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Trump não planeja apoiar alegação de Flávio Bolsonaro sobre ser líder do Brasil, dizem fontes

30 out 2026 - 08h27
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Resumo
Apesar de ter autorizado a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos sob acolhimento humanitário, o governo Donald Trump não planeja apoiar sua alegação de ser o líder legítimo do Brasil após a derrota eleitoral para Lula. O senador deixou o país rumo a Miami após o STF ordenar a retenção de seu passaporte por investigações de lavagem de dinheiro. Sua fuga em meio a contestações do pleito enfraqueceu seu capital político e gerou críticas até mesmo entre conservadores da oposição brasileira.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ‌não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser o líder legítimo do Brasil, apesar de ter ajudado o candidato derrotado à Presidência a chegar aos EUA após anos de apoio a ele e a seu pai, afirmaram na quinta-feira uma autoridade norte-americana e outra pessoa a par do assunto.

Trump disse que a eleição brasileira de domingo pareceu "manipulada", mas ressaltou que não ofereceu apoio algum na disputa. Trump também declarou que se dá bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que garantiu a ⁠reeleição por cerca de 3,5 pontos percentuais, contrariando as pesquisas de intenção de voto.

A autoridade norte-americana e a pessoa a par do assunto, ‌que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, mesmo que o governo tenha permitido sua entrada no país, embora tenham dito que o presidente pode mudar de ideia. 

A postura do ‌governo Trump sugere que o presidente pode estar relutante em provocar uma nova ‌crise nas relações com o Brasil que passaram por altos e baixos nos últimos meses.

PARTIDA LOGO APÓS ELEIÇÃO

Uma terceira autoridade ⁠norte-americana, também falando sob condição de anonimato, disse que o capital político de Flávio diminuiu agora que ele está no autoexílio. Muitos conservadores no Brasil que esperavam que ele liderasse a oposição nos próximos anos criticaram a fuga.

A Casa Branca encaminhou um pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio Bolsonaro não responderam aos pedidos de comentário.

O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está preso por tentativa de golpe para permanecer no poder após perder a disputa ‌pela reeleição em 2022.

Algumas autoridades brasileiras, também falando sob condição de anonimato, disseram à Reuters que a partida de Flávio ajuda Lula ao ‌enfraquecer a oposição conservadora no Congresso.

A viagem do ⁠senador aconteceu depois que o ministro ⁠Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que ele entregasse seu passaporte, atendendo a um pedido da Polícia Federal, que o investiga por ⁠suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O pedido da polícia ‌ocorreu poucos minutos após a declaração da ‌vitória de Lula, uma sequência de eventos que alguns conservadores apontaram como evidência de motivação política.

Apoiadores do governo Lula destacam que, dias antes da eleição, o irmão de Flávio, Eduardo, sugeriu publicamente que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse. Eduardo, ex-deputado federal que vive nos EUA, foi condenado pelo STF em junho por tentar obter interferência do governo Trump no ⁠julgamento de seu pai.

Autoridades argentinas informaram que Flávio Bolsonaro, sua esposa e duas filhas atravessaram uma ponte rumo ao norte da Argentina às 22h50 da terça-feira, antes de embarcarem em um avião fretado às 23h30. Flávio e sua família voaram então para Miami via Equador.

Não está claro como o senador viajou de sua casa em Brasília até a ponte, a 1.300 km de distância, nem como saiu do Brasil sem o conhecimento das autoridades alfandegárias brasileiras. Mas, ‌durante essa viagem, Flávio Bolsonaro entrou em contato com várias autoridades norte-americanas a respeito de sua partida, segundo uma dessas autoridades.

Jason Miller, um assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina, disse a pessoa ⁠a par do assunto. Durante a viagem de Flávio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recomendou a Trump que a entrada do senador fosse permitida, o que o presidente aprovou, segundo a autoridade norte-americana.

Durante o voo de duas etapas de Flávio, autoridades do Departamento de Estado se empenharam para determinar a melhor via legal para a entrada dele e de sua família, discutindo o assunto com funcionários do Departamento de Segurança Interna, disse a autoridade. Por fim, as autoridades norte-americanas concederam a eles "parole humanitária" na fronteira, um status temporário concedido a indivíduos quando há questões humanitárias urgentes ou um interesse público significativo em jogo, acrescentou a autoridade.

Em uma carta aberta publicada no X na quarta-feira, Flávio Bolsonaro se autoproclamou "o presidente eleito". Em seguida, ele excluiu essa versão e a atualizou com outra carta na qual afirmava ser o "líder" legítimo do Brasil.

A fuga de Flávio foi o capítulo mais recente de um período tumultuado na política brasileira e nas relações entre os EUA e o Brasil.

Mesmo tendo atacado a forma como o Brasil conduziu a eleição, Trump se absteve de criticar Lula.

"Gosto do Lula, me dou muito bem com ele", disse Trump aos repórteres na segunda-feira. "Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão."

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