Pílula que diminui sintomas da menopausa é aprovada no Reino Unido; saiba mais
Medicamento não hormonal aprovado no Reino Unido atua no cérebro para reduzir fogachos e suores noturnos, sintomas comuns da menopausa
Ondas repentinas de calor, suores noturnos e noites mal dormidas fazem parte da realidade de muitas mulheres durante a menopausa. Esses sintomas, conhecidos como fogachos, podem afetar o sono, o humor, a produtividade e o bem-estar geral. Agora, um novo medicamento aprovado no Reino Unido surge como uma alternativa promissora para aliviar esse desconforto.
O comprimido diário chamado fezolinetante, comercializado com o nome Veozah, recebeu aprovação do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS). A grande novidade é que ele não contém hormônios - algo que pode ampliar as opções de tratamento para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal.
Por que as ondas de calor acontecem?
Durante a menopausa, o organismo passa por uma redução significativa na produção de estrogênio. Essa mudança hormonal interfere diretamente no sistema que regula a temperatura do corpo.
No cérebro, existe uma região responsável por controlar esse equilíbrio térmico. Quando os níveis de estrogênio caem, determinados neurônios passam a interpretar que o corpo está mais quente do que realmente está. Como resposta, o organismo desencadeia mecanismos para "resfriar" o corpo - como suor intenso e sensação de calor repentino. É justamente nesse ponto que o novo medicamento atua.
Como a nova pílula funciona
O fezolinetante age diretamente no cérebro, bloqueando um mecanismo envolvido na origem das ondas de calor. O medicamento atua em receptores ligados a uma substância chamada neurocinina B, que participa do controle da temperatura corporal. Ao impedir a ação dessa substância, o remédio ajuda a estabilizar o sistema de termorregulação e, consequentemente, reduzir os fogachos.
O que mostram os estudos
Ensaios clínicos realizados em países da Europa, Estados Unidos e Canadá analisaram os efeitos do medicamento em milhares de mulheres que apresentavam ondas de calor moderadas ou intensas. Os resultados indicaram uma redução significativa tanto na frequência quanto na intensidade dos sintomas entre as participantes que tomaram um comprimido diário, em comparação com aquelas que receberam placebo.
Em alguns casos, as melhorias começaram a aparecer já na primeira semana de tratamento. Outras participantes relataram mudanças mais perceptíveis após cerca de quatro semanas de uso. Além do alívio dos fogachos, os estudos também observaram benefícios em aspectos como qualidade do sono, disposição para atividades diárias e desempenho no trabalho.
Para quem é o medicamento?
A nova medicação desenvolveu-se especialmente para mulheres na transição menopausal ou já na pós-menopausa que apresentam sintomas vasomotores - como ondas de calor e suores noturnos - de intensidade moderada a grave.
Ela também pode se tornar uma alternativa importante para pacientes que não podem fazer terapia de reposição hormonal por motivos médicos, como histórico de certos tipos de câncer ou problemas de coagulação. Ainda assim, especialistas ressaltam que o tratamento deve sempre ser avaliado individualmente por um médico.
Quando o remédio pode chegar ao Brasil
Atualmente, o fezolinetante já foi aprovado em alguns países e agora também passou a fazer parte do sistema público de saúde britânico. Estima-se que mais de 500 mil mulheres possam se beneficiar da medicação no Reino Unido.
No Brasil, o medicamento ainda aguarda análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização. Enquanto isso, a terapia de reposição hormonal continua sendo o tratamento mais utilizado para os sintomas da menopausa. No entanto, a chegada de alternativas não hormonais pode ampliar as possibilidades de cuidado para mulheres nessa fase da vida.
Um passo importante para a saúde da mulher
Cerca de 70% das mulheres enfrentam ondas de calor durante a menopausa. Apesar de comuns, esses sintomas muitas vezes são subestimados, mesmo quando impactam profundamente o cotidiano.
A aprovação de novos tratamentos voltados para essa fase da vida mostra que a saúde feminina vem ganhando mais atenção da ciência e da indústria farmacêutica. E, para muitas mulheres, ter mais opções de tratamento pode significar algo simples, mas essencial: recuperar conforto, qualidade de sono e bem-estar no dia a dia.