Vírus Nipah: quais são os riscos de uma epidemia durante Carnaval no Brasil?
Com surto recente na Índia, boatos sobre risco no Brasil cresceram, mas especialistas explicam os riscos no país
Com um novo surto do vírus Nipah registrado na Índia, começaram a surgir nas redes sociais mensagens alarmistas sugerindo que o Brasil poderia enfrentar uma nova epidemia às vésperas do Carnaval. A preocupação, inevitavelmente, desperta lembranças recentes da pandemia de covid-19. Mas, segundo especialistas e autoridades sanitárias, o cenário atual não aponta para risco iminente de disseminação do Nipah em território brasileiro.
O que é o vírus Nipah?
O Nipah é um vírus raro e altamente letal, identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia. Desde então, episódios da doença passaram a ocorrer principalmente em países do sul e sudeste da Ásia, como Bangladesh e Índia. Ele é considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu potencial de causar surtos graves, já que ainda não existe vacina ou tratamento específico.
O Nipah pode causar uma epidemia no Brasil?
Apesar do medo gerado por boatos, pesquisadores afirmam que, no momento, não há motivo para pânico. Um dos principais fatores é que o Brasil não abriga o principal reservatório natural do vírus: morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como "raposas-voadoras", comuns na Ásia e na África.
Segundo o professor Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, isso torna o risco extremamente baixo no país. "O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia", afirma, em entrevista ao g1.
Ministério da Saúde e OMS reforçam: risco é considerado baixo
Na última terça-feira (10), o Ministério da Saúde divulgou uma nota desmentindo rumores sobre casos confirmados no Brasil e tranquilizou a população. De acordo com a pasta, o país "mantém protocolos permanentes de vigilantes a agentes altamente patogênicos e garante que o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo".
"Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira", tranquiliza o ministério. A OMS também avaliou que o surto recente na Índia está praticamente encerrado.
Como ocorre a transmissão do vírus Nipah?
O Nipah é uma zoonose - ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Os principais meios de contágio incluem: contato com secreções de morcegos frugívoros; transmissão por porcos infectados; consumo de alimentos contaminados; contato próximo com fluidos corporais de uma pessoa doente. A transmissão entre humanos pode acontecer, mas é considerada rara e geralmente restrita a contextos hospitalares.
Quais são os sintomas?
Nem todos os infectados apresentam sinais visíveis. Quando surgem, os sintomas podem incluir: febre e dor de cabeça; dores musculares e fadiga; dificuldade para respirar; confusão mental e sonolência; convulsões; encefalite. Nos casos graves, pode haver coma e risco de morte. Sobreviventes também podem enfrentar sequelas neurológicas de longo prazo. A taxa de mortalidade é alta e pode chegar a 70% em alguns surtos.
Até o momento, não há medicamento específico nem vacina contra o vírus. O cuidado médico é de suporte, com foco em estabilizar o paciente.
Carnaval pede atenção, mas com foco nos riscos reais
Especialistas reforçam que o Nipah não representa ameaça concreta para o Brasil neste momento. Diferentemente do coronavírus, ele não possui alta transmissibilidade pelo ar. Ainda assim, o Carnaval continua sendo um período em que outras infecções se espalham com facilidade, como gripes, resfriados, covid-19 e ISTs. A recomendação é curtir a festa com responsabilidade, mantendo cuidados básicos de higiene e evitando aglomerações caso haja sintomas respiratórios.