Bactéria do estômago e relação com câncer gástrico: entenda
Nem sempre essa bactéria leva ao câncer; investigação deve ser definida e conduzida por especialista em gastroenterologia.
A bactéria *H. pylori*, frequentemente assintomática, é o principal fator de risco para o câncer gástrico por causar inflamação crônica no estômago. Embora a maioria dos infectados não desenvolva a neoplasia, a identificação e a erradicação do microrganismo com antibióticos e protetores gástricos reduzem o risco da doença. Especialistas ressaltam que exames e tratamentos não devem ser feitos indiscriminadamente, mas sob orientação médica individualizada para transformar a informação em prevenção.
Ainda que permaneça anos no estômago sem sintomas, a H. pylori pode desencadear câncer
Uma bactéria capaz de permanecer durante anos no estômago, muitas vezes sem provocar sintomas, está diretamente relacionada ao desenvolvimento do câncer gástrico. A Helicobacter pylori, mais conhecida como H. pylori, é considerada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) o principal fator de risco conhecido para a doença e, por isso, é um dos focos da campanha Setembro Rubi, da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
Inflamação no estômago
A relação merece atenção porque a infecção é comum e pode provocar uma inflamação crônica na mucosa do estômago. Ao longo do tempo e associada a outros fatores, essa agressão pode favorecer alterações que aumentam o risco de desenvolvimento do câncer.
Estimativas da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que a bactéria está associada a uma parcela expressiva dos casos de câncer gástrico não localizado na cárdia, região próxima à junção com o esôfago.
"É importante deixar claro que ter H. pylori não significa que a pessoa terá câncer. A maioria dos indivíduos infectados não desenvolverá a doença. O que sabemos é que a infecção é um fator de risco importante", explica o médico Bruno Sanches, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Ele reforça que, uma vez identificada, é necessário avaliar a bactéria e iniciar o tratamento.
Essa questão ganhou ainda mais relevância neste ano. Em março, um grupo internacional de especialistas reunido pela IARC publicou recomendações sobre estratégias de identificação e tratamento da H. pylori como medida de prevenção ao câncer gástrico, reforçando o papel do controle da infecção na redução do risco da doença.
Todo mundo tem que fazer exame?
Mas isso significa que todas as pessoas deveriam fazer exames para descobrir se têm a bactéria? A resposta não é tão simples. A indicação para investigação deve considerar fatores individuais e avaliação médica. Entre os métodos disponíveis, estão testes respiratórios, pesquisa de antígeno nas fezes e análises realizadas durante a endoscopia digestiva alta (tipo de exame). A escolha depende de cada caso e também de fatores que podem interferir no resultado.
"Não é recomendável que a população simplesmente procure um exame por conta própria. Existem situações em que a investigação é especialmente importante, e cabe ao médico avaliar a indicação, escolher o teste adequado e interpretar o resultado", orienta o médico. Ele frisa que somente esse tipo de profissional deve definir o tratamento.
Como é o tratamento?
Quando confirmada e com indicação de tratamento, a infecção é combatida com uma combinação de medicamentos, que inclui antibióticos e supressores da acidez gástrica. Um ponto importante é que o cuidado não termina com a última dose: a confirmação da erradicação da bactéria após o tratamento é uma etapa relevante do acompanhamento.
Cuidado com confusões
Outro ponto importante: não se deve confundir H. pylori com gastrite ou câncer. A bactéria pode causar gastrite e está associada também a úlceras, mas essas condições não são sinônimos. Da mesma forma, sintomas como dor ou desconforto abdominal, sensação de estômago cheio, náuseas e má digestão podem ter inúmeras causas e precisam ser avaliados quando se tornam persistentes.
"O objetivo não é gerar medo em torno de uma bactéria tão frequente, mas transformar conhecimento em prevenção. Saber que existe uma relação entre H. pylori e câncer gástrico permite que médicos e pacientes tomem decisões mais conscientes sobre investigação, tratamento e acompanhamento", alerta o especialista.
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