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Colocação de DIU dói mais do que o esperado, mostra estudo com mais de 7 mil procedimentos

Profissionais de saúde frequentemente descrevem a inserção do dispositivo intrauterino, conhecido como DIU, como um procedimento rápido e com dor geralmente leve.

29 jun 2026 - 16h31
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Profissionais de saúde frequentemente descrevem a inserção do dispositivo intrauterino, conhecido como DIU, como um procedimento rápido e com dor geralmente leve. No entanto, uma pesquisa recente da Unicamp analisou mais de 7 mil inserções e revelou outro cenário. Mais da metade das mulheres relatou dor moderada a intensa durante a colocação. Esse dado contrasta com estimativas de manuais oficiais, que indicam dor severa em menos de 5% dos casos.

O DIU funciona como um método contraceptivo de longa duração, colocado dentro do útero por um profissional de saúde. Existem modelos de cobre e hormonais, ambos com alta eficácia para evitar gravidez por vários anos. Apesar dessa eficiência, o momento da inserção ainda causa dúvidas e receios. Isso ocorre porque muitos relatos de pacientes não coincidem com o que os materiais técnicos descrevem.

O que é o DIU e por que é considerado tão eficaz?

O DIU consiste em um pequeno dispositivo em formato de "T". O profissional introduz o dispositivo no interior do útero por meio de um aplicador. No caso do DIU de cobre, o metal altera o ambiente uterino e interfere na movimentação dos espermatozoides. Assim, ele dificulta a fecundação. Já o DIU hormonal libera pequenas quantidades de progestagênio. Dessa forma, o dispositivo engrossa o muco cervical e afina o endométrio, o que reduz a chance de implantação do embrião.

Entre os métodos reversíveis, o DIU figura entre os mais eficazes. As taxas de falha geralmente permanecem abaixo de 1% ao ano quando o dispositivo se encontra bem posicionado. Além disso, a proteção prolongada, que pode durar de 3 a 10 anos, reduz a necessidade de lembrar diariamente de comprimidos. Também diminui a obrigação de negociar o uso de outros métodos em cada relação sexual. Por essa razão, especialistas classificam o método como um contraceptivo de longa ação, frequentemente recomendado em políticas de saúde reprodutiva.

Profissionais costumam realizar o procedimento de colocação em ambulatório ou consultório. Em geral, o processo inclui exame ginecológico, colocação de espéculo, limpeza do colo do útero e medição da cavidade uterina. Em seguida, o profissional insere o dispositivo por um tubo fino. Embora muitos considerem o ato relativamente simples na prática clínica, o estudo da Unicamp indica outro ponto importante. A experiência real das pacientes durante esses minutos muitas vezes se mostra mais dolorosa do que os manuais técnicos sugerem.

Profissionais costumam realizar o procedimento de colocação em ambulatório ou consultório._depositphotos.com / imagepointfr
Profissionais costumam realizar o procedimento de colocação em ambulatório ou consultório._depositphotos.com / imagepointfr
Foto: Giro 10

Dor na colocação de DIU é realmente tão frequente?

Na pesquisa da Unicamp, que avaliou mais de 7 mil procedimentos de inserção de DIU, mais da metade das mulheres relatou dor moderada a intensa no momento da colocação. Esse resultado diverge dos documentos oficiais e guias técnicos. Esses materiais sustentam que a dor severa ocorreria em menos de 5% das inserções. Portanto, a diferença indica que muitos protocolos tradicionais subestimam o impacto da dor.

Esse contraste afeta diretamente a forma de apresentar o método em consultas e materiais informativos. Quando uma mulher lê que a maioria sente apenas um "desconforto leve", cria uma expectativa específica. Porém, se na prática ela enfrenta dor intensa, sua percepção sobre o atendimento muda. A confiança no profissional e no próprio método contraceptivo também pode diminuir, o que interfere na adesão ao planejamento reprodutivo.

A análise de um número elevado de procedimentos, como no estudo da Unicamp, permite observar padrões que amostras menores não mostram. O achado de dor mais comum e mais intensa do que a descrita em manuais técnicos sinaliza outra necessidade. Profissionais precisam revisar as estimativas usadas para orientar a prática clínica, principalmente em relação à prevenção e manejo da dor durante a inserção do DIU.

Por que a experiência de dor no DIU varia entre as mulheres?

A dor na colocação de um DIU não se apresenta de forma uniforme. Cada mulher vivencia o procedimento de maneira diferente, e múltiplos fatores explicam essa variação. Entre eles, especialistas destacam a sensibilidade individual à dor, o estado emocional no momento do exame, o histórico reprodutivo e o tipo de DIU utilizado.

  • Sensibilidade individual: limiares de dor variam de pessoa para pessoa. Mulheres com histórico de dores pélvicas crônicas ou cólicas intensas costumam perceber a inserção como mais dolorosa.
  • Ansiedade e expectativa: medo do procedimento, experiências prévias negativas com exames ginecológicos e falta de informação detalhada aumentam a tensão muscular. Consequentemente, esses fatores intensificam a percepção dolorosa.
  • Histórico reprodutivo: em geral, mulheres que nunca passaram por parto vaginal apresentam colo do útero mais fechado. Isso pode tornar a passagem dos instrumentos mais desconfortável.
  • Tipo de DIU: modelos com diâmetro diferente ou com aplicadores variados influenciam a sensação durante a inserção. Alguns dispositivos exigem maior dilatação do colo, o que pode aumentar a dor.
  • Técnica do profissional: a habilidade na manipulação dos instrumentos, o tempo dedicado à explicação passo a passo e o uso de recursos para alívio da dor interferem diretamente na experiência relatada.

