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Carreira de chef já atrai crianças e adolescentes

13 out 2009 - 15h41
(atualizado às 20h17)
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Catarina Ruiz Melo da Silveira está decidida quanto a seu futuro profissional: ter um bistrô na Itália. Sonho que tem o apoio familiar. Para isso, estuda semanalmente gastronomia. Um sonho cada vez mais comum não fosse o fato de Catarina ter somente 11 anos.



Precocidade? Bem, você diria isso porque não conhece Júlia Cardelli Menegazzo. Ela parece tão decidida quanto Catarina a respeito de seu futuro na cozinha. A diferença é que Júlia é ainda mais jovem: tem 8 anos.



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É muito cedo para dizer se ela seguirá carreira na área, diz a mãe de Júlia, Paola Cardelli. "Mas desde pequenininha ela me ajuda muito na cozinha, quer saber tudo, pede pra ajudar, pede inclusive para lavar a louça enquanto estou cozinhando", afirmou. "Ela vai lavando, dá palpite, quer temperar as coisas..."

Que os anos 2000 transformaram ser chef em sinônimo de uma carreira bacana, não é segredo. A novidade é que cada vez mais crianças e adolescentes buscam os cursos de gastronomia como o "Cozinheirinhos". Catarina e Júlia são exemplos que confirmam esse fenômeno recentíssimo.

As duas estudam neste curso oferecido à crianças e adolescentes entre 8 e 15 anos pelo Instituto Gastronômico da América Latina (IGA) em sua sede de Campinas, interior de São Paulo.

Do alto de seus 11 anos, Catarina planeja fazer gastronomia no exterior e quer se especializar em massas - por isso o sonho de abrir um restaurantezinho na Itália "Ela sempre foi interessada por comidas, e um ano atrás, mais ou menos, veio dizendo que queria fazer gastronomia na Itália", disse a mãe de Catarina, Magda Ruiz Melo da Silveira. "Ela mesma começou a correr atrás. Ligou se inscreveu no curso." Também Júlia, a caçula da turma, foi quem pediu para a mãe a inscrição no IGA.

Se o curso está sendo bom? Magda Silveira se antecipa e responde: "Catarina tem um projeto de vida, diz que agora é só início, que está aprendendo e vai dar continuidade, já está se mexendo para isso". A mãe conta também que ela faz em casa, para a família, todos os pratos que aprende no curso e ainda exige os utensílios usados nas cozinhas profissionais. "É engraçado porque ela reclamou que eu não tinha as facas, o batedor, as ferramentas que se usam aqui no curso. Aí tive de sair para comprar tudo igual ao de uma cozinha profissional", disse Magda.

Marcos Vinicius de Lima Luiz, de 14 anos, é outro aluno do IGA. Como os demais, também tem seu projeto de vida definido. "Quero seguir carreira, daqui para confeitaria e da confeitaria para chefe de cozinha", afirmou. Seu gosto por culinária começou aos 9 anos e fazer um curso como o que faz agora era um sonho para ele. "Desde pequenininho eu gostava de cozinhar, minha avó me ensinava, eu sempre quis fazer um curso", disse. Ao ser questionado se ainda é muito cedo para definir sua profissão, Marcos Vinícius é enfático: "Não depende da idade, depende do gosto e eu sempre gostei de cozinhar".

Edgar Quezada e Gustavo Silva - ambos de 13 anos - e Nathália Soares, 14 anos, são unânimes quando questionados sobre o futuro profissional. E fazem coro com seus colegas de sala de aula: querem ser cozinheiros.

O chef e ex professor do "Cozinheirinhos" Everaldo Molina Gil acredita que é realmente cedo para afirmar que essas crianças seguirão carreira na profissão, mas garante que muitos deles têm o dom de cozinhar. "Você percebe pelo jeito que a criança pega na massa, como manipula, a liderança nata, a organização", afirmou. "A gente consegue observar todas essas qualidades. Há outras que gostam, mas não conseguem pegar o jeito da coisa."

Sobre a diferença em dar aula de cozinha para uma criança e um adulto, Everaldo explica que as crianças se interessam e prestam mais atenção nas explicações. "Os adultos acham que sabem tudo, então não prestam tanta atenção", disse.

Além disso, ele afirma que as crianças têm muito mais prazer em finalizar um prato, enfeitar, dar um toque final. "Mas, ao mesmo tempo, elas possuem uma ansiedade grande, então você precisa segurar isso."

As paredes da cozinha do "Cozinheirinhos" são de vidro. Assim, quando vai chegando o fim do horário, as mães começam a se aglomerar do lado fora e observam tudo o que seus pequenos cozinheiros estão fazendo.

É nessa hora que elas trocam experiências, contam uma para a outra sobre o prato que o filho preparou em casa, tentam descobrir o que eles estão preparando na aula, enquanto aguardam ansiosas pela finalização dos pratos - que serão degustados por elas.

O curso tem duração de oito meses, com carga horária de duas horas semanais. Por uma mensalidade de 200 reais, as crianças têm aulas práticas, com introduções teóricas sobre os ingredientes utilizados nas receitas. São 14 alunos divididos em grupos de quatro a cinco integrantes. Cada grupo prepara um prato. Todo o trabalho é feito em equipe, com orientação de um chef.

Segurança e higiene são alguns dos principais pontos trabalhados, além das técnicas de manuseio das ferramentas, utensílios e equipamentos utilizados na cozinha. Ao final, cada um leva uma apostila com as receitas que aprendeu. Em casa, começa tudo de novo, afinal é hora de mostrar para toda a família que cozinha está longe de ser apenas mais uma brincadeira de criança.

Fonte: Especial para Terra
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