Urologista explica sobre implante de Testosterona no Brasil
Revisão científica analisa duração, dose e segurança dos pellets de testosterona na reposição hormonal masculina; o urologista Fernando Marsicano, de Belo Horizonte, comenta os achados
Uma revisão científica internacional revelou que os implantes subcutâneos de testosterona mantêm níveis hormonais adequados por três a seis meses, exigindo reaplicações frequentes. Indicado apenas para tratar o hipogonadismo comprovado, o método destaca-se pela adesão facilitada em relação ao uso diário de géis, com taxas de infecção e rejeição inferiores a 1%. Especialistas alertam que a terapia requer monitoramento constante e é proibida no Brasil para fins estéticos ou de rendimento.
Quanto tempo dura o implante de testosterona? Qual é a dose adequada? E quais são os riscos do método? Uma revisão científica internacional reuniu os principais estudos sobre os pellets de testosterona usados na reposição hormonal masculina para tratar o hipogonadismo, condição em que o organismo produz menos testosterona do que o necessário. A seguir, o leitor confere os achados da pesquisa sobre duração do efeito, dose, segurança e satisfação dos pacientes.
Publicada na revista Current Sexual Health Reports e assinada pelo urologista norte-americano Andrew McCullough, a revisão científica mostra que o implante mantém os níveis do hormônio dentro da faixa considerada normal por três a seis meses e que a maior parte dos homens precisa de uma nova aplicação entre o terceiro e o quarto mês. Para o urologista Fernando Marsicano, o levantamento ajuda a esclarecer dúvidas frequentes no consultório. "O implante é uma das formas de reposição hormonal masculina com maior duração por aplicação, mas não é uma solução para todos. A indicação depende de um diagnóstico confirmado de hipogonadismo, com avaliação clínica e exames laboratoriais, e de acompanhamento médico durante todo o tratamento", afirma.
O que é o implante de testosterona
O implante é formado por pellets de testosterona cristalina com cerca de 3 por 8 milímetros e 75 miligramas cada. Eles são inseridos no tecido subcutâneo em um procedimento ambulatorial e se dissolvem aos poucos, liberando o hormônio de forma gradual. Nos Estados Unidos, a formulação foi aprovada pela FDA em 1972, mas só passou a ser comercializada em 2008, com o nome Testopel®.
Segundo a revisão, o gel é hoje a forma mais usada de reposição, porém exige aplicação diária, tem absorção irregular e traz o risco de transferir o hormônio para parceiras e familiares pelo contato com a pele. O implante, por outro lado, exige um procedimento simples três a quatro vezes ao ano e dispensa o uso diário.
"A adesão é um ponto central na reposição hormonal. Muitos pacientes esquecem o gel ou atrasam as injeções, e isso faz o nível do hormônio oscilar. Com o implante, o tratamento não depende da rotina diária do paciente, o que também facilita avaliar se ele está funcionando", explica Dr. Fernando.
Quanto tempo dura o implante de testosterona
Em um estudo com 380 pacientes e 702 aplicações em seis instituições, todos os homens voltaram a apresentar níveis baixos de testosterona aos seis meses, e a maioria precisou de reaplicação a partir do quarto mês. Um acompanhamento posterior de 273 homens chegou a um resultado semelhante: independentemente do número de pellets, do nível hormonal inicial ou do índice de massa corporal (IMC), a nova aplicação foi necessária entre três e quatro meses.
A dose também chama atenção. A bula original recomendava de dois a seis pellets, mas os estudos mais recentes reunidos na revisão indicam que essa quantidade é insuficiente para a maioria dos homens e que dez pellets (750 mg) produzem níveis mais estáveis. O peso corporal interfere no resultado: homens com IMC abaixo de 25 atingiram níveis mais altos, enquanto pacientes com obesidade podem precisar de mais pellets.
"Por isso, a dose não pode ser padronizada. Peso, composição corporal e resposta individual influenciam o resultado, e são os exames de controle que mostram quando é preciso ajustar a dose ou programar uma nova aplicação", diz o urologista.
O implante de testosterona é seguro?
De acordo com a revisão, as taxas de expulsão do pellet e de infecção no local da aplicação ficam abaixo de 1% em centros com grande volume de procedimentos. No acompanhamento de 273 homens, os índices foram de 1,1% e 0,4%, respectivamente. Não houve aumento significativo de hematócrito ou hemoglobina, e nenhum dos 68 pacientes com diagnóstico prévio de câncer de próstata teve progressão da doença no período observado.
O próprio autor aponta limitações: não existem estudos de longo prazo sobre o método, e aplicações repetidas podem causar fibrose sob a pele, o que dificulta os procedimentos seguintes. O artigo também informa que o autor recebeu honorários e verbas de empresas do setor farmacêutico.
"Os dados de segurança são favoráveis, mas vêm de estudos observacionais e de curto prazo. Quem faz reposição precisa de monitoramento periódico do hematócrito, do PSA e dos próprios níveis hormonais. Também é importante saber que a testosterona externa reduz a produção natural do hormônio e dos espermatozoides, o que pesa na decisão de homens que ainda pretendem ter filhos", alerta Dr. Fernando.
Satisfação dos pacientes
Os estudos citados mostram que cerca de 70% dos pacientes ficaram satisfeitos com o tratamento, qualquer que fosse a forma de reposição. O implante foi preferido pela praticidade, e as injeções, pelo custo menor. Em um grupo de 38 homens, a associação do implante com o anastrozol, medicamento que reduz a conversão de testosterona em estrogênio, ampliou o intervalo médio entre as aplicações de 124 para 194 dias.
Reposição hormonal não é tratamento estético
No Brasil, a Resolução 2.333/2023 do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhoria no desempenho esportivo. A reposição continua indicada para quem tem deficiência hormonal comprovada.
"Testosterona é medicamento, não suplemento. O implante faz sentido para o homem com hipogonadismo diagnosticado. Usar o hormônio para ganhar músculo ou por estética expõe o paciente a riscos sem nenhum benefício terapêutico", conclui o urologista.
Perguntas frequentes sobre o implante de testosterona
1. Quem pode fazer o implante de testosterona?
Homens com hipogonadismo confirmado por avaliação clínica e exames laboratoriais, com indicação e acompanhamento de um médico especialista.
2. Quanto tempo dura o implante de testosterona?
Os estudos mostram que os níveis do hormônio se mantêm adequados por três a seis meses. A maioria dos homens precisa de nova aplicação entre o terceiro e o quarto mês.
Sobre o Dr. Fernando Marsicano
Fernando Marsicano, CRM-MG 27082/MG, é médico urologista em BH/MG com mais de 30 anos de experiência e mais de 8.000 cirurgias robóticas realizadas. Informações: acesse nosso site.
Website: https://uroprostata.com.br/
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.