Adolescentes sedentários têm mais chances de apresentar sofrimento psicológico no futuro, diz pesquisa
Sedentarismo e uso excessivo de telas pode aumentar risco de sofrimento psicológico em adolescentes; veja pesquisa
Adolescentes que passam mais de três horas por dia em comportamentos sedentários - como jogar videogame, navegar na internet ou até mesmo ler por longos períodos - apresentam maior risco de sofrimento psicológico no futuro. A conclusão vem de um estudo publicado no Journal of Adolescent Health, que analisou os hábitos de 3.675 jovens acompanhados pelo projeto Millennium Cohort Study, no Reino Unido.
Por outro lado, o tempo moderado de exposição às telas, especialmente em atividades educacionais como fazer dever de casa ou assistir a aulas online, foi considerado um fator protetor, associado a menor sofrimento psicológico.
O estudo
O trabalho, conduzido pelo Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London, acompanhou adolescentes dos 14 aos 17 anos. Durante a primeira fase, os jovens registraram suas atividades em um diário a cada 10 minutos, incluindo tempo em tela de lazer, atividades físicas, estudo e sono.
Três anos depois, responderam a um questionário baseado na escala de Kessler, que avaliava sentimentos como nervosismo, desesperança, inquietude, humor depressivo e inutilidade. Os resultados mostraram uma clara associação entre uso excessivo de telas para lazer e maior sofrimento psicológico.
Videogames e saúde mental
Entre as telas de lazer, os videogames se mostraram particularmente impactantes. De acordo com o professor Brendon Stubbs, orientador da pesquisa, cada hora adicional de jogo esteve associada a um aumento de 3% no sofrimento psicológico. Stubbs destacou, porém, que o problema não está apenas no uso da tela, mas no contexto. Enquanto o lazer passivo elevou os riscos, o tempo em telas educacionais não mostrou os mesmos efeitos negativos.
Como equilibrar o tempo de tela
Os pesquisadores sugerem algumas estratégias para minimizar os impactos do sedentarismo digital:
- Estabelecer limites: manter o lazer em tela abaixo de três horas por dia;
- Foco no contexto: priorizar usos educativos e produtivos das telas;
- Atividades de equilíbrio: incentivar esportes, brincadeiras ao ar livre e interações sociais;
- Intervenções personalizadas: considerar diferenças de gênero nos hábitos de lazer;
- Suporte educacional: valorizar atividades escolares, que se mostraram protetoras.
Mais que reduzir, é preciso equilibrar
Para Werneck, a questão não é apenas diminuir o tempo sedentário, mas avaliar quais atividades ocupam esse tempo. "É preciso focar em intervenções voltadas não somente para reduzir os comportamentos sedentários, mas reduzi-los em algumas atividades específicas e muito longas, que foram mais associadas ao sofrimento psicológico", explicou.
O estudo reforça a importância do equilíbrio: telas podem ser ferramentas de aprendizado e conexão, mas quando usadas em excesso para lazer, podem comprometer o bem-estar mental dos adolescentes.