Afinal, é seguro eliminar totalmente o açúcar da dieta? Especialista responde
Especialista em Nutrição Esportiva analisa estudo que sugere como dietas muito restritivas prejudicam a saúde intestinal e o metabolismo
Durante anos, reduzir o açúcar se tornou uma das principais recomendações para quem busca uma vida mais saudável. No entanto, quando essa restrição se torna extrema, os efeitos podem não ser os esperados.
Essa é a principal reflexão apresentada por Guy Guppy, professor de Nutrição Esportiva e Fisiologia do Exercício da Kingston University, em um artigo publicado no' The Conversation'. Segundo ele, um estudo recente mostrou que eliminar completamente o açúcar da alimentação pode causar impactos negativos no organismo, especialmente na saúde intestinal.
Os resultados exigem cautela
Guppy afirma que os resultados chamam atenção para um possível risco das dietas extremamente restritivas. "Tentar 'limpar' o organismo excluindo uma classe inteira de nutrientes pode acabar prejudicando justamente o sistema que se pretende proteger", apontou.
Além disso, segundo o pesquisador, os hormônios indicavam que o intestino estava em desequilíbrio, enquanto o organismo perdeu parte da capacidade de controlar a glicose no sangue de forma eficiente. Esse resultado reforça que a saúde metabólica vai além do número mostrado na balança.
O papel das bactérias do intestino
Grande parte dessa explicação está na microbiota intestinal. De acordo com Guy Guppy, algumas bactérias benéficas utilizam açúcares simples como fonte de energia para produzir compostos importantes para o organismo. Essas substâncias ajudam a fortalecer a parede intestinal, favorecem a absorção de nutrientes e participam da regulação do apetite e da resposta à insulina.
Quando esses microrganismos deixam de receber nutrientes suficientes, ocorre um desequilíbrio. Com isso, bactérias menos benéficas passam a ocupar esse espaço, favorecendo inflamações e comprometendo o funcionamento do intestino.
Reduzir açúcar continua sendo importante
Apesar das conclusões do estudo, o especialista ressalta que isso não significa que alimentos ricos em açúcar devam fazer parte da rotina.
Pelo contrário. O consumo excessivo de produtos ultraprocessados continua associado ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças metabólicas. A principal mensagem, segundo Guppy, então, é evitar os extremos. Em vez de excluir totalmente os carboidratos simples, vale priorizar alimentos que fornecem açúcares naturais acompanhados de fibras e nutrientes.
Entre eles estão:
- Frutas;
- Legumes;
- Grãos integrais.
Da mesma forma, alimentos fermentados, como kefir, chucrute e iogurtes com culturas vivas, podem contribuir para a recuperação da microbiota intestinal após períodos de dietas muito restritivas.
Portanto, em vez de tratar a alimentação como uma lista de proibições, o professor defende uma abordagem mais ampla, baseada na diversidade de nutrientes para manter o intestino saudável. Como resume Guy Guppy, "um organismo saudável depende de um intestino diverso e bem nutrido."
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