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O segundo brasileiro irá ganhar uma estrela na Calçada da Fama; a primeira foi Carmem Miranda

Conheça Paulinho da Costa, percussionista brasileiro que participou de milhares de gravações e ajudou a construir o som de alguns dos maiores sucessos da música mundial

13 mar 2026 - 20h21
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Você pode não conhecer seu rosto, mas é bem provável que já tenha dançado ao som do seu ritmo inúmeras vezes. O percussionista carioca Paulinho da Costa, de 77 anos, é considerado um dos músicos de estúdio mais importantes da história da música pop - e agora tem sua trajetória revelada no documentário The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, que chega ao público brasileiro.

Conheça a trajetória de Paulinho da Costa, percussionista brasileiro que gravou com Michael Jackson, Madonna e outros grandes nomes
Conheça a trajetória de Paulinho da Costa, percussionista brasileiro que gravou com Michael Jackson, Madonna e outros grandes nomes
Foto: Divulgação/Nayara Spina / Bons Fluidos

A produção mergulha na história daquele que muitos definem como "o músico mais famoso que ninguém conhece". Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Paulinho participou de milhares de gravações e ajudou a construir o som de alguns dos maiores sucessos da música mundial.

Trabalhos marcantes

Radicado em Los Angeles desde o início dos anos 1970, quando se juntou à banda do pianista Sergio Mendes, o brasileiro se tornou uma presença constante nos estúdios mais importantes da indústria fonográfica. Seu talento para criar texturas rítmicas sofisticadas fez com que artistas e produtores disputassem sua participação em gravações.

Entre seus trabalhos mais marcantes estão discos históricos como Off the Wall e Thriller, de Michael Jackson - que o descrevia como "o maior percussionista do mundo". Mas a lista de sucessos que levam sua assinatura vai muito além. O músico também participou de hits como La Isla Bonita, de Madonna, September, do Earth, Wind & Fire, All Night Long, de Lionel Richie, e I've Had The Time of My Life, trilha do clássico filme Dirty Dancing.

Uma carreira que atravessa gerações

Ao todo, Paulinho da Costa participou da gravação de 6.716 músicas de 972 artistas diferentes. Entre essas faixas, 161 foram indicadas ao Grammy - e 59 acabaram premiadas. Essa presença constante nos bastidores da música fez dele um dos chamados "músicos de sessão", profissionais altamente requisitados que gravam para diferentes artistas e projetos. Em Hollywood, ele ganhou reputação de lenda silenciosa dos estúdios.

Seu trabalho atravessa estilos e gerações. Além do pop e do R&B, Paulinho também gravou com nomes importantes do rock. Bandas como Red Hot Chili Peppers, Journey, Toto, The Offspring e Nazareth já contaram com sua percussão em discos marcantes.

Reconhecimento histórico

Depois de décadas trabalhando nos bastidores da música internacional, Paulinho da Costa começa a receber homenagens públicas por sua contribuição à indústria fonográfica. No dia 13 de maio, ele ganhará uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood - tornando-se o primeiro brasileiro nascido no país a receber a homenagem. Até hoje, entre artistas ligados ao Brasil, apenas Carmen Miranda havia conquistado essa distinção.

Uma história que levou anos para ser contada

A produção do documentário foi longa. O diretor Oscar Rodrigues Alves revela que foram necessários 17 anos para concluir o projeto: "seis para convencer o Paulinho e 11 para fazer o filme".

Admirador do músico desde a juventude, Oscar conta que descobriu Paulinho ao ouvir o disco All n' All (1977), do Earth, Wind & Fire. "Virei rato de crédito de vinil, e ele estava em todos que eu mais curtia: Michael Jackson, George Benson, Anita Baker, todo mundo. Veio uma fase em que não precisava nem mais olhar para o crédito do disco. Eu ouvia a linha da conga dele, e só dava aquela checada final, para ver se não era ninguém imitando."

Momentos especiais e encontros históricos

O documentário reúne depoimentos de músicos importantes, como o compositor Lalo Schifrin e do cantor George Benson. O longa também abre espaço para artistas brasileiros que acompanharam a trajetória do percussionista, como Zeca Pagodinho, Alcione, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e Roberto Carlos.

Paulinho recorda, por exemplo, uma divertida roda de samba na casa de Zeca. "Eu levei meu pandeiro para a casa do Zeca, um especial que uso. Só que o Zeca tinha um dele, que ele mesmo toca, com a foto do neto. Fiquei naquela posição de ter que dizer 'pô, tô com o meu pandeiro ali'. Mas saí tocando o dele, o Zeca ficou numa alegria tremenda".

O som humano em tempos de tecnologia

Entre os depoimentos mais curiosos do filme está o do rapper e produtor Will.I.Am, que utilizou um trecho de uma música de Paulinho em um dos primeiros sucessos do Black Eyed Peas.

O percussionista conta que recebeu a homenagem com entusiasmo, e acredita que a tecnologia pode conviver com a musicalidade humana. "Fiquei muito contente em saber que eu estava oferecendo algo que eles podiam usar. E isso (o rap) me trouxe muito mais trabalho. As máquinas não têm o que nosso que o coração tem. Até ajuda, mas falta o nosso molho".

Um brasileiro que o mundo ouviu, mesmo sem saber

Hoje, depois de mais de 50 anos vivendo em Los Angeles, Paulinho construiu sua vida nos Estados Unidos. Casado com a brasileira Arice, ele tem dois filhos e dois netos. Apesar da carreira internacional, ele ainda mantém uma relação afetuosa com o Brasil. Com a estreia do documentário, o público brasileiro finalmente tem a chance de conhecer a história por trás de um ritmo que ajudou a embalar algumas das músicas mais icônicas da cultura pop.

Bons Fluidos
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