Por que nosso gosto musical se transforma conforme envelhecemos? Estudo explica
Pesquisa internacional mostra que a diversidade musical diminui com o tempo e que recomendações precisam considerar diferentes fases da vida
Conforme crescemos, nosso repertório de experiências também se amplia - e a música faz parte desse processo. Porém, um levantamento recente mostrou que, à medida que os anos passam, nossa curiosidade e gosto musical tende a se reduzir. Publicado em junho na revista científica ACM Digital Library, o estudo investigou como a idade influencia no consumo de música.
Como foi realizado o estudo?
A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade de Primorska, na Eslovênia, e das universidades de Gotemburgo e de Jönköping, na Suécia. Para isso, eles analisaram 15 anos de informações da plataforma Last.fm, que reúne registros de audição musical compartilhados por usuários de serviços como o Spotify.
A partir disso, cientistas conseguiram cruzar o perfil etário com os hábitos de escuta. O banco de dados incluiu mais de 400 mil ouvintes, somando 542 milhões de reproduções de mais de 1 milhão de músicas diferentes.
Impacto nas recomendações musicais
Uma das conclusões da pesquisa foi que, ao longo do tempo, a audição musical realmente pode mudar. No entanto, plataformas de streaming não costumam levar em conta essa informação na hora de recomendar novas músicas aos usuários. A partir de agora, isso pode ajudar a aprimorar os sistemas de recomendação de plataformas.
Segundo o estudo, o perfil do público varia:
- Jovens tendem a se interessar tanto por lançamentos quanto por clássicos ainda não descobertos;
- Adultos de meia-idade preferem um "equilíbrio entre o novo e o conhecido";
- Idosos buscam listas mais personalizadas, carregadas de nostalgia e afetividade.
Fases diferentes?
Entre a adolescência e o início da vida adulta, ouvimos de tudo: funk, pop, MPB, tecno e outros gêneros. É nessa fase que a exploração musical atinge o auge. Com o tempo, essa abertura diminui e as escolhas passam a refletir conexões emocionais.
Essa mudança está ligada ao apego afetivo. Músicas, álbuns e artistas preferidos se tornam verdadeiras trilhas sonoras da vida, acompanhando lembranças e momentos marcantes, principalmente a partir da meia-idade.