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Rita Lobo diz que já trocou açúcar por sal em receita: "ri muito"

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Se tem uma coisa que é praticamente incompreensível para a mente humana é conceber que as modelos de passarela se alimentam. Mais difícil ainda é imaginar que uma delas, especificamente, tinha tanto apreço pela arte de comer que abandonou os flashes para se dedicar ao ofício de cozinhar e, mais do que isso, ensinar outras pessoas a fazerem o mesmo.

A chef Rita Lobo diz que passou a entender comida como fonte de saúde com a chegada dos filhos. "Antes era prazer"
A chef Rita Lobo diz que passou a entender comida como fonte de saúde com a chegada dos filhos. "Antes era prazer"
Foto: Gilberto Oliveira Jr. / Divulgação

Sim, essa história é real, e pertence à chef Rita Lobo, que está à frente do programa Cozinha Prática do canal fechado GNT, é criadora do blog Panelinha e autora de vários livros de culinária, entre eles, Cozinha de Estar – Receitas Práticas para Receber, relançado recentemente.

Mãe de dois filhos, Rita segue a linha “descomplicada” quando vai para trás do fogão, sempre acompanhada do seu bloquinho de anotações. Em entrevista exclusiva ao Terra, ela contou que optou pelo caminho da simplicidade ao cozinhar depois da chegada dos filhos. “Quando eles nasceram, eu entendi que comida era fonte de saúde. Antes, era fonte de prazer”.

Rita acredita que seu instinto materno se estende para o campo profissional, como ela mesma define, “de quase pegar o leitor pela mão e ir junto para a cozinha”. Ela conta que a característica lhe rendeu uma fama interessante. “Tem gente que fala que sou a Dona Benta da nova geração, porque faço o que as mães de hoje deixaram de fazer”.

O bom humor é um dos ingredientes na hora que algo sai errado, como uma vez que trocou o açúcar por sal em uma receita de petit gateau, ao vivo. “No fim, ri muito”, diverte-se. Veja a seguir os principais trechos desta conversa.

Terra: Em que momento da sua vida você decidiu que queria trabalhar profissionalmente com gastronomia?
Rita Lobo:
Na minha adolescência trabalhei como modelo, viajei muito e tive contato com várias culturas gastronômicas, e isso em abriu o meu apetite. Quando fiz 18 anos, fui buscar “o que eu queria ser quando eu crescesse”. Achei que queria fazer alguma coisa na cozinha, mas ainda não sabia se profissionalmente. Então achei que fazendo um curso de formação de chef, no mínimo, eu aprenderia a cozinhar muito bem.

Terra: Mas você já tinha essa vontade ou aptidão desde a infância?
R.L.:
Não tinha nenhum dom. Como morei sozinha desde muito cedo, uma coisinha ou outra eu fazia para consumo pessoal, mas longe de ser algo profissional. Fui fazer esse curso sem grandes expectativas, mas para ver o que iria dar. E aí por uma dessas coisas da vida, quando terminei esse curso fizeram uma matéria comigo na Folha de S. Paulo, algo como “Trocando as passarelas pelas caçarolas”. A repórter pediu para que eu escrevesse na primeira pessoa, e a partir daí me convidaram para escrever a coluna de comida da revista da Folha. Desde então não parei mais de escrever. Eu brinco que escrevo ao lado do fogão. 

Terra: E qual é a sensação de poder cozinhar e poder compartilhar isso por meio da escrita?
R.L.:
É o melhor dos mundos! Eu sou uma pessoa muito intuitiva e empreendedora. Por exemplo, quando surgiu a Internet, tive uma chance de fazer um site, e virou o que hoje deve ser o mais conhecido como marca de receitas.

Terra: Você foi modelo, e alguns anos depois se tornou uma chef. Como foi e como é a sua relação com comida e com o ato de comer?
R.L.:
Quando eu era adolescente era diferente, tinha zero restrição. Hoje, em alguns momentos é muito complicado com essa historia de testar receita. Tem momentos que eu como muito e engordo muito, da calça não fechar. Aí eu fecho a boca. Mas também tenho uma genética boa, isso ajuda em 80%.  

Terra: Existe alguma comida que você adora, mas por ser pouco saudável você evita?
R.L.:
Eu amo doce. Posso comer sem enjoar uma quantidade que você nem imagina e não preciso nem do copinho de agua (rindo)! Mas não gosto de engordar, então evito.

Terra: Como foi seu encontro com a TV?
R.L.:
Quando eu era modelo, cheguei a fazer um ano de MTV, e também fiz um pouco de TV no Panelinha, com um um quadro que a gente tinha. Na GNT foi uma pouco de eu achar que estava na hora de fazer televisão, mas não esse não o meu trabalho principal, o principal é fazer receitas e dar essa receita para o público, seja por livros, pela internet, pela televisão, não importa muito o meio.

Terra: Como é a sua relação com as câmeras?
R.L.:
Eu uso o bom e velho truque de achar que estou falando com a minha mãe, aí fica fácil (risos). Olho para a câmera e penso que é ela, aí vou contando. E também não faço o programa ao vivo, então tem aquela mágica de fazer tudo em dois minutos.

Terra: Você segue a linha da cozinha prática e simples. A que você atribui isso? Que referências fizeram com que você optasse por esse caminho na cozinha?
R.L.:
Eu ganhei isso de presente dos meus filhos. Porque quando eles nasceram, eu entendi que comida era fonte de saúde. Antes, era fonte de prazer. E eu também sei que é uma batalha conseguir ter uma mesa saudável e saborosa todos os dias, sete dias por semana. Então gosto de fazer preparações muito simples, mas com um toquezinho de glamour.

