Júlia Almeida fala sobre a morte do pai, Manoel Carlos, pela primeira vez: 'Força silenciosa'
Atriz compartilha reflexão sensível sobre a despedida do pai, a força da mãe e a espiritualidade que atravessa sua história familiar
A atriz Júlia Almeida, de 43 anos, compartilhou publicamente pela primeira vez como tem vivido a perda do pai, o autor Manoel Carlos, um dos nomes mais marcantes da teledramaturgia brasileira. Nesta quarta-feira (11), ela publicou um texto emocionante no Instagram, acompanhado de fotos da infância, refletindo sobre luto, espiritualidade e memória afetiva.
Manoel Carlos, conhecido carinhosamente como Maneco e autor de novelas icônicas como Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, morreu no dia 10 de janeiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado devido a complicações relacionadas à doença de Parkinson.
Um mês de despedida e o impacto da ausência
No relato, Júlia contou que o primeiro mês após a partida do pai foi atravessado por pensamentos profundos sobre a finitude e sobre os vínculos que permanecem mesmo depois da morte. Ela escreveu: "Ontem completou um mês da partida do meu pai. Talvez seja estranho admitir, mas a morte é o único destino certo - ainda que sejamos ensinados a acreditar apenas na permanência da vida."
A atriz também destacou a força da mãe, Bety, companheira de Manoel Carlos por quase cinco décadas. Júlia confessou que temia que ela não suportasse o impacto da perda, mas viu o contrário: uma presença resiliente e silenciosa que fortaleceu ainda mais a família.
Luto, encontros e espiritualidade
Ao refletir sobre esses dias, Júlia falou sobre como a morte pode revelar a verdade das relações, aproximando algumas pessoas e afastando outras. Ela descreveu esse período como um tempo de sonhos, lembranças e conexão com suas raízes familiares.
A atriz contou que passou a pensar muito em seu avô materno, figura importante em sua infância, e compartilhou uma imagem espiritual reconfortante: a ideia de que seu pai estaria sendo recebido por seus ancestrais.
Ela escreveu: "A morte aproxima e também afasta, revelando a frequência e a verdade de cada encontro". A artista também mencionou a espiritualidade presente em sua história familiar, marcada por influências diversas, como a origem boliviana da mãe e a força nordestina do avô, descrito como alguém ligado à ancestralidade e às tradições populares.
Memórias de cura e ancestralidade
Júlia lembrou com carinho da presença intensa do avô, que chegava "como um trovão", trazendo alegria, saberes e práticas de cuidado. Ela escreveu: "[Era] presença viva, gargalhada fácil, cura nas ervas, nos chás, nas rezas e nos banhos - pé no chão. Ancestralidade em movimento". O relato reforça como o luto também pode ser um caminho de reconexão com a própria história e com aqueles que vieram antes, resgatando vínculos que atravessam o tempo.
Recolhimento e serenidade após o silêncio
Após um mês afastada, Júlia explicou que escolheu se manifestar agora com calma e sinceridade. Para ela, mais do que palavras públicas, o cuidado verdadeiro se mostra nas ações do cotidiano. "Depois de 30 dias de silêncio e recolhimento, escolho falar com serenidade. Tenho certeza de que meu pai está sendo recebido por esse mesmo amor verdadeiro que sempre cultivou aqui, e isso me dá força", falou. "Escrever um post é fácil. O cuidado cotidiano transcende. Axé", finalizou a artista.
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A história familiar de Manoel Carlos
Manoel Carlos teve cinco filhos, mas enfrentou perdas profundas ao longo da vida. Três deles já faleceram: Ricardo, em 1988; Manoel Carlos Júnior, em 2012; e Pedro Almeida, em 2014, aos 22 anos. O autor deixa duas filhas vivas: Júlia Almeida e Maria Carolina, que também atua como roteirista.