Esses elementos ajudam a entender por que, mesmo em um mesmo serviço de saúde, as pacientes descrevem vivências tão distintas. Algumas relatam apenas desconforto, enquanto outras mencionam dor intensa. A pesquisa com milhares de casos reforça que esses relatos não representam exceções. Em vez disso, formam parte relevante do cenário clínico.

Como surge a discrepância entre dados clínicos e relatos de pacientes?

A diferença entre o que os manuais descrevem e o que os estudos com grandes amostras mostram pode ter várias origens. Uma delas envolve a subnotificação da dor em registros clínicos. Muitos serviços não coletam essa informação de forma sistemática ou não a tratam como prioridade. Em geral, as equipes concentram a atenção em eficácia contraceptiva e complicações imediatas.

Outra possibilidade inclui a subestimação da dor em diretrizes baseadas em estudos menores ou em observações de profissionais. Muitas vezes, esses materiais não utilizam instrumentos padronizados de avaliação da dor. Em alguns contextos, as mulheres também minimizam o relato por receio de julgamentos sobre resistência física. Assim, esse comportamento distorce a percepção real do desconforto associado ao procedimento.

Pesquisas como a conduzida pela Unicamp, com mais de 7 mil inserções, ajudam a reduzir esses vieses. Os pesquisadores coletam dados estruturados diretamente das pacientes, muitas vezes logo após o procedimento. Além disso, utilizam escalas claras de intensidade de dor. Dessa maneira, os resultados permitem ajustar protocolos de atendimento e aproximar a prática clínica da experiência real de quem passa pela inserção do DIU.

Impactos na orientação médica e na decisão compartilhada

No atendimento em saúde reprodutiva, a tomada de decisão compartilhada depende de informações precisas sobre benefícios, riscos e possíveis desconfortos. Portanto, se a dor na colocação do DIU ocorre com mais frequência e maior intensidade do que os manuais sugerem, o profissional precisa incluir esse dado na conversa. Isso deve acontecer antes do procedimento.

Uma explicação clara sobre o que a mulher pode sentir contribui para uma escolha mais consciente. O profissional também deve apresentar as estratégias de alívio disponíveis e as alternativas contraceptivas. Dessa forma, a paciente consegue comparar opções com mais segurança. O reconhecimento da dor como aspecto relevante fortalece a relação de confiança. Afinal, esse cuidado mostra que a equipe leva em conta a experiência subjetiva da paciente no planejamento reprodutivo.

Ao mesmo tempo, a divulgação desses dados não visa desestimular o uso do DIU. O objetivo consiste em ajustar expectativas e reforçar que existem formas de tornar o procedimento mais tolerável. Em um cenário de ampliação do acesso a métodos de longa duração, essa transparência ganha importância crescente nas políticas de saúde.

Quais estratégias podem melhorar o manejo da dor na inserção do DIU?

Diante dos resultados da pesquisa, cresce o debate sobre como reduzir o desconforto durante a colocação do DIU. Especialistas em ginecologia e dor indicam um conjunto de medidas que os serviços de saúde podem incorporar na rotina. Assim, o procedimento tende a se tornar menos doloroso.

  1. Anestesia local: uso de anestésicos no colo do útero, por spray, gel ou injeção. Essa medida diminui a sensibilidade durante a passagem dos instrumentos e do dispositivo.
  2. Medicação prévia: analgésicos ou anti-inflamatórios tomados antes do procedimento podem atenuar cólicas e desconforto pélvico após a inserção.
  3. Preparo psicológico: explicação detalhada, passo a passo, com tempo para perguntas e esclarecimento de mitos reduz a ansiedade. Como resultado, a paciente se prepara melhor para cada etapa.
  4. Ambiente acolhedor: privacidade, postura respeitosa e linguagem clara favorecem o relaxamento muscular. Portanto, essas condições podem diminuir a intensidade da dor.
  5. Capacitação da equipe: treinamento específico em técnicas de inserção, manejo da dor e comunicação em saúde reprodutiva contribui para padronizar boas práticas.

O estudo da Unicamp mostrou que a colocação do DIU dói mais do que muitos esperavam em grande parte das pacientes. Esse achado reforça a necessidade de atualizar diretrizes e protocolos. A tendência aponta para novas pesquisas e revisões sistemáticas que incorporem esses resultados. Assim, os serviços podem adotar estratégias combinadas de alívio de dor, preparo emocional e qualificação técnica. Dessa forma, o DIU continua entre os métodos contraceptivos mais eficazes, porém com uma experiência de inserção mais alinhada às expectativas e necessidades das mulheres.

O estudo da Unicamp mostrou que a colocação do DIU dói mais do que muitos esperavam em grande parte das pacientes._depositphotos.com / CLIPAREA
O estudo da Unicamp mostrou que a colocação do DIU dói mais do que muitos esperavam em grande parte das pacientes._depositphotos.com / CLIPAREA
Foto: Giro 10
Giro 10
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