Terra: Você também incentiva as pessoas a se arriscarem mais na cozinha, nos programas de TV ou nos textos. Para quem não sabe cozinhar, mas tem vontade, quais seriam bons pratos “de iniciação”, ou seja, alternativas simples que ajudam a aperfeiçoar essa parte prática da cozinha?
R.L.:
Eu acho que quem não cozinha nada, tem que começa pelo ovo. Ele é um ingrediente muito generoso, porque, se tudo der errado, vira ovo mexido. Também é legal sair para comprar ingredientes frescos, de preferência na feira, e tentar se arriscar mais. E acho que tem que prestar atenção no que você gosta. Se você adora abobrinha, quando fizer uma receita simples como abobrinha no forno, e ficar boa, você vai ficar tão feliz que vai “se achar” (rindo).

Terra: Você tem filhos. Você acha que é possível moldar a alimentação das crianças a partir dos hábitos alimentares?
R.L.:
Eu acho e espero que sim, mas não posso dizer com certeza. Minha filha que tem 8 anos come absolutamente tudo, enquanto meu filho, de 10, que foi educado da mesma maneira, não come nada. Acho que é uma fase, mas também acho que ele está sendo exposto e vendo uma família que come muitos legumes, cereais. Acho que logo mais ele sai dessa fase chata e passa a se alimentar da nossa maneira. É o que diz a literatura nutricional: o melhor jeito de educar é dando exemplo.

Terra: O que eles mais gostam de comer? O que eles sempre pedem para você?
R.L.:
Peixe frito é um sucesso na minha casa, mas não é frito numa panela cheia de óleo, é peixinho de criança, passado na farinha. Eles também gostam de macarrão na manteiga, com queijo, e adoram as coisas com ovo. De fim de semana, eles gostam de gemada de manhã, é um clássico na minha casa desde pequena.

Terra: Como é a sua rotina? Como consegue aliar filhos, TV e outros compromissos?
R.L.:
Eu montei um esquema em que tudo é muito perto da minha casa, e boa parte é feita lá também. A gravação dos programas é na minha casa, a escola das crianças fica há três quarteirões de casa, o escritório também é perto. Isso possibilita que eu fique perto deles. Tem momentos que vira uma loucura, cada momento é diferente do outro. Em lançamento de livro, viajo muito, mas no momento que estou escrevendo fico mais fechada escritório, testando receitas, então controlo melhor o meu dia.

Terra: Qual ou quais foram suas experiências gastronômicas mais marcantes?
R.L.:
Eu tinha 17 anos e fui para o Marrocos, e foi uma viagem muito importante para mim. Achei a comida marroquina feminina, perfumada, fiquei fascinada.

Terra: O que você mais gosta de comer? E o que não come de jeito nenhum?
R.L.:
Sou uma pessoa de fases. Entro na fase do abacate e como no café da manhã, no almoço e na janta. Mas acho muito luxuosa a comida caseira, como uma boa lasanha. Não como de jeito nenhum coelho, porque pra mim bicho de estimação, mas já comi cavalo. O mais exótico que já comi foi carne de zebra, achei duro e bem ruim.

Terra: Quais são os chefs que você admira, no Brasil e no mundo?
R.L.:
A Nina Horta é a minha musa inspiradora, já fiz até um programa na TV em homenagem a ela. O jeito que ela escreve é imbatível, é sensacional. E é minha inspiração, adoro a Nina. A Alice Waters, além de ser uma chef muito importante, é muito consciente. O trabalho dela é fantástico, é porta-voz de uma cozinha mais natural e mesmo assim sofisticada. Eu não sei por que, mas presto mais atenção no trabalho das mulheres. Acho que tem uma característica do meu trabalho, que é ultramaternal, de quase pegar o leitor pela mão e ir junto para a cozinha. Tem gente que fala que sou a Dona Benta da nova geração, porque faço o que as mães de hoje deixaram de fazer.

Terra: Se você pudesse eleger 5 ingredientes coringa que toda cozinha deve ter, quais escolheria?
R.L.: Tenho sempre em casa ovo, tomate, leite, salsinha e edamame, que é uma soja verde japonesa que você pode deixar congelada por meses e na hora de fazer é só colocar na água por três minutos. É o aperitivo mais saudável que eu conheço.  

Terra: No livro Cozinha de Estar, você não só dá dicas de receitas como também sobre toda a atmosfera que cerca o ato de receber. Como você desenvolveu essas habilidades? As dicas que você dá fazem parte do seu dia a dia? Como foi o processo de roteirização deste livro?
R.L.:
Eu acho que as pessoas começam a cozinhar por dois motivos basicamente: ou quando elas se apaixonam e querem logo fazer um risotinho, ou quando os filhos nascem, porque você descobre que você mesmo quer fazer a papinha do seu filho. Mas quando comecei a escrever sentia no público do Panelinha que as pessoas tinham muita dúvida, sobre o que e colocar na mesa, o que comprar. Então resolvi fazer um guia para quem quer entrar na cozinha, desde a lista básica, de coisas que tem que ter na cozinha, para quem quer ter um material mínimo para receber os amigos.

Terra: Existe alguma coisa na cozinha que você não acerta de jeito nenhum?
R.L.:
Eu não acertava de jeito nenhum é o ovo pochê, mas aprendi uma dica incrível, e essa vai ter que ver no programa (risos).  

Terra: Se lembra de algum erro ou historia engraçada que viveu na cozinha?
R.L.:
Nesse programa que eu fazia no Panelinha, era uma coisa ao vivo e super corrida. Eu ia ensinar a fazer um petit gateau e a minha assistente na época deixou tudo separadinho, mas trocou o sal pelo açúcar. Quando tirei do forno e fiz aquela coisa de experimentar e dizer: “huuuum...”. Pensei “eu acho que troquei o sal pelo açúcar”. No fim, ri muito.

 

Fonte: Terra
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