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"As Mirandas": Meryl Streep e Anna Wintour vestem Prada na Vogue

8 abr 2026 - 12h12
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A revista Vogue dos Estados Unidos revelou esta semana a capa da revista de maio. Nada menos que o encontro de Meryl Streep e Anna Wintour. Nada demais se não fosse a estreia do filme "O Diabo Veste Prada 2", marcada o 30 de abril nos cinemas, às vésperas do tradicional baile Met Gala, que acontece dia 4 de maio. Ou seja, um verdadeiro encontro de Mirandas Priestly. Afinal, a personagem vivida por Meryl foi inspirada em Anna.

Anna Wintour e Meryl Streep para a revista Vogue
Anna Wintour e Meryl Streep para a revista Vogue
Foto: Annie Leibovitz/Reprodução / Elas no Tapete Vermelho

Lembrando que na primeira versão do longa, que estreou há 20 anos, a então diretora da revista Vogue, segundo cometários na época, deu a entender que boicotaria na revista grifes que participassem do filme. Anna Wintour, que hoje é editora global da Vogue, inspirou o personagem do livro homônimo.

Anna Wintour e Meryl Streep para a revista Vogue
Anna Wintour e Meryl Streep para a revista Vogue
Foto: Annie Leibovitz/Reprodução / Elas no Tapete Vermelho

Na capa da revista, Anna aparece com um look vermelho com saia plissada e blusa com enfeites laterais e acessório preto no quadril. Já Meryl Streep, caracterizada como a personagem, com seus cabelos brancos curtos, usa terno azul-marinho e camisa bege. As duas vestem Prada, como revelou o perfil da marca nas redes sociais. Ambas foram fotografadas por Annie Leibovitz.

A entrevista ficou por conta da cineasta Greta Gerwig. Em certo momento, Anna disse: "Em primeiro lugar, gostaria de dizer que é uma grande honra ser interpretada por Meryl, por mais distante que Miranda seja de mim".

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Veja trechos da entrevista, publicada no site da revista Vogue.

Gerwig: Meryl, você e eu estávamos falando sobre mulheres no cinema e os ótimos papéis que as mulheres tiveram — como Bette Davis ou Rosalind Russell. Mesmo em um momento nos Estados Unidos em que não havia muitas mulheres com carreiras consolidadas, os papéis para mulheres eram excelentes. E você disse: "Sim, bem, isso porque não havia nenhuma ameaça real de Rosalind Russell tomar o lugar de Cary Grant."

Streep: Ou do Spencer Tracy. Então foi divertido. Foi como se vestir de mulher.

Gerwig: As mulheres não representavam uma ameaça de fato, então podíamos ser extravagantes e ousadas nos filmes.

Streep: Nós poderíamos ser descaradas, fumar e ser duronas.

Gerwig: O que eu acho interessante aqui é que a personagem de Miranda Priestly é o tipo de papel grandioso que Bette Davis teria permissão para interpretar.

Streep: Absolutamente. Sem remorso algum.

Gerwig: Eu me perguntei se foi por isso que você decidiu, 20 anos depois, voltar. Foi observando o mundo girar e pensando: "Do que precisamos de Miranda agora?"

Streep: Eu estava interessada na parte comercial, nessa coisa de carregar o peso do trabalho de muitas, muitas pessoas, administrar uma grande organização, mantê-la funcionando de alguma forma. Com essa, eu pensei: "Bem, para onde eles vão?" Agora que tudo está se desintegrando, agora que essas instituições estão sendo minadas ou explodidas de uma forma que ninguém sabe o que está acontecendo no mundo agora — eu me perguntava o que eles iriam fazer. E eu acho que eles descobriram algo verdadeiro sobre o mundo dos negócios agora.

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Wintour: O que eu gostei no primeiro filme foi que ele mostrou ao mundo o quão gigantesco é o negócio da moda. É uma verdadeira força econômica global, e o primeiro filme reconheceu isso. Muita coisa mudou. Mas gosto de pensar que estamos evoluindo em vez de nos desintegrando. Ainda estamos aqui. Todos estamos fazendo nosso trabalho — de maneiras diferentes e em múltiplas plataformas, em vez de apenas uma, mas como isso é maravilhoso? Estamos alcançando muito mais pessoas.

Em outro trecho, falam também sobre idade.

Gerwig: Eu adoraria que vocês duas falassem sobre ter 76 anos. Estou na casa dos 40 e olho para vocês duas e penso: "Vale a pena tentar".

Wintour: E estamos sendo fotografados por uma mulher de 76 anos!

Streep: Minha vida… nem consigo falar sobre isso. Essa pergunta é muito complexa. Em relação à Miranda, e voltando a essa personagem 20 anos depois, eu pensei sinceramente sobre a Anna e tentei imaginar como era carregar essa responsabilidade e ser tão interessada no mundo e curiosa quanto ela devia ser. Essa é a chave, eu acho, para estar vivo: sempre desbravar novos caminhos. Sempre romper as ondas. E ainda não terminamos. Mas o que é divertido nessa personagem é que eu usei meus modelos, diferentes pessoas que eu conheço, e a maioria delas são homens. Então isso também me deu certa liberdade.

Wintour: Em primeiro lugar, gostaria de dizer que é uma grande honra ser interpretada por Meryl, por mais distante que Miranda seja de mim. Quem não acharia isso um presente extraordinário? Gosto da minha idade. Sinto-me tão viva, entusiasmada e consciente como sempre, e gosto de aprender com meus filhos e com todas as minhas equipes ao redor do mundo. É sempre emocionante. E acho que com a experiência, você desenvolve um senso de equilíbrio e proporção, e sabe que a vida não é perfeita e que as coisas vão dar errado, e você simplesmente vai dar o seu melhor. Mas se não funcionar, você tem que seguir em frente. Sinto que a idade é, na verdade, uma vantagem.

Elas no Tapete Vermelho
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