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Ucrânia vira campo de batalha high-tech para robôs e drones

16 mar 2026 - 17h51
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Drones de reconhecimento e de combate e veículos terrestres não tripulados desempenham papel fundamental na frente de guerra. A DW pôde observar como isso funciona na região de Kharkiv.Há tempos que o milho não é mais colhido nos campos, as aldeias estão destruídas e desertas, e à beira das estradas há carcaças queimadas de carros. Mas não se percebem combates na área de Kharkiv, perto da fronteira com a Rússia - apenas a paisagem é fantasmagórica.

Drones monitoram a presença do inimigo e atacam posições na frente de batalha
Drones monitoram a presença do inimigo e atacam posições na frente de batalha
Foto: DW / Deutsche Welle

Imagens de drones de reconhecimento e de câmeras de vídeo fixas como essas são transmitidas continuamente para os monitores de um posto de comando ucraniano. É ali que a brigada Chartija, da Guarda Nacional da Ucrânia, monitora a região. Seu posto está localizado a alguns quilômetros da linha de frente, no porão de um prédio abandonado ao norte de Kharkiv.

A frente de batalha foi transformada numa "zona da morte" de até 20 quilômetros de extensão. Essa área entre os dois lados é conhecida como killzone (algo como "zona de abate"), pois ninguém pode sobreviver nela devido ao constante monitoramento por drones.

Ler sinais no chão a partir do céu

O comandante do batalhão atende pelo codinome "Trovão" e não tira os olhos dos monitores. O tempo está limpo, o céu sem nuvens - a vigilância precisa ser ainda mais atenta. "Se o inimigo conseguir chegar perto das nossas posições, então deixamos escapar algo em algum lugar", comenta "Trovão" à DW.

Abrigos tradicionais e trincheiras já não oferecem proteção nesta guerra, explica. Por isso, toda a infantaria, tanto a ucraniana como a russa, cava túneis para ficar fora do alcance dos drones de ataque.

Nesse cenário, encontrar os rastros do inimigo significa ler sinais no chão a partir do céu: lixo novo nas ruas de aldeias abandonadas, terra recentemente revirada em jardins, um pequeno monte de madeira no meio de um pátio. Esses são indícios claros.

O piloto Oleksij direciona um drone para uma das casas e encontra algo suspeito perto de um poço. "Parece pegadas de animal, mas em tese alguém pode ter vindo pegar água. Precisamos verificar isso depois", diz.

Em seguida, ele confere a estrada próxima; pouco antes, a equipe de reconhecimento havia observado um veículo civil que parou por alguns minutos perto de um pequeno grupo de árvores.

"O inimigo entrega constantemente suprimentos à sua infantaria", explica Oleksij à DW. Assim que a sua brigada identifica um esconderijo russo, drones de combate são enviados para lá. "A Rússia faz o mesmo", acrescenta "Trovão". "Quem tiver os melhores abrigos e a vantagem nos drones domina."

Reabastecimento por robôs terrestres

Abrigos subterrâneos devem permanecer ocultos o máximo possível. Por isso as Forças Armadas da Ucrânia têm substituído cada vez mais carros por veículos terrestres não tripulados para transportar mantimentos e equipamentos, limpar minas e retirar os feridos. Esses robôs, de diferentes tipos, podem transportar entre 200 e 700 quilos de carga.

O inimigo "caça" ativamente os robôs ucranianos, afirma outro comandante de brigada, de codinome "Scrooge", à DW. Sua brigada envia todas as noites esses veículos não tripulados carregados de suprimentos para as próprias posições. A DW o encontrou exatamente à meia-noite, no meio da estepe, perto de uma aldeia nas proximidades da frente de guerra em Kupiansk, na região de Kharkiv.

Quadricópteros, equipamentos militares, mantimentos e combustível são carregados rapidamente nos veículos não tripulados. Tudo precisa ser feito com muita pressa, pois drones de combate inimigos foram avistados circulando a apenas cinco quilômetros dali.

Um sonho destruído

O primeiro robô terrestre enviado tem o codinome "Sonho". Ele deveria entregar a sua carga em duas horas. Um piloto o controla a uma distância de 40 quilômetros. "Sonho" é acompanhado por um drone de reconhecimento, operado a partir de outro posto de controle cerca de 20 quilômetros dali.

No meio do trajeto, "Sonho" precisa parar repentinamente por causa da aproximação de um drone de combate inimigo. Cerca de uma hora depois, ele é atacado. No posto de controle ucraniano, pode-se ver a carga pegando fogo.

"Scrooge" fala com respeito sobre "Sonho" e diz que ele é um "combatente experiente", que sofreu dois "ferimentos", mas que os mecânicos provavelmente conseguirão "curá-lo" de novo.

As demais entregas foram bem-sucedidas, então a perda da carga de "Sonho" não é tão grave. "É só uma máquina", diz "Scrooge". "O importante é que nenhuma pessoa morra."

Robôs e drones no lugar da infantaria

O comandante está convencido de que o desenvolvimento de robôs terrestres ucranianos avança mais rápido do que o do inimigo. Ele mostra à DW uma plataforma de combate pronta na oficina de sua unidade: montada nela está uma metralhadora americana Browning de grande calibre. Ela é capaz de destruir tanto tropas inimigas quanto equipamentos, diz "Scrooge".

A plataforma pode permanecer por longos períodos em modo de prontidão usando baterias. "Se um robô com uma metralhadora consegue atacar o inimigo a um quilômetro e meio de distância, isso já é psicologicamente difícil para quem está sendo atacado", explica Yurij, o mecânico da companhia.

"Scrooge" é militar de carreira e nasceu numa família de militares. Para ele, é apenas uma questão de tempo até que, no lugar da infantaria, haja apenas tecnologia - robôs e drones - no campo de batalha. As pessoas vão ficar a 100 quilômetros de distância, operando tudo, diz à repórter da DW. E acrescenta: "Todas as operações que você viu aqui esta noite já poderiam ser controladas de qualquer lugar do mundo."

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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