Ciência identifica cão mais antigo a ter vivido com humanos
Eles já eram nossos amigos milhares de anos antes do fim da última era glacial. Novos estudos revelaram filhote que viveu há mais de 15 mil anos com seus donos.Uma cachorrinha que viveu há cerca de 15,8 mil anos na atual Turquia foi identificada como o cão mais antigo conhecido pelos cientistas em artigos publicados nesta quarta-feira (25/03).
Os restos mortais dela são quase 5 mil anos mais velhos do que o cão mais antigo conhecido até então.
Pesquisadores encontraram um fragmento do crânio em Pinarbasi, um abrigo rochoso usado por antigos caçadores-coletores.
Ao examiná-lo e analisar o DNA, os cientistas concluíram que a cachorrinha tinha "alguns meses de idade" e provavelmente se parecia com um pequeno lobo, segundo Laurent Frantz, da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique.
Frantz é coautor de um estudo que analisa a distribuição de cães pela Europa e Ásia durante o período paleolítico, publicadona prestigiosa revista Nature nesta quarta-feira.
O pesquisador disse que não está totalmente claro qual era o papel dos cães entre os humanos naquela época. No entanto, embora a relação entre os humanos antigos e seus cães possa não ter sido a mesma dos tempos modernos, "as crianças já brincavam com filhotes", acrescentou.
Humanos e cães enterrados juntos
O geneticista Anders Bergström, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, coautor do mesmo estudo e principal autor de outra pesquisa focada na história genômica dos cães na Europa, também publicaa nesta quarta-feira, concordou que "os cães nem sempre têm funções ou propósitos muito bem definidos para os seres humanos".
"Talvez sua função principal seja, muitas vezes, apenas oferecer companhia", disse Bergström.
Os artefatos da comunidade em Pinarbasi oferecem uma visão da história da humanidade durante a última era glacial, que terminou há cerca de 10 mil anos.
William Marsh, pesquisador de pós-doutorado do Laboratório de Genômica Antiga do Instituto Francis Crick, em Londres, afirmou que há evidências de um vínculo entre as duas espécies no sítio arqueológico turco.
"Em Pinarbasi, temos sepulturas tanto de humanos quanto de cães, com cães enterrados ao lado de humanos", disse Marsh.
Também havia evidências de que os caçadores-coletores de Pinarbasi alimentavam seus cães com peixe.
O elo perdido entre cães e lobos
Acredita-se que os cães tenham sido domesticados pelos seres humanos antes de qualquer outro animal. Eles descendem dos lobos cinzentos, mas as semelhanças entre as duas espécies dificultam aos cientistas a distinção de seus restos mortais.
Mesmo com essa incerteza, os pesquisadores acreditam que as populações de cães e lobos se separaram há pelo menos 24 mil anos, disse William Marsh.
Bergström e seus colegas também identificaram o cão mais antigo da Europa ao examinar restos mortais de 14,2 mil anos atrás, encontrados em Kesslerloch, na Suíça. Além disso, os antigos cães europeus parecem ter tido ancestrais em comum com os cães da Ásia, sugerindo um único evento de domesticação.
Mas Bergström alertou que a questão de "quando, onde e por que as pessoas domesticaram os cães ainda permanece em grande parte sem resposta".
Outro pesquisador, o geneticista sueco Pontus Skoglund, afirmou que ainda existe um "abismo genético entre cães e lobos".
"A busca pelo elo perdido continua", disse ele.