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Restaurantes sem crianças: tendência "adults only" reacende debate sobre convivência

Modelo "adults only" ganha espaço em alguns estabelecimentos e levanta reflexões sobre bem-estar, inclusão e diferentes expectativas dos clientes

10 jul 2026 - 19h28
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A ideia de restaurantes exclusivos para adultos voltou ao centro das discussões sobre comportamento e hospitalidade. Popular em hotéis e resorts, o conceito adults only começa a aparecer também em alguns estabelecimentos gastronômicos, especialmente no exterior, provocando um debate que vai além da alimentação: afinal, é possível equilibrar diferentes formas de aproveitar uma refeição sem transformar a experiência em um conflito entre públicos? Segundo reportagem publicada por O Globo, um levantamento da empresa Lightspeed Commerce, repercutido pela Fox News, mostrou que 75% dos consumidores norte-americanos apoiam algum tipo de experiência gastronômica voltada apenas para adultos, principalmente em jantares românticos, bares e restaurantes de alta gastronomia. Para especialistas, porém, a discussão não deve ser resumida à presença ou ausência de crianças, mas ao propósito de cada ambiente.

Casais e grupos de amigos buscam restaurantes pela atmosfera, privacidade e proposta gastronômica. O crescimento de experiências voltadas exclusivamente para adultos reacende o debate sobre convivência e segmentação no setor
Casais e grupos de amigos buscam restaurantes pela atmosfera, privacidade e proposta gastronômica. O crescimento de experiências voltadas exclusivamente para adultos reacende o debate sobre convivência e segmentação no setor
Foto: Canva / Bons Fluidos

A experiência vai além da comida

Para a chef Cândida Batista, que atua em Viena e possui experiência em restaurantes do circuito Michelin, a atmosfera faz parte da experiência tanto quanto o cardápio.

"Não se trata de rejeitar crianças. A questão é preservar a experiência dos outros clientes. Uma criança que consegue estar à mesa, participar da refeição e entender o ambiente não costuma ser o problema. O desconforto acontece quando há situações que interferem no salão, como volume alto de aparelhos eletrônicos, circulação constante pelo espaço ou dificuldade de permanecer à mesa por longos períodos. Nesse caso, a experiência deixa de funcionar para todos." Ou seja, segundo a chef, o foco não está na idade dos frequentadores, mas na proposta do restaurante e no comportamento esperado naquele espaço.

Ambientes diferentes, experiências diferentes

Assim como existem cafeterias voltadas ao trabalho remoto, bares especializados em coquetelaria e restaurantes pensados para encontros românticos, alguns estabelecimentos começam a criar ambientes destinados a quem procura silêncio, privacidade e uma experiência mais contemplativa. Nesse contexto, o modelo adults only surge como uma forma de segmentar o público, sem necessariamente representar exclusão. Em muitos casos, a proposta aparece apenas em determinados horários, eventos especiais ou áreas específicas do restaurante. Além disso, especialistas defendem que a comunicação clara é essencial para evitar frustrações entre os clientes.

Convivência continua sendo o principal desafio

No Brasil, o debate ganha contornos próprios por envolver hábitos culturais e a valorização da convivência familiar. Afinal, restaurantes costumam ser espaços de encontro entre diferentes gerações. Por isso, alternativas intermediárias, como horários específicos para determinados públicos ou ambientes separados, aparecem como soluções capazes de atender expectativas distintas sem impedir o acesso de famílias. Segundo Cândida Batista, cada estabelecimento deve definir claramente qual experiência deseja oferecer.

"Hospitalidade também é saber receber públicos diferentes em momentos diferentes. O ponto não é excluir, mas entender que nem toda experiência gastronômica tem a mesma finalidade. Um restaurante familiar, uma trattoria de domingo, um bar de coquetéis e uma casa de menu degustação têm propostas distintas."

O futuro da hospitalidade pode ser mais segmentado

A tendência acompanha um movimento observado em outros setores do consumo, que buscam oferecer experiências cada vez mais personalizadas. Ao mesmo tempo, o crescimento do debate mostra que conforto, inclusão e respeito aos diferentes perfis de clientes precisam caminhar juntos. Afinal, mais do que definir quem pode ou não frequentar determinado espaço, a discussão coloca em pauta como criar ambientes capazes de atender expectativas variadas sem perder de vista a essência da hospitalidade. Como resume a chef:

"O restaurante precisa saber qual experiência quer oferecer e deixar isso claro. Existem lugares em que a presença de crianças faz parte da identidade da casa, enquanto outros são procurados por quem busca silêncio, tempo e intimidade. A gastronomia é feita de comida, mas também de ambiente, intenção e expectativa."

Bons Fluidos
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