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Pequenas regressões são comuns diante da chegada de um irmão

25 mar 2013 - 08h40
(atualizado às 08h40)
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Rafaela era a princesinha da família. Primeira filha e primeira neta, a menina estava acostumada a ser paparicada e ter sempre todas as atenções voltadas para ela. Com o nascimento de Lorenzo, ela ganhou um irmãozinho, mas perdeu a exclusividade. Apesar do ciúme por ter de ceder espaço ao novo caçula da casa, Rafaela disfarçava o que sentia. Aos poucos, começou a ficar mais quieta, arredia. Percebendo as mudanças no comportamento da filha, a arquiteta Vanessa Tafas procurou ajuda e descobriu que a pequena estava com depressão.

No caso de Vanessa, ajudou pedir o auxílio dos filhos para decorar o quarto do caçula
No caso de Vanessa, ajudou pedir o auxílio dos filhos para decorar o quarto do caçula
Foto: Arquivo Pessoal

Para contornar a situação, além de levar a filha a um terapeuta, Vanessa conversou muito com a primogênita. “Expliquei a ela o que estava acontecendo, disse que no início precisaria dar mais atenção ao bebê, mas meu amor por ela não havia diminuído, que amor de pai não tem limite, só aumenta”, afirma. Deu certo: Rafaela e Lorenzo, hoje com 11 e sete anos, respectivamente, se dão muito bem, e até ajudam a mãe a cuidar do irmãozinho Benício, de dois meses.

Estranhamento inicial

Segundo a psicanalista e professora da Universidade de São Paulo (USP) Audrey Setton Souza, o que aconteceu com Rafaela é bastante comum. “É esperado que a criança reagisse. Desconfio das mães que dizem que a criança adorou o irmão desde o início, pois pode ser que a criança esteja guardando para si os sentimentos, me tranquiliza saber que houve estranhamento”, explica.

Para ela, não existe uma “receita infalível” para que a criança se adapte bem à nova situação, mas é fundamental que haja muito diálogo. “É preciso dar espaço para a criança falar do que não gosta, fazer com que ela saiba que não é um monstro por não gostar do irmãozinho, pois isso é normal, são sentimentos humanos”, aconselha a especialista. Ela alerta aos pais que as crianças ainda estão aprendendo a lidar com seus sentimentos, então não se deve exigir que tenham maturidade emocional, mas sim, ajudá-las a lidar com os próprios sentimentos. Outra dica é contar histórias próprias, para os pais mostrarem que já passaram por isso e entendem. Assim, a criança ganha mais confiança, sabendo que é compreendida e pode contar com o apoio dos pais.

Volta no tempo

Se o seu filho começar a falar como uma criança mais nova, pedir para mamar, usar chupeta ou voltar a molhar a cama, não há motivo para pânico. Uma das reações mais comuns à chegada de um irmãozinho é a regressão. Quando isso acontece, ser rígido ou brigar não ajuda a resolver o problema. Também não é bom colaborar com a atitude regressiva. “Os pais precisam explicar que gostam da criança grandinha, como é, mostrar que ela já tem competências das quais eles se orgulham”, diz Audrey.

Acostumado a ter toda a atenção dos pais, o filho único é o "rei" da casa, e o nascimento de um irmão representa a perda desse lugar central. A psicanalista explica que, mesmo sem irmãos, as crianças não podem ser tratadas assim para sempre, é bom inseri-las em um mundo onde não são os mais importantes, para que interajam socialmente de forma saudável desde cedo.

Como compensação pela chegada do irmãozinho, muitos pais costumam dar presentes, atitude que deve ser evitada. Segundo Audrey, isso ensina que cada perda que a criança tiver ao longo da vida será compensada com presentes. De acordo com a psicanalista, há outras formas melhores para demonstrar que gosta do filho. Uma boa ideia, é reservar um espaço na agenda para se dedicar apenas ao filho. “Pode ser algo simples, como ler um livro antes de dormir, mas é importante que seja um momento só seu e dele”, sugere Audrey.

Incluir os filhos na preparação para a chegada do bebê ou nos cuidados com o irmãozinho também são ótimas opções para fazer com que os pequenos se acostumem com o novo integrante da família e entendam melhor as mudanças na rotina da casa. Foi o que Vanessa fez quando soube que estava grávida pela terceira vez. “Peço a ajuda deles na hora de dar banho no bebê e, durante a gestação, convidei a Rafaela e o Lorenzo para ajudar a decorar o quarto do Benício”, afirma. Ela conta que, como arquiteta, já tinha em mente o que faria, mas ouvir a opinião dos pequenos fez com que se sentissem incluídos.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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