Muito além da febre passageira: o show dos Jonas Brothers provou que nossa criança interior nunca morre
Se você cresceu colando pôsteres no quarto e ouvindo as mesmas músicas no MP3 ou na vitrola, sabe que o reencontro com o seu ídolo de adolescência mexe com a nossa versão adulta de um jeito único
Se você tem de 20 anos para cima, com certeza já teve um famoso que admirasse. E, talvez, você regulasse de idade com ele e, dessa forma, vocês meio que cresceram juntos. Então, o que antes, seu quarto era decorado com pôsteres, sua estante estava repleta de revistas temáticas e seu celular — MP3, iPod, rádio ou vitrola — só tocava as músicas deste artista, hoje, você vai aos shows, continua ouvindo as canções, o observa realizando sonhos e constituindo família e é tocado de uma forma diferente pelas palavras e melodias. Porém, meio que tudo continua igual. Até porque nossa criança/adolescente interior continua adormecido dentro de cada um de nós.
Quem era (ou é) o seu queridinho nas bandas ou boybands?
Talvez, seu crush e ídolo tenha feito parte dos Beatles, BeeGess, The Carpenters, The Cranberries, U2, Bon Jovi, Backstreet Boys ou One Direction — provavelmente, chegou um nome a sua mente agora. No meu caso, foram (e ainda são) os Jonas Brothers. E como em toda boyband, eu tinha o meu predileto, o dodói: Nick Jonas — este era meu verdadeiro crush. 2006 foi o ano em que toda essa paixão começou e desde então, ela só mudou de forma.
Não é apenas uma febre passageira pelos Jonas Brothers
Quantas vezes não ouvi do meu pai de que seria apenas uma febre passageira? Eu batia o pé e atestava: "Não! Eu serei fã deles para sempre!". Acho que levei esta frase longe demais — e ainda bem. Existe uma pesquisa que diz que as músicas que você ouve na sua adolescência são as que te moldam, e esses três irmãos estiveram comigo em todas as minhas fases. Desde as mais tristes até as mais felizes. Acho que é isso que faz criar aquele fenômeno parassocial que eles dizem por aí. Eu tinha — e ainda tenho, né? — uma idade próxima a deles. Cresci ouvindo suas mágoas e felicidades; essas que acompanhavam as minhas.
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A trilha sonora da vida
O primeiro amor? Tinha uma trilha sonora no álbum 'A Little Bit Longer'. Assim como a primeira vez em que um menino quebrou meu coração. Nas vezes em que sofri na escola? Eram eles que embalavam meus choros com a porta do quarto fechada, enquanto tudo se reajustava e eu juntava forças para continuar forte ao som de 'Lines Vines and Trying Times'. E então eu cresci mais um pouco. A adolescência chegou. No caso deles, houve a separação da banda em 2013 — ouvia as músicas e chorava sem parar. Essa melancolia toda durou uns 3 meses, porque eles eram os cantores que eu cresci escutando e admirando! Muita coisa para a cabeça de uma jovem de 14 anos de idade, no ápice dos hormônios.
6 anos se passaram sem canções inéditas dos 3 irmãos, mas com projetos solo. E eu acompanhei cada um deles. Contudo, não era a mesma coisa. Mas foi em 2019, época em que eu estava na faculdade, fazendo Jornalismo, que eles revelaram sua volta com um vídeo clipe. Provavelmente, muitas pessoas viram este momento como um vexame, pois fiz todos os meus amigos ouvirem 'Sucker' logo de manhã. Porém, eu não estava nem aí. Era uma parte do meu mundo interno se reconstituindo — sim, sempre fui um pouco dramática.
Do crush platônico ao orgulho maduro pelos três irmãos
Desde então, novos álbums saíram, e eu continuei — e continuo — amando cada música, álbum, e sem pular faixa alguma. As carreiras solos ainda existem em conjunto, e cada um se mostra de uma forma única. Assim como eles, eu mudei, e amadureci. Não são mais meus paqueras platônicos, mas são rapazes de quem eu tenho um certo orgulho — acho que só quem é fã entende este sentimento.
O único lugar onde o tempo não tem regras
O único instante que todo o modus operandi antigo muda é durante os shows, pois é quando a criança e a adulta se reencontram em um só corpo, mente e espírito. E até o dia 13 de maio de 2026, eu apenas os havia visto de longe. Nunca tinha honrado com a palavra da Helena criança, que prometeu para si vê-los de pertinho um dia — ela também jurava que iria entrevistá-los algum dia... Quem sabe isso ainda não dá certo?
2009 vs 2026: Por um instante, tudo outra vez
Mas fato é que este momento chegou, e junto dele, voltou com tudo aquela pequena e a adolescente. Assim que entraram no palco, minhas pernas bambearam, a emoção veio sem possibilidade alguma de ser contida e, de repente, eu estava em 2009 novamente — dessa vez, sem minha mãe, quem, ouvindo meus relatos, disse que eu reagi exatamente da mesma forma que naquele primeiro show no Morumbi.
O sentimento de crescer junto da sua banda favorita
Porém, junto dela, teve uma mulher que reparou como nós 4 evoluímos, crescemos, superamos obstáculos e realizamos sonhos. Foi engraçado, porque poucos sabem, mas a presença da Vanessa da Mata foi a versão do Joe Jonas (o irmão do meio) tornando um desejo antigo realidade. Assim como o Kevin Jonas (o mais velho) acabando com seus receios e autossabotagens, cantando uma música inédita e mostrando seu talento e voz potente afinadíssima para os fãs. E Nick — sim, o mais novo e meu queridinho — se desmanchando das armaduras que sentiu necessidade de usar durante a vida, e abrindo seu coração sobre como, muitas vezes, maltratou aquele garotinho que tem internamente.
A graça dos shows e a nossa liberdade de sentir junto
Acredito que cada uma das fãs ali — que já têm para lá dos seus 20 anos — estava sentindo algo parecido com o que vivenciei. Porque, como eu disse logo acima, só quem é fã entende isso que estou descrevendo. É uma mistura de reencontro com quem estava adormecida, um reflexo de evolução, além de um toque de nostalgia. Tudo sentido em conjunto. E esta é a graça de ir a shows. É tudo sobre um instante em que você se sente livre para sentir e reconhecer algo que é antigo e, muitas vezes, não permitido durante a rotina. Mas que passa rápido, porém perdura e revive a cada vez que é lhe dado a chance de existir.
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