Trump encerra proteção do Serviço Secreto a Kamala Harris
Documentos obtidos pelo New York Times revelam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o fim da escolta do Serviço Secreto destinada à ex-vice-presidente Kamala Harris. A decisão foi registrada em memorando assinado na quinta-feira e enviado à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, com validade a partir de 1º de setembro.
Pelas regras americanas, ex-vice-presidentes contam com segurança oficial por seis meses após deixarem o cargo. Esse período terminou em 21 de julho, mas havia sido prorrogado em um ano por determinação do então presidente Joe Biden, pouco antes de sua saída da Casa Branca. A extensão, mantida em sigilo até agora, foi confirmada por várias fontes.
No texto intitulado Memorando para a Secretária de Segurança Interna, Trump escreveu: "Fica autorizada a suspensão de quaisquer procedimentos relacionados à segurança previamente autorizados por memorando executivo, além daqueles exigidos por lei, para a seguinte pessoa, com efeito a partir de 1º de setembro de 2025: ex-vice-presidente Kamala D. Harris". Nem a Casa Branca nem o Serviço Secreto comentaram o caso.
A decisão coloca Harris em risco?
O fim da escolta ocorre às vésperas do lançamento do livro de memórias de Harris, 107 Days, previsto para 23 de setembro. A publicação, acompanhada por uma turnê nacional, deve recolocar a ex-vice-presidente no centro da cena política. À imprensa local, Kirsten Allen, conselheira de Harris, declarou: "A vice-presidente é grata ao Serviço Secreto dos EUA por seu profissionalismo, dedicação e compromisso inabalável com a segurança".
Fontes ligadas à sua equipe de segurança afirmam que as preocupações com sua integridade nunca deixaram de existir. Harris foi a primeira mulher e a primeira mulher negra a assumir a vice-presidência do país, condição que aumentou a exposição a riscos específicos. O clima político dividido manteve essas tensões vivas mesmo após o fim da campanha presidencial.
A suspensão não implica apenas ausência de agentes próximos. O Serviço Secreto também monitora ameaças virtuais e presenciais, algo que será perdido com a revogação. Assessores avaliam que a residência de Harris, localizada em área movimentada de Los Angeles, ficará mais vulnerável sem a proteção federal.
Seu marido, Doug Emhoff, já havia perdido a escolta em 21 de julho, dentro do prazo estabelecido para cônjuges de ex-vice-presidentes. A equipe da democrata calcula que um esquema privado de segurança custaria milhões de dólares por ano.
Desde janeiro, ao reassumir a Presidência, Trump já suspendeu a proteção de outras figuras ligadas à gestão anterior, como John Bolton, Mike Pompeo e Alejandro Mayorkas. Em março, retirou ainda a escolta dos filhos de Biden, Hunter e Ashley.
"A segurança de nossos representantes públicos não deveria estar sujeita a impulsos políticos erráticos e vingativos", afirmou Bob Salladay, porta-voz do governador da Califórnia, Gavin Newsom. Já a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, disse estar em contato com Newsom para estudar alternativas de segurança. Ela classificou o episódio como "mais um ato de vingança, parte de uma longa lista de retaliações políticas que incluem demissões, revogações de credenciais e outras ações".