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Adolescentes sedentários têm mais chances de apresentar sofrimento psicológico no futuro, diz pesquisa

Sedentarismo e uso excessivo de telas pode aumentar risco de sofrimento psicológico em adolescentes; veja pesquisa

25 ago 2025 - 16h53
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Adolescentes que passam mais de três horas por dia em comportamentos sedentários - como jogar videogame, navegar na internet ou até mesmo ler por longos períodos - apresentam maior risco de sofrimento psicológico no futuro. A conclusão vem de um estudo publicado no Journal of Adolescent Health, que analisou os hábitos de 3.675 jovens acompanhados pelo projeto Millennium Cohort Study, no Reino Unido.

Estudo revela que adolescentes que passam mais de três horas por dia em telas têm maior risco de sofrimento psicológico no futuro; entenda
Estudo revela que adolescentes que passam mais de três horas por dia em telas têm maior risco de sofrimento psicológico no futuro; entenda
Foto: Reprodução: Canva/pixelshot / Bons Fluidos

Por outro lado, o tempo moderado de exposição às telas, especialmente em atividades educacionais como fazer dever de casa ou assistir a aulas online, foi considerado um fator protetor, associado a menor sofrimento psicológico.

O estudo

O trabalho, conduzido pelo Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London, acompanhou adolescentes dos 14 aos 17 anos. Durante a primeira fase, os jovens registraram suas atividades em um diário a cada 10 minutos, incluindo tempo em tela de lazer, atividades físicas, estudo e sono.

Três anos depois, responderam a um questionário baseado na escala de Kessler, que avaliava sentimentos como nervosismo, desesperança, inquietude, humor depressivo e inutilidade. Os resultados mostraram uma clara associação entre uso excessivo de telas para lazer e maior sofrimento psicológico.

Videogames e saúde mental

Entre as telas de lazer, os videogames se mostraram particularmente impactantes. De acordo com o professor Brendon Stubbs, orientador da pesquisa, cada hora adicional de jogo esteve associada a um aumento de 3% no sofrimento psicológico. Stubbs destacou, porém, que o problema não está apenas no uso da tela, mas no contexto. Enquanto o lazer passivo elevou os riscos, o tempo em telas educacionais não mostrou os mesmos efeitos negativos.

Como equilibrar o tempo de tela

Os pesquisadores sugerem algumas estratégias para minimizar os impactos do sedentarismo digital:

  • Estabelecer limites: manter o lazer em tela abaixo de três horas por dia;
  • Foco no contexto: priorizar usos educativos e produtivos das telas;
  • Atividades de equilíbrio: incentivar esportes, brincadeiras ao ar livre e interações sociais;
  • Intervenções personalizadas: considerar diferenças de gênero nos hábitos de lazer;
  • Suporte educacional: valorizar atividades escolares, que se mostraram protetoras.

Mais que reduzir, é preciso equilibrar

Para Werneck, a questão não é apenas diminuir o tempo sedentário, mas avaliar quais atividades ocupam esse tempo. "É preciso focar em intervenções voltadas não somente para reduzir os comportamentos sedentários, mas reduzi-los em algumas atividades específicas e muito longas, que foram mais associadas ao sofrimento psicológico", explicou.

O estudo reforça a importância do equilíbrio: telas podem ser ferramentas de aprendizado e conexão, mas quando usadas em excesso para lazer, podem comprometer o bem-estar mental dos adolescentes.

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