Revestimento para escada: veja como unir segurança e estética sem erros
Alguns cuidados na escolha do piso são fundamentais para evitar acidentes e manter a beleza do ambiente
Escolher o revestimento para escada vai muito além da aparência. Trata-se de uma decisão que impacta diretamente a segurança, a durabilidade da obra e o conforto no uso diário. Para ajudar nessa escolha, Otávio Henrique, engenheiro civil formado pelo CEFET-RJ e fundador da Varg, compartilha os principais pontos de atenção reunidos em sete diretrizes essenciais para quem está construindo ou reformando. Confira!
1. Priorize materiais resistentes e versáteis
Na hora de escolher o revestimento da escada, durabilidade e flexibilidade estética caminham juntas — e podem definir o sucesso do projeto a longo prazo. "As pedras naturais, como o granito, são praticamente imbatíveis quando falamos de durabilidade. Já o porcelanato virou o queridinho do mercado pela variedade de texturas, cores e pela capacidade de reproduzir outros materiais com fidelidade", explica Otávio Henrique.
Segundo ele, quem busca aconchego encontra na madeira de lei uma escolha atemporal, enquanto o microcimento atende perfeitamente projetos com estética industrial e contemporânea.
2. Avalie o custo-benefício sem abrir mão do impacto visual
Equilibrar orçamento e resultado visual é um dos principais desafios em reformas, materiais como granito e porcelanato surgem como alternativa. "Granito e porcelanato lideram quando o assunto é custo-benefício. O granito dura décadas sem perder desempenho, e o porcelanato entrega um visual sofisticado por um valor mais acessível", afirma o especialista.
Para projetos em que o objetivo é causar impacto imediato, mármores com veios marcantes e madeiras maciças elevam o nível estético da escada.
3. Segurança vem antes da estética
Mais do que um elemento arquitetônico, a escada é uma área de circulação constante — e potencialmente perigosa quando mal planejada. "A beleza importa, mas a segurança é o pilar da escolha", reforça o engenheiro civil.
Ele destaca a importância do coeficiente de atrito do material e do acabamento das bordas. "Evite quinas vivas. O acabamento boleado é mais seguro em caso de impactos. Outro ponto pouco observado é a cor do piso, que não pode camuflar o degrau sob iluminação artificial", alerta.
4. Evite pisos polidos e muito brilhantes
O brilho excessivo pode parecer sofisticado à primeira vista, mas, em escadas, se transforma em um risco silencioso. Otávio Henrique é direto nesse alerta: "Pisos polidos ou com brilho intenso são extremamente escorregadios, principalmente com umidade ou quando a pessoa está de meias". Além do risco de quedas, o reflexo excessivo pode confundir a visão e provocar erros de passada. "Escada pede aderência, não efeito espelhado", ressalta.
5. Atenção às ilusões de ótica e à textura
Detalhes visuais mal planejados podem comprometer a percepção de profundidade e surpreender até quem já conhece bem o espaço. "O perigo real surge quando ignoramos a leitura visual da escada", diz o engenheiro civil. Degraus com estampa contínua entre piso e espelho podem gerar ilusão de ótica. "Some isso a um piso liso e uma iluminação mal resolvida, e você tem um risco diário dentro de casa", alerta.
6. Projetos com crianças, idosos ou pets exigem cuidado redobrado
Quando há públicos mais vulneráveis na rotina da casa, cada escolha precisa ser ainda mais estratégica. "Nesses casos, o antiderrapante não é opcional, é obrigatório", ressalta Otávio Henrique. Para idosos, frisos ou faixas de contraste ajudam na percepção de profundidade. Para pets, superfícies muito lisas devem ser evitadas, pois prejudicam a tração e sobrecarregam as articulações. "Materiais foscos ou acetinados funcionam melhor para todos", afirma.
7. Normas técnicas e áreas externas não podem ser ignoradas
Segundo Otávio Henrique, a escolha do piso deve respeitar normas como a NBR 9050 e a NBR 9077, que determinam critérios de segurança e conforto, além da Fórmula de Blondel. Em escadas externas, o cuidado é ainda maior. "Use apenas pedras brutas, como miracema ou granito apicoado, ou porcelanatos próprios para áreas externas, com classificação adequada. A rugosidade natural do material é indispensável", indica.
No fim das contas, uma boa escada é aquela que alia estética, funcionalidade e segurança. "Quando o revestimento é bem escolhido, ele valoriza o projeto e protege quem usa o espaço todos os dias", conclui o engenheiro civil.
Por Sarah Carvalho