Consumo de álcool pode dificultar o emagrecimento? Nutricionista explica
Em entrevista à Bons Fluidos, a nutricionista Camila Borduqui explicou como as bebidas alcoólicas atuam no organismo e influenciam a perda de peso; confira
As atividades físicas, com foco na perda de peso geralmente vêm associadas a uma alimentação baseada na ingestão de ingredientes saudáveis, como frutas e vegetais, além da redução de açúcares e gorduras. Um dos elementos que, em alguns casos, permanece na dieta e, em outros, é totalmente excluído são as bebidas alcoólicas. Mas, afinal, o consumo de álcool realmente dificulta o emagrecimento?
Efeitos dos drinks no corpo
De acordo com a nutricionista Camila Borduqui, a resposta é sim: a substância pode afetar diretamente na redução de medidas. Ela explica que isso ocorre porque o álcool é considerado pelo metabolismo como uma "toxina prioritária". "Quando ele entra no organismo, o fígado interrompe temporariamente a queima de gordura para metabolizá-lo primeiro. O corpo, então, entra em modo 'armazenamento' e as calorias da alimentação têm mais chance de virar gordura. Ou seja, mesmo com dieta 'certa', a bebida trava o emagrecimento", esclarece.
O componente, conforme relata a especialista, também influencia a regulação do organismo ao piorar a sensibilidade à insulina e aumentar os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Além disso, Borduqui destaca que as bebidas alcoólicas possuem calorias, com cerca de 7 kcal a cada 1 g de álcool. No entanto, embora favoreçam o ganho de peso, as opções apresentam impactos calóricos diferentes.
Ela cita o vinho seco e os destilados puros, como vodca, gin e whisky sem adição de açúcar, entre as opções menos prejudiciais. Já a cerveja, os drinks adoçados e os licores tendem a dificultar de forma significativa o processo de emagrecimento. "O problema não é apenas a caloria da bebida, mas o açúcar associado e o volume consumido", ressalta.
Outro fator relevante quando se trata de alcoólicos e emagrecimento é o apetite. Isso porque a substância atua no cérebro, aumentando a produção de grelina, hormônio da fome, e reduzindo a leptina, responsável pela saciedade. Por isso, é comum que as pessoas sintam mais fome após o consumo e acabem comendo por impulso, principalmente alimentos gordurosos e salgados.
Emagrecimento: qual é o limite seguro de álcool?
Há quem defenda que esses efeitos estejam associados apenas à ingestão excessiva e que drinks aos finais de semana não atrasem os resultados desejados. A nutricionista, no entanto, discorda. "Um único dia bebendo pode travar a queima de gordura por até 24 a 72 horas, gerar retenção hídrica, aumentar a inflamação e desregular o apetite no dia seguinte. Ou seja, a pessoa 'perde' praticamente metade da semana metabólica", aponta.
Os riscos, segundo Borduqui, são ainda maiores quando ocorre a tentativa de compensar as calorias do álcool pulando refeições, o que provoca impactos hormonais e inflamatórios. A recomendação da profissional, portanto, é transformar o consumo em uma "exceção planejada", na qual seja permitida, no máximo, uma dose por semana.
"Orientação prática: escolher um momento específico, limitar a quantidade, evitar bebidas doces, nunca beber em jejum, manter o consumo adequado de proteínas e água e aceitar que o emagrecimento será mais lento. Quem busca resultados rápidos e consistentes precisa reduzir drasticamente o consumo", conclui.