no Sudeste não conta a história toda.

A chef explica que a receita nasceu do encontro entre culturas. Há influência do milho indígena, dos saberes africanos e das especiarias trazidas pelos portugueses. Dessa forma, a canjica ganha uma dimensão muito maior que a sobremesa das festas juninas.

Além disso, as palavras canjica e mungunzá vêm da língua banta, falada em Angola. Elas nomeavam preparos com milho. Isso mostra que a receita já carregava uma viagem cultural antes de chegar à mesa brasileira.

Canjica e a diferença entre regiões

O Nordeste preservou características mais próximas da tradição original. Nessas versões, ingredientes como coco aparecem com destaque. Já o Sudeste incorporou o leite condensado no início do século XX.

Essa mudança aconteceu com a expansão da indústria alimentícia. Portanto, o doce foi se padronizando e ganhou a cara que muita gente conhece hoje. Ainda assim, isso não apaga a riqueza das versões antigas.

Marina resume bem essa ideia: "Não é uma questão de demonizar o leite condensado. É entender que ele substituiu uma receita cheia de identidade." Assim, ela propõe resgatar a canjica como memória e não só como sobremesa.

Canjica com leite fresco e especiarias

Na receita da chef, o leite fresco entra no lugar dos industrializados. Além disso, o preparo ganha profundidade com gengibre, cardamomo, anis-estrelado, baunilha, canela e cravo. O resultado é uma canjica mais aromática e complexa.

Ingredientes:

  • 500g de milho branco para canjica
  • 1,5 l de leite 
  • 320g de açúcar demerara orgânico
  • 150g de amendoim torrado e moído
  • 10g de canela em casca (cerca de 3 pedaços médios)
  • 8 estrelas de anis estrelado
  • 5g de cardamomo
  • 1g de cravo
  • 1 fava de baunilha 
  • casca de 1 limão capeta (pode ser o galego também)
  • suco de 1 limão 
  • 75g de gengibre
  • 75g de manteiga 
  • Canela em pó para finalizar

Modo de preparo:

  • Coloque o milho de molho desde a véspera.

  • Ao iniciar o preparo, descarte a água do molho e transfira o milho para uma panela. Cubra com leite e cozinhe em fogo baixo.

  • Adicione mais leite aos poucos, conforme o milho for inchando.

  • Enquanto isso, prepare o chá. Descasque o gengibre e corte-o em fatias. Coloque o gengibre em uma panela com cerca de 200 ml de água. Acrescente o cardamomo, batido a seco no liquidificador, se preferir.

  • Ferva por cerca de 25 minutos. Tampe a panela e reserve.

  • Em uma tigela, coloque a manteiga, o anis, a canela, o cravo, a casca de limão e a fava de baunilha aberta. Leve ao banho-maria, cozinhando por cerca de 40 minutos, para soltar os aromas das especiarias.

  • Coe a infusão de gengibre e cardamomo. Adicione o açúcar demerara e o suco de limão.

  • Leve ao fogo novamente até o açúcar dissolver por completo. Deixe formar um xarope brilhante.

  • Transfira a manteiga aromática para uma panela e acrescente um pouco de leite. Leve ao fogo até ferver.

  • Tampe e reserve para intensificar o sabor das especiarias. Continue mexendo o milho enquanto ele cozinha. Adicione mais leite aos poucos, sempre que necessário.

  • Quando a canjica ganhar volume e corpo, junte o amendoim. Cozinhe por mais 15 minutos.

  • Incorpore o xarope de gengibre e cardamomo.

  • Com uma peneira, adicione também o leite da manteiga infusionada.

  • Raspe o interior da fava de baunilha e junte as sementes à panela. Apure até atingir a cremosidade desejada.
  • Finalize com canela em pó e sirva em seguida.

Canjica e o valor da memória na cozinha

A proposta da chef não tenta apagar a versão popular da canjica. Pelo contrário, ela amplia a conversa. Você pode continuar fazendo a versão com leite condensado, claro. No entanto, também pode experimentar uma leitura mais antiga e afetiva.

Essa reflexão importa porque pratos tradicionais mudam com o tempo. Ainda assim, recuperar a origem ajuda você a enxergar melhor a culinária brasileira. E a canjica, nesse contexto, mostra como memória e sabor andam juntos.

Além disso, a receita do Casulo convida você a cozinhar com mais atenção. Leite fresco, especiarias e amendoim criam uma sobremesa mais complexa, mas ainda familiar. Ou seja, é canjica com história e presença.

Guia da Cozinha
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