Faltam metas para plano de resíduos de SP, diz especialista
- Jenifer Rosa
- Direto de São Paulo
Faltam metas precisas no Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos de São Paulo que acaba de ser anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab, critica o diretor da consultoria Keyassociados Ricardo Valente. "A parte da coleta do lixo no plano é boa e bem detalhada, mas faltam metas mais precisas para destinação final deste lixo", explica o especialista ouvido pelo Sustentabilidade.
O plano aprovado por Kassab atende ao previsto na Lei n.º 12.305, de 2 de agosto de 2010. De acordo com a legislação, Estados e municípios que não tenham formulado planos de gerenciamento de resíduos não terão acesso a verbas do governo federal para o setor. Terminou ontem, dia 2, o prazo para a apresentação dos planos.
Os programas devem focar a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. Entre as medidas previstas no plano paulista está a modernização do sistema de coleta, tratamento e disposição dos resíduos sólidos, incentivo à criação de cooperativas para a coleta seletiva de materiais em condições de reciclagem e reversão de matérias-primas para o mercado, como também desenvolvimento de programas de conscientização ambiental e implantação de tecnologias no processo de destinação final.
O plano da Prefeitura prevê a implantação de 17 centrais de triagem de resíduos no curto e médio prazos e a entrega, até o fim do ano, de 700 pontos de recebimento de pequenos volumes de resíduos. A cidade já conta com 800. Também está previsto o aumento dos Ecopontos (locais públicos com caçambas para recebimento de materiais recicláveis como móveis velhos, restos de construção, garrafas pet etc. destinados à reciclagem - na cidade, de 40 para 96, além da instalação de Ecoparques (locais com biodigestores para geração de energia a partir do lixo).
Para Valente, o plano peca por não ser preciso nos resultados. "Não adianta dizer que irão aumentar os Ecopontos. Faltam metas de reciclagem no entorno dos Ecopontos e dos pontos de coleta. É necessário saber o quanto será investido e o quanto deve ser reciclado", explica.
Os moradores da cidade de São Paulo produzem diariamente 10 mil toneladas de lixo, segundo o especialista. Do total, entre 20% a 30% (2 mil a 3 mil toneladas)podem ser reciclados diariamente. "Outra coisa, no plano, eles pensaram na coleta, mas não na destinação. A cidade tem porte e renda para novas possibilidades que vão além do aterro, como incineradores de lixo", afirma.
Para o especialista, focar principalmente na criação de cooperativas e no trabalho de catadores não é a melhor política para cidade paulista. "A iniciativa privada é necessária para diminuir a quantidade de lixo na cidade."
Valente ressalta que, apesar de estar contemplada no plano, faltam medidas efetivas para educação ambiental. "Eles deveriam prever um trabalho de conscientização da população."
Se o plano preparado pela prefeitura, que já conta com uma estrutura sólida, deixa a desejar, a situação das pequenas cidades é mais complicada. Elas teão grande dificuldade dificuldades para atender o que demanda a lei federal. "Se as cidades pequenas não se consorciarem, dificilmente vão conseguir atender ao que requer a legislação", afirma Valente.