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Câncer de pulmão em mulheres cresce mesmo sem cigarro; entenda os fatores envolvidos

No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, especialistas alertam para fatores de risco que vão além do tabagismo e reforçam a importância do diagnóstico precoce

31 jul 2026 - 20h40
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O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, celebrado em 1º de agosto, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de uma doença que continua entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Embora o cigarro permaneça como o maior fator de risco, pesquisadores alertam que ele, sozinho, não explica o avanço dos casos entre as mulheres.

No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, especialistas alertam para fatores de risco que vão além do tabagismo
No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, especialistas alertam para fatores de risco que vão além do tabagismo
Foto: Canva Equipes/Africa images / Bons Fluidos

Uma revisão científica publicada na revista JCO Global Oncology, coordenada pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), traz novos dados. O estudo mostra que fatores ambientais, ocupacionais, hormonais e genéticos também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Isso ocorre inclusive entre mulheres que nunca fumaram.

Segundo o levantamento, 16.777 brasileiras morreram em decorrência do câncer de pulmão em 2022. Além disso, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam cerca de 16.650 novos casos anuais entre mulheres no triênio 2026-2028. Os pesquisadores observam ainda um cenário preocupante. Isso porque, enquanto a mortalidade pela doença apresenta tendência de queda entre os homens em vários países, entre as mulheres o foi registrado um aumento.

"Ainda que o controle do tabagismo continue sendo a medida isolada mais importante para prevenir o câncer de pulmão, nossos achados mostram que ele não explica, sozinho, o aumento da doença entre mulheres. Precisamos compreender melhor outros fatores que afetam especificamente essa população para aperfeiçoar as estratégias de prevenção", afirma a Dra. Samira Mascarenhas, primeira autora do estudo.

Riscos vão muito além do cigarro

Apesar de o tabagismo continuar sendo responsável pela maior parte dos diagnósticos, os pesquisadores destacam que outras exposições merecem atenção crescente. Entre elas estão, por exemplo, a fumaça do cigarro dentro de casa, a poluição provocada pela queima de lenha e carvão para cozinhar. Além disso, o gás radônio presente naturalmente em algumas regiões e o contato frequente com substâncias químicas em determinados ambientes de trabalho, também podem impactar a saúde.

O estudo também reúne evidências sobre o tema. Alterações hormonais e mutações genéticas herdadas podem aumentar a vulnerabilidade ao câncer de pulmão. Dessa forma, a doença passa a ser compreendida como resultado da combinação de diferentes fatores biológicos e ambientais.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores envolve a rotina de muitas mulheres. Como elas costumam dedicar mais tempo às atividades domésticas e ao cuidado de familiares, acabam permanecendo por mais tempo em ambientes de risco. Nesses locais, podem existir poluentes provenientes da combustão de lenha, carvão ou da fumaça do cigarro de terceiros.

Já no ambiente profissional, algumas categorias apresentam exposição frequente a agentes potencialmente cancerígenos. É o caso de cabeleireiras, profissionais que aplicam unhas artificiais e trabalhadoras da indústria têxtil. Elas podem entrar em contato diariamente com formaldeído, solventes, amônia e outros compostos químicos.

Diagnóstico precoce ainda é um desafio

Outro alerta da revisão diz respeito ao reconhecimento da doença. Sintomas como tosse persistente, rouquidão, falta de ar, dor no peito e perda de peso costumam ser confundidos com outros problemas respiratórios. Isso pode atrasar a procura por atendimento médico e reduzir as chances de tratamento em fases iniciais.

Portanto, os autores defendem a ampliação das estratégias de rastreamento para pessoas com maior risco. A medida inclui o acesso à tomografia computadorizada de baixa dose, exame que já demonstrou reduzir a mortalidade em estudos internacionais.

Combate ao câncer de pulmão

Os pesquisadores ressaltam que combater o tabagismo continua sendo uma prioridade de saúde pública. No entanto, eles defendem que as estratégias de prevenção também considerem fatores ambientais, ocupacionais e sociais que afetam especialmente a população feminina.

Além de evitar o cigarro e a exposição à fumaça passiva, especialistas recomendam reduzir o contato com produtos químicos sem proteção adequada. É importante manter ambientes bem ventilados e procurar avaliação médica diante de sintomas respiratórios persistentes. O diagnóstico precoce permanece como uma das principais ferramentas para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Para a geneticista Cinthya Sternberg, gerente executiva do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) e autora correspondente da revisão, ampliar esse debate é fundamental. "É necessário ampliar o olhar para fatores ambientais, ocupacionais e sociais que permanecem subestimados e que podem contribuir para o aumento da incidência do câncer de pulmão entre mulheres brasileiras", conclui.

Bons Fluidos
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