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Ciclone Isaías se torna o primeiro furacão de 2026 no Atlântico e ameaça a costa dos EUA; entenda os riscos

Sistema se formou no Golfo do México, ganhou força nas últimas horas e deve alcançar o litoral dos Estados Unidos entre sexta-feira e sábado

8 out 2026 - 10h34
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Resumo
O ciclone Isaías se tornou o primeiro furacão de 2026 no Atlântico, quebrando um jejum de 342 dias na região. Com ventos de 130 km/h e potencial para atingir 180 km/h, o fenômeno avança pelo Golfo do México e deve atingir a costa sul dos EUA até sábado. Estados como Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida estão em alerta devido aos riscos de marés perigosas, enchentes, fortes chuvas e tornados. Diante das ameaças, a Flórida já decretou estado de emergência e petroleiras evacuaram plataformas.

O ciclone Isaías se tornou nesta quinta-feira (8) o primeiro furacão de 2026 na bacia do Atlântico. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o sistema apresentava ventos máximos sustentados de 130 km/h pela manhã e avançava pelo Golfo do México em direção à costa norte dos Estados Unidos.

O ciclone avançou sobre o Golfo do México e deve seguir em direção à costa norte dos Estados Unidos entre sexta
O ciclone avançou sobre o Golfo do México e deve seguir em direção à costa norte dos Estados Unidos entre sexta
Foto: feira e o início de sábado - Reprodução/National Hurricane Center / Bons Fluidos

A previsão indica que Isaías deve chegar ao litoral entre a noite de sexta-feira (9) e o início de sábado (10). Até lá, o sistema ainda pode ganhar intensidade, o que mantém áreas entre Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida sob atenção.

Ciclone Isaías ainda pode se intensificar

O ambiente encontrado pelo furacão favoreceu sua rápida organização. Em artigo publicado pela MetSul, o meteorologista Luiz F. Nachtigall destacou que a superfície do Golfo apresentava temperaturas entre 30°C e 31°C ao longo da trajetória do sistema.

Portanto, a combinação entre oceano superaquecido e elevada umidade atmosférica forneceu energia para o ciclone. Por outro lado, mudanças no vento em diferentes altitudes e a entrada de ar mais seco poderiam limitar esse fortalecimento antes da chegada ao continente.

Os modelos ainda apresentam diferenças sobre o ponto exato de impacto e a intensidade final. A projeção oficial citada por Nachtigall indicava um possível pico próximo de 180 km/h, suficiente para colocar Isaías perto do limite entre as categorias dois e três.

Quais riscos Isaías pode trazer?

Os efeitos esperados, contudo, vão além dos ventos. O NHC mantém alertas de tempestade tropical e elevação perigosa do nível do mar em diferentes trechos da costa do Golfo. Em áreas entre Mississippi e Flórida, a maré de tempestade pode elevar a água em aproximadamente 1,5 a 2,1 metros acima do solo em pontos mais vulneráveis, especialmente perto do local de chegada do sistema.

Ademais, a chuva preocupa. Entre sexta-feira e o fim de semana, os acumulados podem variar de cerca de 75 a 180 milímetros na costa central do Golfo, com volumes isolados próximos de 250 milímetros. Esse cenário, então,  aumenta o risco de alagamentos, enchentes repentinas e transbordamentos localizados. Além disso, o NHC aponta possibilidade de tornados isolados em partes do Alabama, do Panhandle da Flórida e da Geórgia.

Flórida reforça preparação

Na Flórida, o governador Ron DeSantis decretou estado de emergência em 25 condados. O governo estadual posicionou água, alimentos, combustível, geradores e barreiras contra enchentes em áreas consideradas mais vulneráveis.

Empresas que operam no Golfo também começaram a adotar medidas preventivas. Shell e BP retiraram parte dos trabalhadores de instalações marítimas e reforçaram protocolos de segurança.

Mesmo em uma temporada que vinha abaixo da média no Atlântico, o episódio reforça que o número total de tempestades não determina sozinho o potencial de destruição de cada sistema.

"As chuvas em áreas continentais são uma das principais causas de danos provocados por tempestades tropicais e furacões. Por isso, é importante se preparar para todas as tempestades previstas para a sua região, mesmo que elas não atinjam a força de um furacão", afirmou Ken Graham, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA, em comunicado.

Isaías rompe longo período sem furacões no Atlântico

A formação de Isaías também chama atenção pelo intervalo desde o último furacão na bacia. Segundo Nachtigall, o sistema encerrou um período de 342 dias sem furacões no Atlântico.

Até então, a temporada de 2026 havia registrado apenas as tempestades tropicais Arthur e Bertha. A NOAA projeta uma atividade abaixo do normal neste ano, em parte devido ao El Niño, fenômeno que tende a aumentar o cisalhamento dos ventos e dificultar o desenvolvimento de ciclones tropicais no Atlântico.

Com Isaías, porém, o cenário mostra que mesmo uma temporada menos movimentada pode produzir episódios de alto impacto. A trajetória e a intensidade ainda podem sofrer ajustes até a chegada do sistema à costa.

Bons Fluidos
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