Criança chama de namoradinho o amigo preferido para brincar
"Mãe, estou namorando." Se você ouvir essa frase da criança ainda pequena, não se preocupe. Por mais estranho que pareça, é normal que tenham namoradinhos, ainda que mal tenham saído das fraldas. Segundo a psicóloga, sexóloga e educadora sexual Sandra Lima Vasques, o namoro das crianças é diferente dos relacionamentos entre adultos. Para os pequenos, namorado é o amiguinho com quem mais gostam de brincar, de estar junto.
“A criança chama de namorado porque aos olhos dela a amizade é igual à relação dos pais, é uma maneira de demonstrar carinho, maior afinidade, mas sem nenhuma conotação sexual”, explica a psicóloga. Segundo ela, é por isso que algumas crianças dizem que namoram mais de um amiguinho. Apesar de ser diferente, o namoro infantil se baseia no dos adultos. Por reproduzir os mesmos papéis que a criança observa em seu dia a dia, é mais comum que o “amiguinho especial” seja alguém do sexo oposto.
Quando a criança comunica os pais sobre o namoradinho, a orientação da psicóloga é que compreendam que se trata de alguém especial para ela. Nada de sobressaltos, pois é uma relação bastante diferente da adulta. Sandra recomenda que os pais sempre perguntem aos filhos o que significa o namoro, o que é feito entre os dois. Ela alerta para que não proíbam, pois isso apenas fará com que a criança deixe de contar o que se passa para eles, com medo de decepcioná-los. “O fundamental é que os pais se mantenham informados”, completa.
Limites
Namoro entre crianças é uma situação normal, com a qual os pais não precisam se preocupar, mas quando um adulto é envolvido, tudo muda. Segundo Sandra, caso a criança se diga namorada de um adulto, é dever dos pais intervir imediatamente. É comum que uma tia, uma vizinha ou uma amiga da família fale que o pequeno é seu namoradinho. No entanto, mesmo que seja só brincadeira, esta atitude não pode ser incentivada, pois leva a criança a pensar que não há problemas em namorar um adulto, ficando assim vulnerável a pessoas mal-intencionadas.
Para a psicóloga, os pais tem de proteger a criança, pois ela ainda não tem o discernimento necessário para identificar que o carinho que alguns adultos fazem é errado. Mesmo que haja abuso, talvez a criança não note imediatamente, só com o passar do tempo é que vai percebendo. “É função dos pais explicar, orientar a criança a não aceitar carinho de adultos que não sejam de confiança, saber que certas partes do corpinho são só dela, não devem ser tocadas por outros”, explica. Ela acrescenta ainda que os pais precisam esclarecer para os filhos que adultos cuidam de crianças, podem ser amigos, professores, tios, mas nunca namorados, pois as relações são diferentes.