Bebida açucarada por dia é associada a mais que o dobro do risco de câncer gástrico
Pesquisa com mais de 112 mil voluntários nos Estados Unidos aponta correlação entre consumo diário de açúcar e diagnósticos no estômago
Estudo com mais de 112 mil voluntários nos EUA revela que consumir uma bebida açucarada por dia pode aumentar em até 2,45 vezes o risco de câncer gástrico, especialmente entre mulheres, enquanto versões de baixa caloria não mostraram relação.
Consumir pelo menos uma bebida adoçada com açúcar por dia pode estar ligado a um risco 2,45 vezes maior de desenvolver câncer gástrico. A conclusão vem de um estudo de longo prazo conduzido pelo Mass General Brigham Cancer Institute com mais de 112 mil voluntários nos Estados Unidos. Os dados, publicados na revista Gastro Hep Advances, reforçam a importância de monitorar o consumo de açúcar na dieta diária.
O levantamento reuniu informações de 112.284 participantes inscritos no Nurses' Health Study e no Health Professionals Follow-Up Study, registrando 278 diagnósticos da doença durante décadas de acompanhamento sobre hábitos alimentares e rotina.
De acordo com o médico e epidemiologista Andrew T. Chan, autor sênior do trabalho, o tumor gástrico figura como a quinta principal causa de morte por neoplasia no planeta, contexto no qual as influências dietéticas ainda eram pouco documentadas.
Como o consumo afeta diferentes grupos e tipos de bebidas?
Mulheres com consumo diário superior a uma porção apresentaram probabilidade 3,04 vezes maior de incidência do tumor, com impacto associado à ingestão elevada de frutose presente em refrigerantes comuns, ponches, limonadas e produtos esportivos.
As bebidas com adoçantes artificiais e versões de baixa caloria não demonstraram relação estatística com o aumento dos registros da patologia após o controle das demais variáveis de saúde.
Quais fatores explicam os limites da pesquisa?
A presença da bactéria Helicobacter pylori foi avaliada em uma amostra de 940 voluntários, sem demonstrar conexão entre a contaminação estomacal e o consumo de líquidos açucarados.
Por se tratar de uma análise observacional baseada majoritariamente em indivíduos brancos, os autores ressaltam que o trabalho não estabelece causalidade direta e requer investigações adicionais com diversidade racial.
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