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Unidas negocia caminhões híbridos chineses que prometem até 32% menos diesel na mineração

Locadora avalia dez veículos para operações fora de estrada; testes com caminhões elétricos e estudos acadêmicos mostram que a economia depende de cada operação

30 out 2026 - 08h11
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Resumo
A Unidas Pesados negocia a compra de dez caminhões híbridos chineses para a mineração brasileira, com a promessa de reduzir o uso de diesel entre 28% e 32%. A tecnologia reaproveita a energia de frenagens em trajetos com subidas e descidas, sem exigir nova infraestrutura de recarga. O projeto se soma a testes do setor com elétricos e modelos a gás, permitindo que mineradoras experimentem alternativas menos poluentes via locação antes de comprovar a viabilidade financeira e operacional.

A Unidas Pesados negocia a compra de dez caminhões híbridos de uma fabricante chinesa para operações de mineração no Brasil. Segundo a empresa, os veículos podem reduzir entre 28% e 32% o consumo de diesel em comparação com caminhões convencionais. A compra ainda não foi concluída, mas a iniciativa se soma a outros testes de eletrificação de caminhões pesados no País.

O projeto foi revelado pelo diretor executivo da Unidas Pesados, Lucas Barbosa, em entrevista à AutoData. Segundo ele, os caminhões combinam motor a diesel e um sistema elétrico de recuperação de energia. A fabricante e o modelo não foram divulgados.

A economia anunciada ainda não foi comprovada numa operação da locadora, e não foram informados o período de medição, as condições de carga nem os parâmetros usados para chegar aos percentuais.

A mineração, porém, tem características que favorecem os híbridos. Os caminhões rodam em rotas previsíveis, com ciclos frequentes de aceleração, frenagem e subidas e descidas. Nessas condições, parte da energia que seria perdida nas frenagens pode ser recuperada e reaproveitada, reduzindo a demanda sobre o motor a diesel.

Caminhões da Sany também passaram por testes

A Unidas não é a única a avaliar alternativas ao diesel convencional na mineração. Entre maio e junho de 2026, a mineradora J. Mendes testou um caminhão elétrico 6x4 da fabricante chinesa Sany, que apresentou economia energética de cerca de 84% na avaliação.

Caminhão elétrico da chinesa Sany |
Caminhão elétrico da chinesa Sany |
Foto: Sany/Divulgação / Estadão

O percentual não pode ser comparado diretamente com o anunciado pela Unidas. O híbrido continua usando diesel, enquanto o elétrico substitui o combustível por energia armazenada em baterias. A comparação exige considerar o custo da eletricidade, o consumo de energia, a produtividade e as condições de operação.

Segundo a Revista Minérios, a J. Mendes já usava quatro caminhões híbridos de 90 toneladas da Sany.

Economia depende da operação, mostram estudos

A viabilidade dos híbridos também é estudada por pesquisadores brasileiros. Um estudo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), baseado em perfis de operação de caminhões de mineração, identificou reduções simuladas de custo total entre 14,62% e 54,39%, conforme as condições analisadas. São simulações, não economia comprovada numa frota comercial.

O estudo ajuda a explicar por que os resultados variam tanto. Numa mina com muitas descidas, frenagens e mudanças de velocidade, a recuperação de energia tende a render mais. Em trajetos longos, planos e com velocidade constante, o ganho tende a ser menor. Peso transportado, inclinação das vias, tempo de operação e custo de manutenção também pesam na conta.

Gás também disputa espaço nas frotas pesadas

Além dos híbridos, a Unidas Pesados acompanha o interesse crescente por caminhões a gás. Segundo Barbosa, em 2026 a procura por veículos para operações fora de estrada ficou dividida igualmente entre modelos a diesel e a gás. O dado se refere às consultas recebidas pela empresa, não aos contratos fechados.

A Unidas Pesados tem cerca de 15 mil ativos, dos quais aproximadamente 6 mil são caminhões |
A Unidas Pesados tem cerca de 15 mil ativos, dos quais aproximadamente 6 mil são caminhões |
Foto: Divulgação / Estadão

O executivo afirmou que os caminhões a gás custam cerca de 10% mais que os equivalentes a diesel e têm manutenção também cerca de 10% mais cara. Assim, a tecnologia pode não compensar de imediato quando o gás custa quase o mesmo que o diesel. A conta muda em operações com acesso a biometano mais barato ou com metas de redução de emissões.

Os híbridos, por sua vez, podem reduzir o consumo sem exigir nova estrutura de abastecimento ou recarga, já que recuperam energia durante a própria operação.

Locação pode facilitar a chegada de novas tecnologias

A Unidas Pesados tem cerca de 15 mil ativos, dos quais aproximadamente 6 mil são caminhões. Hoje, 98% da frota usa diesel. Se a negociação for concluída, os dez híbridos serão uma parcela pequena da operação, mas poderão servir de teste antes de uma eventual ampliação.

O modelo de locação também permite que transportadoras e mineradoras experimentem tecnologias ainda pouco difundidas sem investir na compra. Parte dos riscos ligados à manutenção, à disponibilidade dos equipamentos e ao valor de revenda fica com a locadora, conforme o contrato. A Unidas tem mais de 200 mecânicos próprios e pode montar estruturas de manutenção dentro das operações dos clientes, um ponto importante na mineração, em que um caminhão parado compromete a produtividade.

Economia ainda precisa ser comprovada

Os testes com elétricos e híbridos apontam possibilidades de redução de custos, mas os resultados divulgados até agora usam indicadores e condições diferentes e não permitem dizer qual tecnologia é mais vantajosa para todas as operações.

No caso da Unidas, ainda não foram informados o preço dos caminhões, o custo de manutenção, o período de testes nem a economia financeira esperada. A próxima etapa será verificar se a redução de 28% a 32% no diesel se confirma na prática e se compensa eventuais custos maiores de compra e manutenção. O resultado pode ajudar a definir se os híbridos são uma forma viável de reduzir a dependência do diesel sem trocar toda a infraestrutura das operações.

Estadão
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