Alergias: diagnóstico precoce ajuda no controle da doença
Diagnóstico e imunização são aliados no controle das alegias e doenças respiratórias
Alerta para o aumento de casos respiratórios e a importância do diagnóstico precoce e da imunoterapia
No Brasil, cerca de 30% da população, aproximadamente 64 milhões de pessoas, sofre com algum tipo de alergia, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Desse total, mais de 12 milhões são crianças que convivem com sintomas que vão desde espirros e coceiras constantes até quadros mais graves, como asma e anafilaxia. O cenário preocupa: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 metade da população mundial poderá desenvolver algum tipo de alergia.
Dados do V Consenso Brasileiro sobre Rinites (2024) apontam que 12,8% das crianças brasileiras entre 6 e 7 anos e 18% dos adolescentes de 13 a 14 anos já apresentam rinite alérgica, índices que vêm crescendo nas grandes cidades. Além disso, o país registrou mais de 12 mil mortes por asma entre 2019 e 2023.
"Hoje vemos cada vez mais pacientes jovens com sintomas persistentes, especialmente em centros urbanos. A poluição, as mudanças climáticas e o aumento da exposição a alérgenos têm ampliado os casos. Muitas vezes, as pessoas acreditam que é apenas uma gripe ou sinusite, mas podem estar convivendo com uma alergia não diagnosticada", explica Lígia Machado, médica alergista do Lavoisier.
Sinais de alerta das alergias
Entre os sinais que indicam a necessidade de procurar um especialista estão:
- Espirros frequentes;
- Congestão nasal;
- Coceira nos olhos;
- Tosse seca;
- Falta de ar;
- Irritação na pele.
Pessoas com histórico familiar de alergias, ou que apresentam sintomas recorrentes após contato com poeira, mofo, pelos de animais ou pólen, também devem buscar avaliação médica.
O diagnóstico é fundamental para identificar os agentes causadores e definir o tratamento ideal. Exames como testes cutâneos e dosagem de IgE específica (metodologia ImmunoCAP) auxiliam na identificação dos alérgenos e permitem um tratamento direcionado e preventivo. A imunoterapia alérgeno-específica, conhecida como "vacina para alergia", é uma das estratégias mais eficazes. Pois induz a tolerância gradual do sistema imunológico, diminuindo os sintomas clínicos.
"A imunoterapia é hoje uma das principais ferramentas no controle das doenças alérgicas. Ao expor o paciente, de forma controlada, ao alérgeno responsável pela reação, conseguimos modificar a resposta imunológica e reduzir de forma duradoura os sintomas. Em muitos casos, há remissão completa, o que diminui significativamente a dependência de medicamentos", detalha Lígia.
Vacinação é fundamental
Manter o calendário vacinal em dia também é essencial para evitar complicações respiratórias. Imunizantes contra gripe, COVID-19, pneumonia e vírus sincicial respiratório (RSV) ajudam a prevenir infecções que, em pessoas com doenças alérgicas pré-existentes, podem agravar os sintomas. Estudos recentes publicados no Clinical Infectious Diseases (2024) mostram que a vacinação contra COVID-19 reduz em 32% o risco de agravamento de doenças respiratórias em pacientes com histórico alérgico.