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Zanin nega liminar para obrigar Senado a instalar CPI do Master

Decisão desta quarta-feira aponta falta de elementos para reconhecer omissão ilegal e cobra esclarecimentos sobre outros requerimentos ligados ao caso

23 set 2026 - 07h40
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Resumo
O ministro Cristiano Zanin, do STF, negou liminar pedida pelo senador Alessandro Vieira para obrigar o Senado a instalar a CPI do Banco Master. A comissão busca investigar supostas relações entre ministros da Corte e o conglomerado financeiro de Daniel Vorcaro. Zanin considerou que não há prova inequívoca de omissão inconstitucional da Presidência do Senado e apontou a necessidade de esclarecer a conexão do requerimento com outros pedidos semelhantes já protocolados na Casa.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na manhã desta quarta-feira (23) a liminar solicitada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) em uma ação sobre a criação de uma CPI relacionada ao Banco Master. Um sorteio realizado na terça-feira (22) definiu Zanin como relator do caso.

Zanin afirmou que ainda faltam elementos para reconhecer uma omissão irregular da Presidência do Senado no caso
Zanin afirmou que ainda faltam elementos para reconhecer uma omissão irregular da Presidência do Senado no caso
Foto: Divulgação/Nelson Jr./SCO/STF / Perfil Brasil

A proposta apresentada pelo parlamentar em março busca investigar possíveis relações envolvendo integrantes do Supremo, o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ou empresas vinculadas ao conglomerado econômico do banco. O requerimento reuniu 35 assinaturas de senadores.

Por que Zanin negou a liminar?

Para Zanin, contudo, o material apresentado não permitiu concluir, neste momento, que a Presidência do Senado havia descumprido um dever constitucional. Portanto, o ministro considerou necessário esclarecer como os diferentes requerimentos relacionados ao caso se conectavam. Ademais, apontou a necessidade de compreender quais providências a Casa já havia adotado.

Isso porque Vieira reconheceu a existência de outro pedido ligado ao Banco Master, que ele também assinou. Outro ponto levantado na decisão foi a possibilidade de o requerimento mais recente não tratar de uma investigação inteiramente nova. Nesse caso, uma proposta anterior já poderia abranger parte dos fatos.

"Em casos dessa natureza, já decidi que o impetrante, ao afirmar ato omissivo contra Presidente de Casa Legislativa, deve trazer prova pré-constituída e inequívoca da omissão inconstitucional imputada à autoridade pública", diz trecho do documento.

Com a decisão, Zanin rejeitou a providência urgente solicitada pelo senador. A discussão sobre o requerimento, porém, continua.

O que Alessandro Vieira pediu ao STF?

Vieira acionou o Supremo para que Davi Alcolumbre, presidente do Senado, fizesse a leitura do pedido de CPI no plenário. Na ação, então, o parlamentar solicitou que isso ocorresse em até 48 horas ou na primeira sessão seguinte. Depois dessa etapa, os líderes partidários teriam prazo para indicar titulares e suplentes. Caso não fizessem as nomeações, Vieira pediu que o próprio presidente da Casa escolhesse os integrantes.

O senador sustentou que a proposta cumpre os requisitos constitucionais para uma CPI. Entre eles estão o apoio mínimo de parlamentares, o prazo definido e a delimitação dos fatos a serem apurados. Como precedente, ele mencionou a decisão do STF relacionada à instalação da CPI da Pandemia, em 2021.

"O caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional", afirmou Vieira no documento. A declaração representa a argumentação que o senador apresentou ao Supremo.

O que a CPI pretende investigar?

Entre os episódios incluídos pelo parlamentar está uma possível relação envolvendo Dias Toffoli e um empreendimento turístico associado ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro. Além disso, o requerimento menciona um contrato de honorários entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo as informações da ação, o acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões a partir de janeiro de 2024. O valor poderia chegar a R$ 129 milhões até 2027. A proposta busca ainda examinar fatos correlatos e eventuais relações de pessoas físicas e jurídicas com o conglomerado econômico do Banco Master.

Perfil Brasil
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