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UE anuncia 1 bilhão de euros em ajuda ao Afeganistão

14 out 2021 05h47
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União Europeia justifica que é preciso evitar "colapso" no país e fornecer ajuda humanitária aos afegãos. Paralelamente, representantes do bloco europeu e dos EUA se reúnem com membros do Talibã em Doha, no Catar.O Talibã e representantes da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos se encontraram nesta terça-feira (12/10) em Doha, capital do Catar.

Países envolvidos em diálogo com o Talibã afirmam que conversas não significam reconhecimento oficial do governo
Países envolvidos em diálogo com o Talibã afirmam que conversas não significam reconhecimento oficial do governo
Foto: DW / Deutsche Welle

Paralelamente, líderes do G20 realizaram uma cúpula para debater a situação no Afeganistão. A UE prometeu 1 bilhão de euros em ajuda de emergência ao país, para evitar o que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou de "colapso humanitário e socioeconômico".

Von der Leyen enfatizou a necessidade de trabalhar rapidamente. "Temos sido claros sobre nossas condições para qualquer compromisso com as autoridades afegãs, inclusive sobre o respeito aos direitos humanos. Até agora, os relatórios falam por si. Mas os afegãos, as pessoas, não deveriam pagar o preço das ações do Talibã", afirmou.

Antes da reunião em Doha, o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, disse que o bloco estava procurando aumentar sua ajuda direta ao povo afegão num esforço para evitar o "colapso". "Não podemos 'esperar para ver'. Precisamos agir, e agir rapidamente", declarou Borrell após discussões com os ministros do Desenvolvimento da UE.

Já o Talibã disse que busca "relacionamentos positivos com o mundo inteiro".

"Acreditamos em relações internacionais equilibradas. Acreditamos que tal relacionamento equilibrado pode salvar o Afeganistão da instabilidade", destacou o ministro das Relações Exteriores do Talibã, Amir Khan Muttaqi.

A porta-voz da UE, Nabila Massrali, garantiu que as negociações "são uma troca informal a nível técnico" e que "não constituem um reconhecimento do 'governo provisório'". Ela acrescentou que as duas partes discutem o acesso à ajuda humanitária e os direitos das mulheres, entre outras questões.

Ajuda da Alemanha

Após a reunião virtual do G20 nesta terça-feira, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, disse que a comunidade internacional não pode ficar parada e assistir enquanto "40 milhões de pessoas caem no caos" porque não têm eletricidade e um sistema financeiro.

"Nós todos não temos nada a ganhar se no Afeganistão todo o sistema monetário ou o sistema financeiro entrarem em colapso, porque a ajuda humanitária também não poderia mais ser fornecida", disse Merkel.

A chanceler enfatizou que a Alemanha prometeu cerca de 600 milhões de euros em ajuda humanitária ao Afeganistão e disse que as agências da ONU devem ter acesso total para fornecer ajuda.

Merkel também reforçou que reconhecer o Talibã oficialmente como governo do Afeganistão não está nos planos da Alemanha.

Na segunda-feira, uma delegação alemã se reuniu com o Talibã em Doha. As autoridades que participaram dessas negociações incluíram o representante especial alemão para o Afeganistão e o Paquistão, Jasper Wieck, junto com Markus Potzel, embaixador designado da Alemanha no Afeganistão.

Após as discussões, a delegação alemã disse que o governo do Talibã é uma "realidade". O grupo assumiu o controle do Afeganistão em 15 de agosto, no momento em que Estados Unidos, aliados e OTAN retiravam suas forças do país após 20 anos.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha informou que a delegação se concentrou "na passagem segura para alemães e cidadãos afegãos pelos quais a Alemanha tem uma responsabilidade especial", juntamente com "o respeito pelos direitos humanos e, especialmente, das mulheres", entre outros temas.

O Talibã teria dito aos alemães que está empenhado em proteger diplomatas estrangeiros e organizações de ajuda humanitária no Afeganistão.

ONU apela à ajuda

Enquanto o Talibã busca fortalecer os laços com a comunidade internacional, as Nações Unidas alertam que o Afeganistão enfrenta um colapso econômico iminente.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, exortou o mundo a "agir e injetar liquidez na economia afegã", já que muitos dos ativos do país no exterior foram congelados desde que o Talibã assumiu o poder.

Guterres acrescentou que injetar liquidez para evitar o colapso econômico é diferente de reconhecer o Talibã como governo.

Ao mesmo tempo, ele criticou as "promessas quebradas" do Talibã em relação à população feminina do Afeganistão.

"Apelo veementemente ao Talibã para que mantenha suas promessas às mulheres e meninas e cumpra suas obrigações de acordo com os direitos humanos internacionais e o direito humanitário", disse Guterres, acrescentando que "não há como a economia e a sociedade afegãs se recuperarem" sem a inclusão de mulheres.

Desde que o Talibã voltou ao poder, há relatos de mulheres afegãs impedidas de trabalhar e de praticar esportes, indicando um retorno à repressão que caracterizou o governo do grupo há duas décadas.

Caos iminente

Segundo dados da ONU, cerca de 18 milhões de afegãos - aproximadamente metade da população do país - dependem de ajuda humanitária, e 93% das famílias não têm comida o suficiente.

A Unicef alertou para consequências da "dramática crise de saúde e nutrição" no país. Estima-se que 3,2 milhões de crianças menores de cinco anos podem sofrer de desnutrição aguda até o final do ano. Um milhão de crianças podem ficar gravemente desnutridas, a ponto de morrer.

Fabrizio Cesaretti, representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Afeganistão, disse que o país enfrenta a pior seca em mais de 35 anos, resultando em safras ruins. "A situação é realmente desesperadora. O longo conflito e a seca que assolou o país tornam difícil para as pessoas ganharem a vida", afirmou Cesaretti à DW.

Isso também torna difícil "cultivar grãos como o trigo - um alimento básico que desempenha um papel importante para muitas famílias na sobrevivência ao inverno rigoroso". Cesaretti acrescentou que "as fronteiras com países como o Paquistão também estão fechadas, tornando difícil para os agricultores exportar seus produtos e ganhar a vida."

le (Reuters,AFP, dpa)

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