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Área junto ao Burle Marx, última mata preservada do Pinheiros entra em lista de novos parques de SP

Mudança está em nova versão do projeto de revisão do Plano Diretor, que ainda precisa ser aprovado pela Câmara; proposta de expansão da unidade na zona sul vem após mobilização popular

24 mai 2023 - 17h43
(atualizado às 20h46)
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A alteração no projeto de lei da revisão do Plano Diretor apresentada na terça-feira, 23, determina a expansão do Parque Burle Marx com a anexação de áreas verdes do entorno consideradas por especialistas como parte da última mata ciliar do Rio Pinheiros e um raro exemplo de Mata Atlântica preservada na cidade de São Paulo. A mudança atende a uma mobilização popular de cerca de 10 anos após tentativas de incorporadoras para o desmatamento de mais de 5 mil árvores e a construção de condomínios no distrito Vila Andrade, zona sul paulistana.

A ampliação do parque foi incluída na nova versão do PL, apresentada pelo relator da revisão, o vereador Rodrigo Goulart (PSD). "Houve grandes manifestações em quase todas as nossas audiências públicas", justificou ao apresentar a proposta em audiência pública na terça-feira, 23.

O texto ainda passará por alterações ao menos até a próxima quarta-feira, 31, quando será submetido para apreciação em primeira votação na Câmara Municipal. A previsão é que passe por audiências públicas na segunda, 29, e terça-feira, 30, e seja aprovado em segunda e definitiva votação ainda na primeira quinzena de junho.

A expansão do parque é apoiada pela gestão Ricardo Nunes (MDB). Em nota enviada ao Estadão, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente diz considerar "pertinente" a proposta, "devendo primeiramente serwm aprofundados os estudos de viabilidade dessa ampliação".

Se for aprovada, a expansão vai mais do que dobrar a área do Burle Marx, ultrapassando os 330 mil metros quadrados, ao incluir lotes preservados envolta do parque e uma área verde na quadra ao lado, entre a Rua Itapaiúna e a Avenida Dona Helena Pereira de Moraes.

O botânico e paisagista Ricardo Cardim é um dos apoiadores da expansão e já chegou a fazer um parecer sobre a diversidade da flora local. "É o último remanescente das matas ciliares do Rio Pinheiros, o que não é pouco", descreve.

"É um repositório de plantas nativas, bichos nativos, paulistanos. Representa a genética original do território paulistano", acrescenta. Ele também explica que esse bioma é melhor preservado quando em maior dimensão.

"A Mata Atlântica não vive em fragmentos pequenos. Precisa de grandes áreas para sobreviver no médio e longo prazo. Quanto maior a floresta, mais chance de se perpetuar por gerações. Ali tem um dos últimos trechos das antigas várzeas do Rio Pinheiros, de altíssima biodiversidade e que foi quase extinto no município."

Na última década, o Estadão tem acompanhado a mobilização pela preservação da área, que envolveu decisões liminares que conseguiram barrar empreendimentos na Justiça Federal. No vídeo abaixo, por exemplo, o advogado Roberto Delmanto Junior mostrou como estava o local em 2014, em meio ao risco de desmatamento para a construção de um condomínio de alto padrão.

Ao longo de quase uma década, especialistas em fauna e flora elaboraram pareceres sobre a biodiversidade do local. Em 2015, por exemplo, peritos do MPF e biólogos identificaram 65 espécies de aves em apenas oito dias, como o gavião-pomba, o pica-pau verde e a araponga. Também foram encontradas diferentes árvores da Mata Atlântica, como pau-jacaré e aroeira, e plantas raras, como a pimenta-de-macaco. Talvez a maior descoberta em relação à fauna tenha sido a identificação, há quase 10 anos, de uma espécie então inédita de caramujo, o Adelopoma Paulistanum.

A inclusão da área verde no quadro de novos parques previstos na lei não significa que a implementação ocorrerá imediatamente após a aprovação. A maioria dos locais listados da atual versão do Plano Diretor, de 2014, não foram entregues, por exemplo.

"É importante ressaltar que o Plano Diretor Estratégico (PDE) propõe a implantação de novos parques, mas cada área verde precisa da realização de obras, manutenção, roçagem, manejo arbóreo e vigilância", justificou a Prefeitura. Hoje, São Paulo tem 111 parques e ao menos cinco estão previstos para inauguração até o fim da gestão Nunes, em 2024.

Estadão
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