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Angelina Jolie explica por que criou seus filhos considerando sua morte precoce: 'Preciso me apressar'

A atriz contou que a morte precoce da mãe influenciou sua visão sobre o futuro, a maternidade e a forma como preparou os filhos para a vida

19 jun 2026 - 07h10
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A maneira como encaramos a vida costuma ser profundamente impactada pelas experiências que vivemos na infância e na juventude. Para muitas pessoas, a perda de um familiar próximo pode alterar não apenas a relação com o luto, mas também a forma de enxergar o futuro. Em entrevista à revista Variety, a atriz Angelina Jolie compartilhou uma reflexão íntima sobre maternidade, mortalidade e o legado que deseja deixar para seus filhos.

Angelina Jolie revelou que sempre teve a sensação de que não viveria por muito tempo e explicou como isso influenciou a criação dos filhos
Angelina Jolie revelou que sempre teve a sensação de que não viveria por muito tempo e explicou como isso influenciou a criação dos filhos
Foto: Reprodução: XNY/Star Max/GC Images / Bons Fluidos

Aos 51 anos, a artista revelou que, durante boa parte da vida, conviveu com a sensação de que não envelheceria. Segundo ela, essa percepção foi influenciada pela história de sua família: sua mãe, Marcheline Bertrand, morreu aos 56 anos em decorrência de um câncer de ovário, e sua avó também faleceu por causa da doença.

"Acho que, por ter perdido minha mãe jovem e nunca ter conhecido minha avó, nunca vivi com a sensação de que teria uma vida longa. Já passei da idade em que minha mãe foi diagnosticada. Talvez eu sofra por sentir que não consigo viver o presente, porque sinto que preciso me apressar e correr, pois o tempo está se esgotando. Crio meus filhos quase que os preparando para a minha ausência, e não tanto para serem avós. É isso o que acontece quando você considera a morte como uma realidade", revelou.

Quando a arte encontra a vida real

O assunto surgiu enquanto Angelina comentava seu trabalho no filme Vidas Entrelaçadas, lançado recentemente nos cinemas brasileiros. Na produção, ela interpreta uma diretora de cinema que tenta equilibrar carreira, maternidade, divórcio e um diagnóstico de câncer de mama. Embora a história seja ficcional, alguns elementos dialogam diretamente com experiências vividas pela atriz.

Em 2013, Angelina revelou publicamente ter passado por uma mastectomia dupla preventiva após descobrir que era portadora da mutação genética BRCA1, associada ao aumento do risco de câncer de mama e de ovário. A decisão foi compartilhada em um artigo publicado no jornal The New York Times e abriu uma importante discussão sobre prevenção e saúde feminina.

Durante as gravações do novo longa, uma cena em especial despertou emoções profundas. Nela, a personagem se prepara para uma cirurgia enquanto conversa com um médico sobre a finitude da vida. "Como paciente, como mulher, eu queria perguntar: 'Vai ficar tudo bem?'. É muito impactante perceber - como o médico diz no filme - que todos nós vamos morrer, que não estamos aqui para sempre", afirmou.

O medo da perda e a construção da maternidade

Angelina é mãe de seis filhos: Maddox, Pax, Zahara, Shiloh e dos gêmeos Knox e Vivienne. Segundo a atriz, a consciência constante da fragilidade da vida influenciou sua forma de exercer a maternidade.

Sua fala chama atenção para uma experiência compartilhada por muitas pessoas que passaram por perdas significativas: a tendência de se preparar para o pior cenário possível, mesmo quando não existe uma ameaça concreta no presente.

Ao longo dos anos, ela procurou garantir que os filhos desenvolvessem autonomia e estivessem emocionalmente preparados para enfrentar desafios, uma postura que, segundo a própria atriz, está ligada à maneira como aprendeu a conviver com a ideia da morte desde cedo.

O incentivo dos filhos para recomeçar

Se por um lado a maternidade trouxe preocupações, por outro também se tornou uma importante fonte de força. Angelina contou que chegou a reduzir o ritmo da carreira para permanecer mais próxima dos filhos, especialmente durante períodos difíceis de sua vida pessoal.

"Eu meio que tinha parado de atuar antes do meu divórcio. Eu estava me concentrando na direção e pensei que faria apenas meus trabalhos internacionais. Mas, de repente, percebi que a única maneira de ficar mais em casa e passar curtos períodos fora ou de ganhar um bom dinheiro, era voltar a atuar. Eu só aceitava trabalhos curtos, perto de casa ou que me permitisse levar [os meus filhos]", explicou.

Agora, com os filhos mais velhos, a situação mudou. Segundo a atriz, eles passaram a incentivá-la a retomar projetos e explorar novas oportunidades profissionais. 

"Acho que meu espírito guerreiro finalmente voltou. Eu o perdi por um tempo. Fiquei meio desanimada, mas ele está voltando em grande parte graças aos meus filhos, que agora estão mais velhos e me incentivam. Meus filhos já têm quase 18 anos, então, agora eles querem me ver viajando pelo mundo, querem que eu saia e faça coisas. Eles me conhecem melhor do que ninguém e ainda gostam de mim, o que diz muito. Acho que eles me incentivam muito a retomar aspectos de mim mesma que talvez eu não me sentisse tão livre para explorar", observou.

Entre o passado e o futuro

O relato de Angelina Jolie mostra como as experiências familiares podem moldar profundamente a maneira como enxergamos o tempo, a saúde e os relacionamentos. Ao falar sobre a morte sem rodeios, a atriz não apenas compartilha uma vulnerabilidade pessoal, mas também lança luz sobre um tema universal: a tentativa de encontrar equilíbrio entre o medo das perdas e o desejo de viver plenamente o presente.

Em sua trajetória, a maternidade parece ter se transformado justamente nesse ponto de encontro entre essas duas forças - a consciência da finitude e a esperança de continuar construindo novos capítulos.

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