"Uma vergonha": Donald Trump critica decisão da Suprema Corte sobre tarifas
Presidente dos Estados Unidos afirma possuir estratégias alternativas para manter cobranças, como impor uma tarifa global uniforme de 10%
Em pronunciamento oficial realizado nesta sexta-feira (20), o presidente Donald Trump manifestou oposição à decisão da Suprema Corte, que invalidou a aplicação de taxas de importação estabelecidas pelo Executivo em abril de 2025. O tribunal concluiu que a presidência extrapolou sua autoridade legal ao criar os tributos sem o aval do Congresso.
Trump utilizou termos diretos para descrever o resultado do julgamento, direcionando críticas aos magistrados que formaram a maioria de seis votos contra três. O presidente sugeriu que o tribunal sofreu influências externas ao tomar a decisão que interrompe sua principal estratégia comercial.
"Os ministros que votaram contra as tarifas são uma vergonha para a nossa nação. Nossa Suprema Corte está sendo pressionada por interesses estrangeiros", afirmou o republicano durante a coletiva.
O presidente também utilizou os termos "vergonhosa" e "terrível" para definir a anulação das taxas, que incidiam sobre a maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Apesar do revés jurídico, o governo indicou que não pretende recuar na arrecadação de impostos sobre produtos estrangeiros. Antes da coletiva, em reunião com governadores, Donald Trump já havia sinalizado a existência de medidas de contingência para contornar a decisão judicial.
"Há métodos ainda mais fortes à minha disposição para impor novas tarifas comerciais. Outras saídas serão usadas", declarou Trump, acrescentando que os Estados Unidos podem arrecadar ainda "mais dinheiro".
A sentença, relatada pelo juiz John Roberts, foca na falta de autorização clara do Poder Legislativo. O impacto financeiro é expressivo, com estimativas de que o governo norte-americano precise devolver cerca de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões) arrecadados desde o início do vigor das taxas.
No entanto, é importante ressaltar que as falas de Donald Trump e a decisão da Corte não abrangem as tarifas sobre o aço e o alumínio, incluindo os produtos originários do Brasil. Essas taxas permanecem vigentes por estarem amparadas na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, que trata da segurança nacional — uma base legal que não foi afetada por este julgamento específico.
A ação judicial que resultou nesta derrota para o governo federal foi iniciada em 2025 por um grupo de empresas e 12 estados norte-americanos, que contestaram o caráter unilateral do decreto presidencial.
Diante do impedimento judicial, o mandatário explicou que a nova estratégia consiste na edição de decretos baseados em fundamentos legais alternativos. O plano envolve a utilização da Seção 122, um dispositivo que permite a intervenção em transações comerciais sob justificativas de equilíbrio econômico. A meta é instituir uma tarifa global padronizada de 10%, buscando contornar a necessidade de uma autorização legislativa específica que foi o ponto central da derrota na Suprema Corte.