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Análise: Chevrolet Onix tem apenas 62% da força pré-pandemia

Queda de vendas mostra que Onix não conta mais com o “efeito Lewis Hamilton” e precisa lutar duplamente para manter uma liderança folgada

4 ago 2020
19h47
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Chevrolet Onix: "efeito Lewis Hamilton" tem prazo de validade até 2020.
Chevrolet Onix: "efeito Lewis Hamilton" tem prazo de validade até 2020.
Foto: GM / Divulgação

Muitos fatores precisam ser considerados para explicar a queda de vendas do Chevrolet Onix durante a pandemia de coronavírus e a consequente perda da liderança em julho. Para além da razão óbvia, que foi o crescimento do Volkswagen T-Cross nas vendas diretas, o que precisa ser analisado é o comportamento isolado do Onix.

O Onix deixou de ser um bom carro? Claro que não! Ele continua sendo um dos melhores hatches compactos do país. Mas talvez o preço não seja mais tão atraente num cenário de queda do poder de compra dos consumidores. O novo Onix tem duas versões com motor 1.0 aspirado: a de entrada por R$ 56.290 e a LT por R$ 58.090. Já nas versões 1.0 turbo, são quatro versões, que vão de R$ 65.090 a R$ 77.090.

O mais estranho é o posicionamento do velho Onix, rebatizado de Joy, que passou a ser vendido somente na versão Black. Esse carro custa R$ 55.990, apenas R$ 300 a menos do que o novo Onix de entrada. O motor é o antigo 1.0 de quatro cilindros. Evidentemente, o Chevrolet Joy permite maior flexibilidade nas ofertas, porém o cenário para negociações não anda muito propício num ambiente mais digital do que presencial.

Chevrolet Joy: agora só na versão Black, mas por apenas R$ 300 a menos que o novo Onix.
Chevrolet Joy: agora só na versão Black, mas por apenas R$ 300 a menos que o novo Onix.
Foto: GM / Divulgação

Em janeiro, a dupla Chevrolet Onix/Joy emplacou 17.463 unidades. Desse total, 12.495 foram negociações de varejo e apenas 4.968 foram vendas diretas. Ou seja: 71,5% das vendas foram realizadas nas concessionárias. Em julho, a dupla Chevrolet Onix/Joy emplacou 9.716 unidades. Dessas, 7.993 foram no varejo e 1.723 foram em vendas diretas, proporção de 82,3% para os negócios nas concessionárias.

Em janeiro, as vendas totais do Chevrolet Onix representaram 9,5% do mercado (total de 184,1 mil vendas). Em julho, a participação do Onix caiu para 5,9% (total de 163,1 mil vendas). Com a recuperação do mercado, o Onix já deveria estar vendendo mais de 15,4 mil unidades mês se tivesse mantido o ritmo pré-pandemia. Fica evidente que o mercado mudou. O Chevrolet Onix neste “novo normal”, como se diz, tem apenas 62% da força que tinha antes.

Outro fator importante a ser considerado foi a chegada do Chevrolet Tracker. Irmão de plataforma do Onix, mas em formato SUV, o Tracker parte de R$ 87.490 e chega a R$ 119.490. Portanto, trata-se de um negócio mais atraente para a General Motors do que as versões mais acessíveis da dupla Onix/Joy, por ser mais rentável. O perfil do consumidor mudou. Só as pessoas mais abonadas estão comprando carros zero km em 2020. Por isso, o esforço de vendas da GM pode estar concentrado no Chevrolet Tracker, assim como o da Volkswagen foi direcionado para o T-Cross.

Desse bolo todo podemos concluir que os quase 30 mil carros de vantagem que o hatchback da GM abriu na liderança serão suficientes para lhe dar o hexacampeonato de vendas. Afinal, o Chevrolet Onix corre mais ou menos como Lewis Hamilton na atual temporada da Fórmula 1, quase sem concorrência. Mas o “efeito Lewis Hamilton” para o Onix acaba em 2020. A partir de 2021 ele pode, sim, chegar a mais um campeonato de vendas, porém sua tarefa será muito mais difícil.

Novo Onix tem seis versões de R$ 56.290 a R$ 77.090, com motor 1,0 de três cilindros.
Novo Onix tem seis versões de R$ 56.290 a R$ 77.090, com motor 1,0 de três cilindros.
Foto: GM / Divulgação

Em janeiro, o Chevrolet Onix tinha uma vantagem de 4.378 carros sobre o Hyundai HB20 nas vendas diretas e de 6.530 carros no varejo. Em julho, o Onix ficou 144 carros atrás do HB20 nas vendas diretas e ganhou por apenas 2.008 carros no varejo. É um sinal claro de que a perda foi grande nas duas modalidades de vendas -- o que torna ainda mais complexo retornar ao ritmo anterior, pois exige duplo investimento.

Se as locadoras de automóveis voltarem a comprar carros em altos volumes como faziam antes da pandemia, a GM pode fazer uma boa oferta e manter o Onix com o status de “imbatível”. Na briga das concessionárias, entretanto, a conquista deve ser feita consumidor por consumidor. Será que a Chevrolet está disposta a isso para recuperar a força total do Onix? 

 

Guia do Carro
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