Flávio Bolsonaro diz que não é ameaça à democracia e sim 'último obstáculo' contra a barbárie
Candidato do PL recebeu apoio de 17 diretórios do MDB nesta terça-feira, 13
Ao oficializar o apoio de 17 diretórios do MDB à sua campanha presidencial, articulado por Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, o senador Flávio Bolsonaro (PL) negou ser uma ameaça à democracia e se declarou o último obstáculo contra a barbárie. Outros dez diretórios da sigla apoiam Lula. Flávio prometeu defender as instituições e a Constituição, defendeu o fim da escala 6x1 e anunciou planos para segurança com inteligência artificial, consolidando alianças para a disputa de segundo turno.
Candidato a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta terça-feira, 13, que seja uma ameaça à democracia. A declaração ocorreu durante evento que oficializou o apoio de 17 diretórios do MDB à sua candidatura, realizado no escritório da campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
Um dos pontos apresentados pelo presidente do MDB como importantes para o partido foi justamente a defesa da democracia. A sigla surgiu durante a ditadura e concentrou políticos de oposição ao regime militar.
"Tem muita gente desavisada que quando olha para Bolsonaro acha que é uma ameaça à democracia. Na verdade é exatamente o contrário. As pessoas vão enxergando quem é que está entre a barbárie e a democracia. Quem é o último obstáculo para esse País não virar uma barbárie, uma terra sem lei? É Flávio Bolsonaro hoje. Eu vou ser tão defensor da democracia que você nunca vai ver na história um presidente defender mais as instituições do que Flávio Bolsonaro", afirmou ele.
Segundo Flávio, direitos constitucionais estão sendo desrespeitados no País e a Justiça perdeu a credibilidade. "A gente tem de resgatar isso. É simples, é só voltar a respeitar a Constituição. Na maior festa da democracia, que são as eleições, os eleitores disseram que isso tem de ter um ponto final", afirmou ele, citando a eleição de senadores que defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O apoio da maioria dos diretórios emedebistas ao candidato do PL foi articulado por Tarcísio e pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Por outro lado, os 10 diretórios restantes, todos eles das regiões Norte e Nordeste, adotaram a posição oposta e declararam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles justificaram em uma declaração conjunta que a decisão foi tomada "em defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro".
- Diretórios estaduais do MDB com Flávio Bolsonaro: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Amapá, Acre, Tocantins, Roraima, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Sergipe;
- Diretórias estaduais do MDB com Lula: Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia.
Flávio voltou a afirmar que votará a favor do fim da escala 6x1 e criticou que a votação ocorra no período eleitoral. Ele disse que não conversou sobre o assunto com os líderes do PL no Senado sobre qual posição será adotada pela sigla.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou uma proposta alternativa, que permite que trabalhadores e patrões negociem as horas trabalhadas.
O candidato do PL disse ainda que há pontos convergentes entre seu programa de governo e as propostas do MDB, elogiou o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) e prometeu criar o Smart Brasil, onde serão utilizadas câmeras com inteligência artificial para combater o crime. A iniciativa é inspirada no Smart Sampa, lançado pela gestão de Nunes na capital paulista.
Ele, no entanto, declarou que não conversou com Baleia Rossi sobre a reforma tributária. Flávio é crítico da proposta, que tem Baleia como um de seus autores.
Além da defesa da democracia, o presidente do MDB apresentou ao candidato do PL cinco pontos caros ao partido: melhorar a qualidade dos gastos públicos, defesa do agronegócio, fortalecimento dos municípios, combate ao crime com inteligência e pacificação nacional.
Em seus discursos, Tarcísio e Nunes pediram que os emedebistas se mobilizem para o ato da campanha de Flávio que será realizado na manhã do próximo domingo, 18, na Avenida Paulista.
"Não estamos aqui só para ajudar Flávio a se eleger presidente.?E a nossa missão não se encerra no dia 25 de outubro. Ele vai contar com o nosso apoio integral em todos os momentos, nos bons e nos ruins, para fazer a transformação que o Brasil merece", disse Tarcísio.
Nunes, por sua vez, disse aos colegas de partido que o candidato do PL será um "presidente municipalista". "Não será um presidente que não vai fazer igual, por exemplo, eu e muitos aqui temos sofrido com esse atual governo, com perseguição e boicote", disse o prefeito da capital.
Com 71 prefeitos em São Paulo, o MDB planeja realizar eventos no interior do Estado nas próximas semanas para deixar claro ao eleitorado o apoio a Flávio. O partido se aproximou de Tarcísio neste ano após filiar o vice-governador Felicio Ramuth (MDB).
Flávio, que terminou o primeiro turno na primeira colocação contra Lula, já recebeu apoio de PP, União, Republicanos, Podemos e Novo. Os candidatos Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) também anunciaram que estarão com o senador no segundo turno.
Após ser reeleito no primeiro turno em São Paulo, Tarcísio passou a se dedicar à eleição de Flávio Bolsonaro a nível nacional. Além de atuar como articulador político, o governador de São Paulo deu mais espaço ao aliado em suas redes sociais e intensificou a participação em eventos de Flávio.
Já Nunes mergulhou de cabeça na campanha de Flávio no primeiro turno e recebeu até elogios públicos do senador e de outros bolsonaristas pelo empenho. Nunes ajudou a mobilizar aliados na capital e a articular encontros do candidato com empresários e agendas em regiões periféricas da cidade.
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