Eles falam: de stripper a bebedeira, o que rola nas despedidas de solteiro
A última noite antes de se amarrar, pendurar as chuteiras, colocar a coleira ou se aposentar. Essas e outras expressões são usadas em referência à despedida de solteiro, sagrada para alguns. Tanto que uma das regras é não falar sobre o que aconteceu no evento para quem não estava presente. “O que acontece em Vegas, fica em Vegas”, comparou o veterinário L. P. O mistério só incita curiosidade nas mulheres e o Terra, após ouvir que o assunto é quase tratado como a maçonaria, conseguiu alguns homens – sem se identificarem para não comprometer os comparsas - para relatar o que de fato acontece na despedida de solteiro e desmistificar algumas coisas.
Quem organiza o evento geralmente é o padrinho ou amigo mais próximo do noivo, que também tranquiliza a futura esposa, segundo o consultor técnico R. S. Se a festa fica nas mãos do noivo “algumas coisas não rolam por restrições da noiva”, disse o gerente comercial R. P. As mulheres – pelo menos as conhecidas, de acordo com o hoteleiro D. N.S. – não são bem vindas. “Não vale levar a noiva, namoradas, e esposas. O resto vale tudo”, disse L.P. O tudo inclui a “companhia feminina”, de acordo com L. P.: “já fui a despedidas de vários tipos, que os homens se juntam para beber e conversar, convidam as amigas mais gostosas da turma para beber junto e com profissionais do sexo”, contou.
Seja como for, a bebida não pode faltar na ocasião e não estamos falando de um ou dois chopes, mas de “muita bebedeira e vira vira”, segundo R. S. Cerveja, shots de tequila, de cachaça, vodka e o que mais estiver na “programação”. “É aí que o povo sai do corpo e desliga a chave”, comentou L.P. Para R. S., é um momento único de liberdade e descontração “até a prisão”. “Por tradição, a despedida de solteiro é um lugar afastado, em um rancho, chácara ou fazenda para dificultar que a mulher pegue o noivo no flagra”, complementou L. P. No entanto, na maioria das vezes não há escândalos para serem expostos e o mistério é muito mais para manter a tradição da festa, afirmou R. P.
Strippers e sacanagens
A cena de um grupo de homens bebendo em uma casa seguida do toque da campainha, da chegada de mulheres com corpos invejáveis e dispostas a passar a noite com cada um deles é mais “coisa de filmes”, de acordo com os entrevistados. “Existem despedidas com dançarinas, mas menos do que se imagina. A mulherada acha que tem em 100% das festas, mas não é bem assim. Em uma ou outra que eu fui tinham, mas geralmente é uma grande confraternização entre amigos, regada a conversas, muita risada e bebida”, afirmou R. P.
“Mantemos o suspense para as mulheres não as deixando saber se é realmente algo de filme ou não”, comentou D. N. S. No entanto, ele mesmo contou que já participou de uma despedida de solteiro em um bar entre amigos, falando sobre histórias com mulheres que cada um já teve e futebol. L. P. já participou de festas que pareciam uma “boate”, mas também de algumas “mais ajuizadas”: “com bebida, comida e jogo de truco a tarde toda”. R. S. nunca foi a uma despedida com dançarinas ou garotas de programa, mas confessou que já ouviu vários relatos dos amigos sobre o que ele chamou de “festas particulares”. “As histórias são bem legais”, disse.
A despedida em números
Enquanto o assunto é proibido com mulheres, entre os amigos que não compareceram às vezes protagoniza toda uma conversa. Segundo R.S., as despedidas são geradoras de mentiras: “cada um tem uma história diferente e se gaba por alguma razão”. “Muitas vezes multiplicamos na hora de contar para quem não foi. Se tinham cinco mulheres, contamos que eram 50”, acrescentou L. P. O fato de apenas quem presenciou saber o que rolou é o que torna Vegas o lugar perfeito para uma despedida de solteiro, como no filme Se Beber Não Case, concluiu R. P.