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O silencioso retorno das marcas de cigarro à Fórmula 1

Apesar da proibição, Ferrari e McLaren estampam marcas ligadas à indústria do tabaco, como "Mission Winnow", "A Better Tomorrow" e "Vuse"

1 jan 2021
06h00
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McLaren estampa a marca de cigarro eletrônico Vuse, do grupo British American Tobacco.
McLaren estampa a marca de cigarro eletrônico Vuse, do grupo British American Tobacco.
Foto: Divulgação

Seja pela Marlboro presente no McLaren pilotado por Ayrton Senna e na Ferrari de Michael Schumacher, ou então pela Mild Seven no Renault de Fernando Alonso, as marcas de cigarro fizeram história por muitos anos na Fórmula 1. No entanto, ainda que estejam afastadas do automobilismo desde 2007 -- ano em que a publicidade tabagista foi proibida na categoria -- algumas empresas vêm ensaiando um retorno discreto aos carros de corrida nas últimas temporadas. 

A Philip Morris International, uma das maiores empresas de tabaco do mundo e detentora de várias marcas de cigarro, é patrocinadora da Scuderia Ferrari há mais de 40 anos. Através da Marlboro, ela fez história com a McLaren nos anos 80, quando a escuderia brilhou com Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna. Alguns anos depois, a mesma marca também esteve presente nos anos em que Michael Schumacher estabeleceu uma série de recordes e se sagrou heptacampeão. 

Marca Mission Winnow no SF1000 rendeu uma ameaça de processo à Ferrari por propaganda subliminar.
Marca Mission Winnow no SF1000 rendeu uma ameaça de processo à Ferrari por propaganda subliminar.
Foto: Divulgação

A parceria entre Philip Morris e a Ferrari continuou mesmo depois da proibição, sempre com associações quase subliminares à Marlboro nos carros da escuderia. Além da pintura em código de barras e até mesmo uma mudança no logotipo da equipe, a empresa tem uma forte influência nas decisões estratégicas da Ferrari. Um exemplo foi a contratação de Maurizio Arrivabene (ex-Philip Morris), que foi chefe de equipe da Ferrari entre 2014 e 2019.

Marca Mission Winnow no SF1000 rendeu uma ameaça de processo à Ferrari por propaganda subliminar.
Marca Mission Winnow no SF1000 rendeu uma ameaça de processo à Ferrari por propaganda subliminar.
Foto: Divulgação

A partir da temporada de 2018, a Philip Morris passou a estampar a marca Mission Winnow nos carros da Ferrari e também nos macacões e capacetes dos pilotos e membros da equipe. A marca Mission Winnow passou até mesmo a fazer parte do nome da equipe italiana, que passou a se chamar Scuderia Ferrari Mission Winnow. 

Parceria entre McLaren e British American Tobacco começou em 2019 com a iniciativa “A Better Tomorrow”.
Parceria entre McLaren e British American Tobacco começou em 2019 com a iniciativa “A Better Tomorrow”.
Foto: Divulgação

De acordo com a Philip Morris, a Mission Winnow é “um programa de comunicação que representa progresso, transparência e busca incessante por melhorias, sem estar relacionada a qualquer marca ou produto”. Apesar de não estar diretamente ligada à indústria tabagista, a Mission Winnow desde o início se mostrou bastante polêmica. 

Em países nos quais a publicidade de cigarros é proibida, a Ferrari teve que remover qualquer menção à marca. Além disso, autoridades reguladoras dos países chegaram a analisar possíveis semelhanças com o logotipo da Marlboro. No entanto, durante a pré-temporada de 2020, a apresentação do modelo SF1000 com a marca Mission Winnow estampada levou um grupo de consumidores italianos (Codacons) a ameaçarem judicialmente a Ferrari. 

Para tentar driblar a proibição da publicidade de tabaco, a Ferrari correu de 2007 a 2010 com um código de barras no lugar da marca da Marlboro.
Para tentar driblar a proibição da publicidade de tabaco, a Ferrari correu de 2007 a 2010 com um código de barras no lugar da marca da Marlboro.
Foto: Divulgação

Segundo a Codacons, a escuderia italiana estaria, mais uma vez, promovendo propaganda subliminar de cigarros. Esses fatores fizeram com que a Ferrari optasse por correr durante a última temporada sem exibir a Mission Winnow. A marca foi citada apenas em redes sociais e em campanhas publicitárias em países onde é permitida a propaganda de cigarros.

Além da Marlboro, outro recente caso do retorno de uma marca de tabaco à categoria é o da British American Tobacco (BAT). Patrocinadora da McLaren desde 2019, através da iniciativa “A Better Tomorrow”, a empresa anglo-americana de tabaco também tem um forte histórico ligado à Fórmula 1, e já teve até mesmo uma equipe própria na categoria. 

Marlboro fez história na McLaren pilotada por Senna, Prost e Lauda nos anos 80.
Marlboro fez história na McLaren pilotada por Senna, Prost e Lauda nos anos 80.
Foto: Divulgação

A British American Racing (BAR) surgiu em 1999 no lugar da tradicional Tyrrell e correu até a temporada de 2005, quando foi substituída pela Honda. A BAR teve como resultado de maior destaque o vice-campeonato de construtores na temporada de 2004, atrás apenas da campeã Ferrari. Em sete temporadas, a equipe disputou 117 GPs e chegou ao pódio 15 vezes, mas nunca venceu. Os pilotos Jacques Villeneuve, Jenson Button e o brasileiro Ricardo Zonta correram pela escuderia.

Depois de 13 anos afastada da Fórmula 1, a BAT afirma que a iniciativa “A Better Tomorrow” é “uma plataforma de inovação e desenvolvimento, com foco em produtos de risco potencialmente reduzido”. Dentre esses produtos estão os cigarros eletrônicos da Vuse e o tabaco mastigável da Velo, e que também tiveram suas marcas exibidas nos carros da McLaren. 

British American Tobacco teve uma equipe de Fórmula 1 de 1999 a 2005, a British American Racing.
British American Tobacco teve uma equipe de Fórmula 1 de 1999 a 2005, a British American Racing.
Foto: Divulgação

Ainda que estejam longe de atingir o destaque que tiveram até os anos 2000, o retorno das marcas de cigarro na categoria esbarra na legislação de vários países e da própria FIA. E em tempos nos quais há a procura por modos de vida saudáveis, será que ainda há espaço para o tabaco na Fórmula 1?

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