Carnaval: riscos de exposição solar para quem trabalha ao ar livre
Especialistas fazem alerta sobre o acúmulo de danos solares durante o Carnaval
Trabalhadores que passam pela exposição solar prolongada devem estar atentos aos sinais de alerta para o risco de câncer de pele
Ao lado de milhões de foliões que tomam as ruas para os dias de Carnaval no Brasil, uma parcela de trabalhadores chega a enfrentar até 10 horas diárias de radiação solar direta. Essa rotina pode favorecer o surgimento de lesões pré-cancerígenas na pele, principalmente entre ambulantes que já exercem atividades ao ar livre durante o ano todo. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o câncer não melanoma, o tipo mais comum da doença, representa uma em cada três mortes ligadas às atividades laborais externas. Sendo ele o terceiro maior fator de risco ocupacional para o desenvolvimento de tumores.
Para esse grupo, a atenção deve ser redobrada. "A exposição contínua e prolongada, muitas vezes ligada ao trabalho informal, gera um acúmulo de danos no DNA das células da pele. Por isso, o verão é um momento crítico para a saúde ocupacional desses profissionais", explica o pesquisador em oncologia Willian Peter Boelcke, CEO e fundador da AI Pathology.
Sinais de alerta
O auto-exame é um ponto essencial para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Ele leva em conta o surgimento de manchas suspeitas e feridas que não cicatrizam. A dermatologista Profa. Dra. Gisele Rezze, Diretora Médica da AI Pathology recomenda atenção à assimetria de pintas, bordas irregulares, cores distintas em uma mesma mancha e diâmetro maior que 6 milímetros. "Se a mancha mudou de tamanho, forma ou cor recentemente. Ou mesmo se começou a coçar e sangrar, a busca por uma análise profissional deve ser urgente", recomenda Rezze.
Rosto, nariz, orelhas, pescoço e dorso das mãos, onde a radiação UV incide de forma direta e contínua. São as áreas mais suscetíveis ao câncer de pele, pois possuem uma camada cutânea mais fina. Isso faz com que sofram mais com o dano solar cumulativo ao longo dos anos. Além disso, o couro cabeludo, quando atingido pela calvície ou presença de cabelos ralos, recebe sol de forma perpendicular. Portanto, pode aumentar os riscos de lesões.
Rezze reforça que é possível se proteger utilizando barreiras físicas. Por exemplo, chapéus de abas largas, óculos escuros e roupas com proteção UV que cubram braços e pernas. A aplicação do protetor solar com FPS 30 ou superior, com reaplicação a cada duas horas, e a busca por locais de sombra durante o pico de radiação, das 10h às 16h, também fazem a diferença para a saúde.
Reforço na palma da mão
A startup brasileira AI Pathology potencializa a detecção precoce do câncer de pele ao integrar algoritmos de alta precisão à jornada de triagem, otimizando a tomada de decisão pelos profissionais de saúde e tornando o rastreamento precoce mais democratico. Por meio de um modelo treinado a partir da vasta diversidade da pele brasileira, o aplicativo NEVO possui 93% de precisão na identificação de melanomas e outras neoplasias malignas. Estando em constante evolução graças a parcerias com centros de excelência como o Hospital das Clínicas da USP, o laboratório Fleury e gigantes da tecnologia como Google, Nvidia e Oracle.
Para o Dr. Willian Boelcke, a acessibilidade é o pilar central da tecnologia, que foi projetada para funcionar diretamente no smartphone dos usuários. "O acesso à dermatologia ainda é um grande desafio no Brasil, especialmente para as classes mais baixas. Sendo assim, o incentivo à conscientização por parte das marcas e empresas que fornecem produtos para esses trabalhadores é essencial para invertermos esse cenário", conclui o pesquisador.